OPINIÃO PÚBLICA
 


”Como funciona a máquina do terror no campo”
Sofia Krause, Diego Escosteguy e Raquel Salgado

Explosão da barbárie. Agora o MST também ameaça de morte.

Foto: Fotos Fernando Cavalcanti e Valter Campanato

ATAQUES COM DIGITAIS OFICIAIS - O presidente do Incra, Rolf Hackbart, criticou a destruição na fazenda do grupo Cutrale promovida por militantes do MST. Que ninguém se engane: o Incra funciona como um braço auxiliar dos criminosos, que recebem dinheiro, informações e apoio logístico para executar as operações


O lavrador Francisco do Carmo Neto, morador do assentamento Barreirinho, na divisa entre Goiás e Minas Gerais, a cerca de 150 quilômetros de Brasília, dorme com um olho aberto e uma espingarda ao alcance da mão. A arma está sempre carregada. Francisco não tem medo de jagunços a soldo de fazendeiros ou dos ladrões de galinha que pululam na região. Francisco tem medo dos homens do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Os líderes da organização ameaçam matá-lo há anos – tudo em razão de sua recusa em alistar-se como soldado do movimento.

Ali, como em diversos assentamentos espalhados Brasil afora, o MST é o patrão; os camponeses, seu proletariado. Tal qual uma boa empresa capitalista, a organização sabe captar e multiplicar o seu dinheiro. Quer plantar? O MST consegue o financiamento, desde que mediante o pagamento de uma pequena taxa de administração. Cobra um pedágio de 2% dos trabalhadores que pegam empréstimo com o governo. Quem discordar dos métodos tem a liberdade de partir. Se não quiser partir, jagunços do movimento se encarregam de convencê-lo – a bala, queimando e saqueando as casas, ameaçando de morte. O Incra, órgão governamental que deveria gerir os assentamentos, sabe de tudo isso, mas nada faz e, segundo os lavradores, sempre que pode, ainda dá apoio logístico aos criminosos do MST.

É essa perigosa simbiose entre a violência do movimento e a leniência do governo que proporciona espetáculos grotescos como o de dez dias atrás, quando integrantes do MST invadiram a fazenda Santo Henrique, em São Paulo, de propriedade da Cutrale, a maior produtora de sucos de laranja do país.

Alegando que a propriedade estava em litígio, 250 sem-terra ocuparam o local. No começo, o Incra confirmou que a posse da fazenda estava em discussão na Justiça, o que impediu os advogados da Cutrale de conseguir rapidamente a reintegração de posse. Pura malandragem. A propriedade da fazenda já fora discutida na Justiça, e o Incra perdera o processo em segunda instância – e, evidentemente, sabia disso.

Quando os juízes descobriram o estratagema do MST e de seus comparsas no Incra, era tarde demais. Os sem-terra haviam devastado a fazenda. Os vândalos destruíram 10 000 pés de laranja, roubaram 45 toneladas de produtos agrícolas e sumiram com 12 000 litros de diesel. Para completar o serviço, quebraram 28 tratores. A empresa calculou os prejuízos em 3 milhões de reais. A ação foi tão repugnante que até a cúpula do governo Lula, incluindo o Incra, veio a público condená-la.

"A minha reação é de indignação. Não tem razão para isso", disse Rolf Hackbart, o presidente do Incra. No Congresso, reavivaram-se os debates para a criação de uma CPI destinada a investigar o MST.

Foto: Cristiano Mariz

SEM-TERRA X SEM-TERRA - Em depoimentos ao MP, sem-terra, armados para se defender, acusam o MST de implantar um clima de terror no assentamento: tiros, ameaças e destruição de casas de quem se recusa a participar de novas invasões

As ilegalidades cometidas pelo movimento dos sem-terra, entremeadas por tantas outras manifestações recentes de brutalidade autoritária, trazem à luz o verdadeiro espírito do MST: uma organização criminosa, espalhada pelos quatro cantos do país, mantida por dinheiro dos contribuintes e cujo poder provém do livre exercício da violência.

VEJA esteve no assentamento Barreirinho, onde moram 140 famílias que, assim como o lavrador Francisco, convivem com a natureza belicosa do movimento. Essas famílias estão há anos sob o signo do terror, levando uma vida pior do que as outras, aquelas que aceitam se submeter às ordens despóticas da organização.

Muitos já foram embora, com medo da morte. Os lavradores que resistem sofrem toda sorte de retaliação. Desde que foram assentados pelo Incra, há uma década, os sem-terra criaram uma cooperativa própria e decidiram se afastar da cartilha maoísta do MST. Isso, na prática, significava dizer que não participariam mais de invasões e não aceitariam mais as duras regras impostas pelas lideranças do movimento.

A situação no assentamento deteriorou-se seriamente há dois anos, quando, diante do crescente número de famílias que se negavam a participar das ações do movimento, o MST resolveu radicalizar – com a competência de sempre. Sobrevieram ameaças de morte e atos de vandalismo. Alguns, como Francisco dos Santos Rodrigues, acordaram um dia com armas apontadas para a cabeça e ordens de abandonar a própria casa. Para mostrar que não estavam para brincadeira, os pistoleiros do MST descarregaram seus revólveres aos pés do camponês.

"Se você abrir a boca sobre o que aconteceu aqui, nós vamos te matar", prometeram os bandidos. Diz o lavrador: "Fui expulso de casa sem carregar nada junto, só a roupa do corpo. Eles não tiveram dó". Teimoso, Francisco decidiu voltar. Está marcado para morrer.

Foto: Cristiano Mariz

EXTORSÃO - Os assentados da fazenda Barreirinho, como Antônio Lisboa, são obrigados a destinar ao MST 2% do dinheiro que recebem do governo para plantar

As famílias acabaram procurando o Ministério Público de Minas Gerais. Em fevereiro de 2007, formalizaram a denúncia, narrando os abusos em detalhes. Os promotores ainda investigam o caso. Ato contínuo, elas também buscaram ajuda no Incra em Brasília. Bateram na porta errada. Desde o começo do governo Lula, em razão da admiração histórica entre o PT e o MST, o órgão é dominado por integrantes ou simpatizantes do movimento.

Segundo o líder dessas famílias, o assentado Antônio Teixeira, o Incra nada fez – e, para piorar, seus agentes passaram a hostilizar abertamente os lavradores. As famílias dizem que o governo travou os processos de regularização dos lotes e tentou realocá-las em outros assentamentos.

Diz Teixeira: "Eles querem que as terras voltem para o controle do MST". E já voltaram. Lá, não há conversa. As famílias que quiserem obter dinheiro público para tornar a terra produtiva precisam obedecer ao MST. No papel, conceder empréstimos para os assentados cabe ao Incra. Na terra, vale a lei do movimento.

Foto: Juliana Leitão/Diário de Pernambuco/Futura Press

MAUS RESULTADOS - Cerca de 520 000 famílias foram assentadas no governo Lula: venda de lotes e dificuldades para conseguir produzir

Quando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou uma linha de crédito para que os assentados pudessem plantar mandioca, os dirigentes sem-terra aprenderam rapidamente os lucrativos mecanismos da economia de mercado. Ofereceram-se para ajudar as famílias – desde que um porcentual dos empréstimos ficasse com o movimento.

Nesse quesito, o MST inovou: criou o pedágio com débito em conta! O politburo local dos sem-terra alugou um ônibus, levou as famílias até o banco e, sabe-se lá como, cuidou das formalidades junto ao governo. Na hora de fechar os empréstimos, os sem-terra obrigaram os camponeses a assinar a autorização para débito em conta. Era pegar ou largar. Quase todos pegaram. Os lavradores, que não têm nada a ver com o movimento, passaram a pagar pedágio como se fosse conta de telefone.

Um dos clientes do MST foi o camponês Antônio Lisboa. Ele contraiu um empréstimo de 1 000 reais. Deixou 20 na conta do movimento. Procurado, o Incra não quis se pronunciar sobre as acusações.

"Não sei nada a respeito de violência, e, com relação a essa taxa, não é coisa oficial do movimento", disse Gaspar Martins Araújo, líder local do MST, sem mostrar nenhuma surpresa quando informado de que a conta do pedágio é administrada por um colega do MST.

Essa relação siamesa entre o Incra e o MST está na raiz do fracasso do projeto de reforma agrária do governo Lula. Nos últimos anos, o Incra distribuiu mais terras do que em toda a história do país. Foram 43 milhões de hectares, nos quais cerca de 520.000 famílias de sem-terra foram assentadas. Há água, energia e um teto para a maioria desses camponeses. Eles têm moradia, o que certamente constitui um avanço – mas isso basta?

"A reforma agrária não é apenas a redistribuição de terras improdutivas, mas um meio de fazer com que os lavradores consigam produzir nos assentamentos", explica o professor Gilberto de Oliveira Júnior, da Universidade de Brasília. Hoje, mesmo após o governo ter gasto 1,3 bilhão de reais, os assentados produzem pouco, como confirma uma pesquisa feita pelo Ibope nos assentamentos.

Produzindo pouco, não têm renda. Sem renda, não conseguem sair da pobreza. A lógica que governa a política do Incra e do MST é simples – e cruel. Ela aponta um descompasso entre a dinheirama investida pelo governo e a situação de penúria na qual vivem os assentados. Aponta também uma solução: em vez de usar o dinheiro da reforma agrária para financiar as atividades criminosas do MST, o governo deveria investi-lo na produção agrária dos assentamentos. Essa lógica, a de quem realmente precisa dos investimentos para sair da pobreza e desenvolver a economia do país, é impecável.



 Escrito por Clóvismoliveira às 06:49 PM
[] [envie esta mensagem] []






 Escrito por Clóvismoliveira às 06:31 PM
[] [envie esta mensagem] []




Nuvens estranhas assustam moradores de Moscou

 



 Escrito por Clóvismoliveira às 03:16 PM
[] [envie esta mensagem] []




Nanicos e infiéis incham na Câmara durante governo Lula; PT, PSDB e DEM encolhem

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, os partidos de presença nacional que assumiram integralmente a condição de governo ou oposição viram dezenas dos parlamentares que ajudaram a eleger deixando suas fileiras na Câmara, enquanto siglas menores, muitas delas ideologicamente flexíveis, recebiam deputados dispostos a aderir ao próximo ocupante do Palácio do Planalto seja quem for.

Após o troca-troca da semana passada, quando terminou o prazo de filiação partidária para candidaturas na eleição de 2010, cristalizou-se o inchaço de siglas com bancadas menores e das que apóiam o governo pontualmente. Enquanto PR e PSC, por exemplo, cresceram na Câmara, PT, PSDB e DEM, os três partidos que protagonizam o debate ideológico em Brasília, só encolheram na Casa nos últimos sete anos.

O recuo mais expressivo entre os três é o do oposicionista DEM, ex-PFL. Derrotado na eleição presidencial de 2002, quando caminhou ao lado do atual governador paulista, José Serra (PSDB), ainda assim a sigla ficou entre as maiores da Câmara: tinha 84 parlamentares ali. Quatro anos depois, conduziu 65 parlamentares ao cargo, embora houvesse ainda mais vagas em disputa - na ocasião o número de deputados subiu de 503 para 513. Agora, de acordo com dados do site da Câmara, o DEM conta com 57 parlamentares.

"Essa diminuição no partido é também porque o governo usa os seus ministérios, liberações de verbas para atrair parlamentares", afirmou ao UOL Notícias o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). "No Brasil ainda não há uma tradição de oposição atuante, há gente que entra pela vida pública sem formação ideológica e acaba achando que sendo próximo do governo você consegue atender melhor à região que o elegeu. Aí eles migram para partidos mais fragmentados e desistem de exercer a fiscalização que cabe à oposição."

Edmar "Castelo" Moreira (MG) trocou o DEM pelo PR

Folha Imagem
Na reta final do processo de filiação partidária, pelo menos 27 deputados mudaram de partido. Sete deles aderiram ao centrista PR, que comanda o Ministério dos Transportes. Nos últimos anos, a sigla foi inchada por ex-integrantes do DEM, como Edmar Moreira - conhecido como o deputado do Castelo - e o ex-presidente da Câmara Inocêncio de Oliveira (PE). Em 2002, contava com 32 deputados e hoje soma 45 deles.

Cinco outros deputados da atual legislatura rumaram ao pouco conhecido PSC, que tem vínculos com igrejas evangélicas e agora com caciques políticos locais, como o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, e o senador Mão Santa (PI), ambos ex-peemedebistas. Há sete anos, levou a Brasília apenas um deputado. Hoje conta com 15 parlamentares na Casa.

Debandadas

Mesmo com dois presidenciáveis, Serra e o governador mineiro, Aécio Neves, o PSDB também perdeu força na Câmara durante o governo Lula. Em 2002, elegeu 71 parlamentares na Casa. Na votação seguinte, sua bancada caiu para 66. Após o fim do período de filiação partidária para a disputa do ano que vem, o partido passou a sigla com 57 deputados - sempre de acordo com o site da Câmara dos Deputados.

"Os partidos em geral têm pouca densidade política e ideológica. Isso influencia para que os deputados sejam mais sujeitos a lobbies e pressões", afirma o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP). "Juntam-se isso as dificuldades naturais em fazer política na oposição. No Brasil a política ainda fica muito associada à máquina, alocar recursos, ter posições na estrutura de governo. E o resultado é esse: há uma fragilização numérica e ideológica na oposição, inclusive no nosso partido."

Ex-petista, Ivan Valente (SP) ajudou a fundar o PSOL

Folha Imagem
A debandada tucana é diferente da que fez minguar a bancada petista na Câmara, diz o líder do partido na Casa, Cândido Vaccarezza (SP). Maior bancada de deputados eleita em 2002, com 91 parlamentares, o PT perdeu a liderança na reeleição de Lula para o PMDB. Na reta final de filiações acabou com 78 deputados - perdeu dois deles para o PV, mesma sigla que tirou a senadora Marina Silva (AC) da sigla para colocá-la na disputa pela sucessão de Lula em 2010.

"O PT é um partido ideológico, não tem entra e sai. A diferença foi a saída do grupo que fundou o PSOL porque passou a discordar do partido. Mas nossa situação é diferente", afirmou. "A oposição está sem agenda, o deputado vê que tudo que querem é fazer e desfazer CPI para investigar o governo. É natural que quem se sente assim vá para um partido onde possa ajudar a construir alguma coisa. Mesmo na oposição se tenta construir e a nossa constrói bem pouco", avaliou.

Para as próximas eleições, o tucano Serra e a provável candidata pelo PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já fazem disputam nos bastidores o apoio de lideranças dos partidos ditos centristas. O principal deles é o PMDB, que tem uma ala mais próxima do PSDB e outra que já gira em torno da preferida do presidente Lula.

Em 2002, o PMDB elegeu 72 parlamentares e se tornou a maior bancada da Câmara quatro anos depois, com 89 parlamentares. O partido não confirma e o site da Casa não referenda, mas depois da semana de filiação a estimativa é que o partido tenha perdido cinco deputados, de acordo com dados extra-oficiais.


 Escrito por Clóvismoliveira às 02:55 PM
[] [envie esta mensagem] []






 

 

 

Dora Kramer

Dura lex? Ora, a lex

Como o Congresso é hoje quase um carimbador das decisões do Executivo, a fiscalização das obras fica sob a jurisdição do fiscalizado. É um atalho que exibe perfeitamente a razão da sustentação de maiorias a qualquer preço e sob quaisquer mecanismos

O empenho do governo em manter, a qualquer preço, uma maioria fiel no Congresso, vez por outra suscita comentários desconfiados a respeito da razão de tanto esforço. Haveria algum plano secreto para mudar a regra do jogo eleitoral na última hora? É o mais comum deles, mas também o que menos se sustenta, pelo menos em face das condições objetivas para tal.

Um motivo bem mais prático pode ser observado agora, quando se inicia na semana que vem uma ofensiva do Palácio do Planalto para afrouxar o rigor da fiscalização sobre obras em andamento e licitações futuras. São duas as iniciativas. Uma, já posta na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010, diz que daqui em diante o Tribunal de Contas da União não poderá mais determinar a paralisação de obras sem autorização do Congresso.

Outra faz parte da proposta de reformulação da Lei de Licitações, já com previsão de votação no Senado, e estabelece prazo de 90 dias de validade para medidas cautelares apresentadas pelo TCU. Ambas as medidas em última análise transferem ao Congresso um trabalho que é do tribunal. Como o Congresso é hoje quase um carimbador das decisões do Executivo, a fiscalização das obras fica sob a jurisdição do fiscalizado. É um atalho que exibe perfeitamente a razão da sustentação de maiorias a qualquer preço e sob quaisquer mecanismos.

A Lei de Licitações, aprovada no calor da indignação do processo de impeachment do estão presidente Fernando Collor, há muito desperta várias críticas e reúne adeptos a que se façam modificações. É uma providência que requer cuidado, formação de consensos, arbitragem e, principalmente, competente elaboração técnica. Mas o governo não vai por esse caminho. Prefere a trilha mais fácil da desqualificação das prerrogativas e da desconfiança sobre a independência dos ministros do TCU.

Pois bem, em geral são políticos, na sua maioria indicados por razões políticas. Se agem mal, de forma a apenas atrapalhar a vida do governo, isso poderia ser facilmente desmascarado mediante a contra-argumentação técnica e demonstração de que as exigências feitas são descabidas.

Haveria também o caminho do cumprimento rigoroso dos trâmites, caso não se conseguisse provar que são manipulados politicamente, ou até a contestação sobre os meios e modos de funcionamento dos tribunais de contas. Mas o governo prefere o atalho por meio do qual transfere para as mãos de um Legislativo submisso a palavra final sobre a regularidade de obras públicas. A versão dos governistas é a de que o processo terá mais transparência, pois as análises ocorrerão de forma aberta, com audiências públicas, em sessões transmitidas pela televisão.

Trata-se de um sofisma. Que até faria algum sentido se o Congresso dedicasse alguma atenção à opinião pública. Decide - como comprovam à farta acontecimentos passados e presentes - exclusivamente referido nas necessidades e conveniências do governo. Vota como consumidor de benefícios oficiais, não como depositário da confiança de seus representados.

CARTA AOS BRASILEIROS

O adiamento do pagamento da restituição do Imposto de Renda do contribuinte que pagou a mais para a Receita é quebra de contrato. O cidadão pagou, fez a sua parte. O Estado unilateralmente decidiu reter o dinheiro para fazer frente a outras frentes - no caso, a meta fiscal - deixadas a descoberto pelo modo cigarra de governar. Bom de festa e ruim de serviço.

O argumento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o contribuinte não perde nada porque o atrasado será pago com juros, obedece aos critérios da quase-lógica. Quem conta com o dinheiro na data combinada em geral tem compromissos a ser saldados. Sem direito a adiamento unilateral.

Ademais, se o governo arrecadou menos do que previa e mesmo assim gastou mais do que deveria, cabe a ele, que tão espetacularmente soube administrar a crise econômica, resolver seus problemas de caixa sem transferi-los para quem está em dia com o Fisco.

NA FLAUTA

O governo de facto de Honduras fala duro e resiste demais para quem tem os Estados Unidos como inimigo. Dada a tradicional ascendência dos EUA sobre países da América Central, é de se supor que, se o presidente Barack Obama quisesse mesmo resolver a questão dentro da ótica pretendida pelo governo deposto, já teria resolvido.

NA LATA

Os rapazes não têm coragem de falar o óbvio. Vem Marta Suplicy, põe o pingo no i repetindo o que se houve por toda parte e é desqualificada, como se Ciro Gomes tivesse “tudo a ver” com São Paulo.

A reação, na verdade, não é ao conteúdo da frase, mas à exposição de uma contrariedade em relação às habilidades estratégicas de Lula.



 Escrito por Clóvismoliveira às 02:41 PM
[] [envie esta mensagem] []




 

 

 

 

Painel - Renata Lo Prete

Cabeça feita

Quem conhece o modo de Lula funcionar vê efeito bumerangue na pressão difusa de ministros do STF e explícita do titular da Defesa, Nelson Jobim, contra a ida de José Antonio Toffoli para a Corte. Os insistentes reparos ao currículo do advogado-geral da União teriam apenas fortalecido a inclinação favorável do presidente. Assim como gostou de ter posto o primeiro negro no Supremo, Lula aprecia a ideia de ser o responsável pela indicação de um ministro de 41 anos.

Mais: após resistir ao pesado lobby do PT contra a escolha de Roberto Gurgel para a Procuradoria Geral da República, o presidente se sentiria em plenas condições de ignorar a resistência antipetista a Toffoli.

Veteranos - Ari Pargendler e Gilson Dipp, dois nomes do STJ que frequentam a lista de cotados para a vaga aberta no Supremo, estão a poucas semanas de completar 65 anos, idade limite para ingresso na Corte. Carlos Alberto Direito, que morreu no início do mês, foi indicado nessa situação.

Monotemático - Celso Amorim foi surpreendido pela inusual presença de jornalistas suecos durante entrevista ontem no Rio. O assunto era um só: a novela da compra dos caças. O chanceler fez ginástica verbal para dar uma satisfação sem se comprometer com nenhum desfecho.

Esquece - Para os líderes aliados, é ilusório achar que a Câmara não vai meter a colher no debate sobre a redistribuição geográfica dos royalties do pré-sal. “Vai sair daqui uma mudança na participação especial”, adverte um dos cardeais da Casa.

Pessoa jurídica - Constrangidos com a farra da emenda que amplia o número de vereadores no país, os deputados encontraram um jeito de reduzir a farra sem se comprometer: o destaque retirando a retroatividade do texto será feito pela CCJ, e não por um parlamentar.

Lacrado - A crise no Senado arrefeceu, mas segue o fechamento da Casa a visitantes. No Sete de Setembro, quando estava programado um protesto pelo “fora, Sarney”, o Senado voltou a pressionar a Câmara, sem sucesso, para também interromper a visitação.

Bombou - Só na Independência, a Câmara recebeu 2.575 visitantes. Um grupo de advogados protestou por ter sido barrado no Senado, e o peemedebista Pedro Simon (RS) foi à tribuna cobrar de Sarney a reabertura da Casa.

Embaixada - Para evitar conflito diplomático, Aécio Neves chamou José Serra para inaugurar, na segunda, o Espaço Minas Gerais em SP.

Tiroteio

"Este é mesmo um governo de aloprados. Havia a brigada terrestre. No episódio dos caças, entrou em ação o esquadrão aéreo. E o piloto é o presidente"

Do deputado VIC PIRES (DEM-PA), sobre o aparente recuo do governo depois de Lula ter anunciado inesperadamente, durante a visita de Nicolas Sarkozy, que estava definida a compra de caças franceses.

Contraponto

Fora de concurso - Flexa Ribeiro (PSDB-PA) se prolongava num discurso na tribuna do Senado, na quarta-feira passada. Mão Santa (PMDB-PI), que presidia a sessão, advertia seguidamente o colega para que encerrasse a fala. Como o tucano ignorasse os apelos, o peemedebista provocou:

- Vou sugerir a criação de um curso chamado “The End”, para ensinar os senadores a terminar discursos.

Ele mesmo assíduo na tribuna, Mão Santa continuou:

- E os primeiros alunos do curso serão Flexa Ribeiro, Valter Pereira e Eduardo Suplicy!

Ao que um senador, sentado em seu lugar, murmurou:

- Mas e o Arthur Virgílio, é caso perdido?



 Escrito por Clóvismoliveira às 02:27 PM
[] [envie esta mensagem] []




O chefe do mensalão já opera 2010

Alexandre Oltramari

Cassado, José Dirceu deixa em segundo plano seus negócios meio privados, meio estatais para mergulhar de cabeça na campanha presidencial de Dilma Rousseff

Desde que se revelou seu papel de mentor e operador do escândalo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu teve cassado seu mandato de deputado federal e suspensos seus direitos políticos. Com os dedos, foram-se os anéis. Ele perdeu suas credenciais de principal coordenador das ações políticas do governo. Afastado oficialmente do núcleo do poder, Dirceu se dedicou aos negócios, fazendo meteórica carreira como despachante de empresas nacionais e estrangeiras com interesses em decisões de órgãos estatais.

Mas, uma vez Dirceu, sempre Dirceu. Ele está de volta ao seu grande negócio, a política, em especial os arranjos partidários de apoio a um candidato hegemônico, o que ele fez com fogo e arte na eleição de Lula em 2002. Dirceu e seus arsenais estão agora a serviço da candidatura de Dilma Rousseff. Seu papel é o mesmo exercido na primeira eleição presidencial de Lula. Dirceu atua nas costuras de bastidores, longe dos olhos da nação, ofício em que é mestre. Ele trabalha como um tecelão, costurando a favor de Dilma uma teia resistente e capilarmente espalhada pelo país, formada por governadores e prefeitos fiéis ao projeto continuísta do PT.

Como ocorreu no passado, Dirceu recebeu plenos poderes para barganhar, fazer ofertas, oferecer cargos e benesses em um futuro governo. Nessa vida de facilitador, nem tudo é fácil. No atual momento, Dirceu se empenha em descarrilar a candidatura de um aliado cuja participação na trama ameaça sair do enredo original. Fala-se do deputado federal Ciro Gomes, que, escalado para coadjuvante de Dilma, está roubando a cena pré-eleitoral e ocupando o centro do palco com uma desenvoltura preocupante para o Palácio do Planalto. A missão de Dirceu é abrir o alçapão sob os pés de Ciro e fazê-lo desaparecer. Isso tem de ser feito sem sangue, mágoas ou ressentimento. A candidatura de Ciro precisa sumir, e o verdadeiro interessado na operação não pode aparecer. Essa é a especialidade de José Dirceu.

Há duas semanas, Dirceu iniciou um périplo pelos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco – não por acaso, todos governados pelo PSB, o partido de Ciro Gomes. O diálogo mais revelador até agora ocorreu em Fortaleza, na casa do governador Cid Gomes, irmão de Ciro. Dirceu explicou detalhadamente as dores de cabeça que a candidatura do irmão poderia trazer para os planos de reeleição do próprio governador. Sutileza de Diceros bicornis petistum.

Ela se traduz por: se o governador não ajudar a minar os planos nacionais do irmão, o PT do Ceará, na sucessão estadual, não apoiará Cid Gomes, mas Luizianne Lins, a atual prefeita de Fortaleza. Dado o recado ameaçador, Dirceu gastou o restante do tempo nas mesuras recomendadas nesses casos. Disse que aquela solução seria muito dolorosa, mas adiantou que, mesmo intimamente contrário à manobra, não teria outra saída pública. Recado dado. Recado entendido.

Dias depois das conversas com os socialistas, Ciro Gomes anunciou a transferência de seu domicílio eleitoral para São Paulo. Ele nasceu em Pindamonhangaba, no interior paulista, mas se mudou ainda criança para o Ceará. Tem tanta identificação com o eleitorado paulista quanto Geraldo Alckmin, também natural de Pinda, tem com os moradores de Sobral. Com a mudança de domicílio, Ciro se habilita legalmente a concorrer ao governo de São Paulo e, do ponto de vista único da lei eleitoral, nada muda.

No mundo real é outra história. Para manter-se no pleito nacional, Ciro, apesar de empatado com Dilma Rousseff nas últimas pesquisas, precisa escapar das investidas do Diceros bicornis petistum. Disse Ciro a VEJA: "Eu soube da conversa de Dirceu com o meu irmão, mas ela não prosperou porque estou convencido de que devo disputar a Presidência da República". A mudança do domicílio eleitoral atendeu a um pedido do presidente do partido, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Lula é o autor intelectual da estratégia de polarizar as eleições de 2010 entre pró e contra Lula e seu legado.

Nessa estratégia não há lugar para um tertius. Mas Lula deu sinais de que, apesar do apoio inicial, sentia necessidade de testar outros cenários que favorecessem a eleição de um continuísta apoiado por ele – mesmo que esse nome não fosse o de Dilma. É por isso que o presidente encorajou Ciro Gomes a se lançar nacionalmente e, agora, está arrependido de ter soltado as amarras e vê-lo subir como um balão de gás leve. Só não disse isso com todas as letras. Mas, como alertam seus próximos, ele pode estar naquela fase de "matar e ir ao velório", que serve tão bem ao estilo José Dirceu de formação de bancadas.

Sete anos e muitos escândalos depois, José Dirceu mostra que não perdeu a influência. Ele foi encarregado também de catalisar os nobres ideais dos líderes peemedebistas em direção a Dilma Rousseff – um movimento considerado capital para o futuro da candidata. Um caso recente: para vencer as resistências de um dos caciques do PMDB, o governador Sérgio Cabral, Dirceu procurou o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindberg Farias, e o incentivou a manter sua anunciada candidatura ao governo do Rio de Janeiro. O objetivo é usá-la como moeda de troca com o PMDB. O partido apoia Dilma no Rio e ganha a cabeça do prefeito adversário. VEJA procurou o ex-ministro José Dirceu na semana passada. Sua assessoria informou que ele estava incomunicável, participando de uma conferência na Itália, a convite da Fundação Gorbachev.



 Escrito por Clóvismoliveira às 02:24 PM
[] [envie esta mensagem] []




 


Diogo Mainardi

Do Kotscho à Chaui

“Depois que Lula foi eleito, Marilena Chaui deu uma amostra de seu rigor intelectual, tornando-se imediatamente  ‘verde-amarelista’. Plínio Salgado - o Ricardo Kotscho integralista - inaugurou o ‘verde-amarelismo’”

Ricardo Kotscho foi assessor de imprensa de Lula por dois anos, no primeiro mandato. Agora ele tem um blog. Eu sei, é triste: do Palácio do Planalto ao iG. Mas é só o que lhe resta. Na última semana, Ricardo Kotscho deu o tom da propaganda patrioteira de seu partido. De acordo com ele, Lula derrotou Obama, debelou o H1N1, descobriu petróleo, garantiu a democracia em Honduras e domou a economia mundial. Nós, por outro lado, “os célebres 6% que reprovam o governo Lula”, somos apenas uma “urubuzada” agourenta que pretende minar a alegria dos brasileiros. O lulismo já tem seu Plínio Salgado: é Ricardo Kotscho.

Em Mito Fundador e Sociedade Autoritária, Marilena Chaui fez um apanhado de nosso imaginário nacionalista. O ensaio foi publicado no ano 2000. Quem o editou? Marco Aurélio Garcia, atual coordenador do programa de Dilma Rousseff. A meta de Marilena Chaui era contrastar a propaganda patrioteira de Fernando Henrique Cardoso, na festa dos 500 anos de Descobrimento do Brasil. De “semióforo” em “semióforo” - sim, Marilena Chaui interpreta semióforos -, ela argumentou que nosso chauvinismo “verde-amarelista” sempre foi usado pela classe dominante para manter o poder, esmagando “aqueles célebres 6%” de impatriotas que insistiam estupidamente em ignorar a grandeza do governante de turno.

De Pero Vaz de Caminha a Amaral Netto, passando pelo fascismo getulista e pelo regime militar, Marilena Chaui indicou algumas das patifarias nacionalistas marteladas no decorrer dos séculos. A primeira delas foi perfeitamente resumida por Afonso Celso, mais de 100 anos atrás: nossa riqueza natural é uma dádiva de Deus, e, se Deus “aquinhoou o Brasil de modo especialmente magnânimo, é porque lhe reserva alevantados destinos”. Lula recorreu à mesma impostura determinista quando estatizou o pré-sal, dizendo tratar-se de “uma dádiva de Deus e um passaporte para nosso futuro”. Marilena Chaui analisou também a imagem alegre e fraternal dos brasileiros, que a “cultura senhorial” disseminou a fim de domesticá-los. Mas foi nessa imagem alegre e fraternal que se baseou a mitografia petista, segundo a qual Lula condensaria as melhores características dos brasileiros - Lula, o Filho do Brasil.

Marilena Chaui fazia parte da “urubuzada” agourenta. Depois que Lula foi eleito, ela deu uma amostra de seu rigor intelectual, tornando-se imediatamente “verde-amarelista”, alinhada à fanfarronice do Brasil Grande. Plínio Salgado - o Ricardo Kotscho integralista - inaugurou o “verde-amarelismo”. Alguns anos mais tarde, seu movimento totalitário teve uma segunda etapa. Nome? “Revolução da Anta”. Os célebres 6% que reprovam o governo Lula acreditam estar em plena “Revolução da Anta”.



 Escrito por Clóvismoliveira às 02:17 PM
[] [envie esta mensagem] []




 


Folha Online
Governo quer doar aeronaves a vizinhos na América Latina

RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O governo Lula encaminhou nesta semana ao Congresso Nacional pedido que, se atendido, resultará na autorização da doação em todo o seu mandato de pelo menos 27 aeronaves a outros países, em especial Bolívia, Equador e Paraguai.

Lula enviou na quarta-feira dois projetos de lei em que manifesta intenção de transmitir gratuitamente quatro helicópteros e um avião da Força Aérea Brasileira à Bolívia e ao Equador, pedido que se soma a outro, feito em maio, que pretende beneficiar o Paraguai com três aviões de ataque.

Bolívia e Equador, que estão entre os principais destinatários das doações, fazem parte da Alba, a aliança regional de esquerda liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que cedeu aviões ao governo do boliviano Evo Morales. Há alguns dias, Chavez fechou acordos de cooperação com o Equador, de Rafael Correa.

As doações pretendidas pelo governo foram defendidas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, sob o argumento, entre outros, de que os atos reforçarão o bom relacionamento com os países beneficiados, "estreitando ainda mais os laços de cooperação mútua".

No documento assinado por ele, e que acompanha os projetos, Jobim argumenta que a FAB possui exemplares mais modernos e econômicos e que a medida evitará gastos de manutenção, já que as aeronaves que serão doadas estão desativadas ou serão substituídas.

Antes de Lula, a Folha localizou nos registros da Câmara dos Deputados doação só nos governos de Itamar Franco (1992-1994) e de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), quando o Congresso autorizou a cessão de monomotores à Bolívia e ao Paraguai.

A primeira doação do governo Lula foi autorizada com a aprovação de lei em 2004 para o Senegal.

Os três projetos que tramitam no Congresso preveem a doação de três aviões de treinamento e ataque para o Paraguai, quatro helicópteros para a Bolívia e um avião de transporte de tropas ao Equador.

A doação para o Paraguai já foi aprovada por unanimidade por três comissões do Congresso. "A iniciativa se coaduna com os princípios constitucionais que norteiam as relações internacionais do Brasil", escreveu em seu relatório o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Procurada ontem pela manhã, a assessoria do Ministério da Defesa informou à noite que não conseguiria responder a tempo aos questionamentos.

O brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, afirmou que todas as doações autorizadas pelo Congresso foram efetivadas: "Essas doações têm um certo caráter imperialista. Eu me lembro que um dos primeiros aviões que usei foi um F-80 doado pelos EUA, vindo da Guerra da Coreia [1950-53], todo furado de bala. Mas os que nós doamos não, foram todos revisados, estavam em perfeita condição".

Brasil finaliza agora processo de aquisição de 36 caças. Na disputa, estão modelos da França, da Suécia e dos EUA.



 Escrito por Clóvismoliveira às 02:10 PM
[] [envie esta mensagem] []






 Escrito por Clóvismoliveira às 10:00 PM
[] [envie esta mensagem] []





 

 

 

Augusto Nunes

O calote aplicado a quem paga imposto pelo governo que empresta dinheiro até ao FMI

O presidente Lula tem aparecido pouco no emprego para dedicar-se em tempo integral a uma urgência urgentíssima: cumpre-lhe ensinar ao resto do mundo como se faz para matar ainda no berço uma crise econômica medonha. Graças ao timoneiro incomparável, vem aprendendo o planeta, o país do carnaval foi o último a ser alcançado pelas ondas de fabricação americana, o único a surfar numa marolinha e o primeiro a chegar à praia, onde prospera sem companhia.

“Saímos da crise melhor do que estávamos quando entramos”, ufana-se há semanas o maior dos presidentes. O Brasil não tem pressa para receber o dinheiro que emprestou ao FMI, o Banco Central não sabe o que fazer com tanto dólar, sobram verbas para a Copa de 2014, para a Olimpiada de 2016, para a renovação do contrato com a base alugada, para buscar o mundaréu de petróleo no fundo do mar, para o que der e vier. Há dinheiro para tudo.

Menos para devolver a milhões de lesados o que o Imposto de Renda cobrou a mais, informou  a manchete da Folha de S. Paulo nesta quinta-feira. Dos R$ 15 bilhões que o governo deve, e jurou restituir antes que o ano termine, R$ 3 bilhões ficarão para 2010.  O calote golpeou sobretudo trabalhadores da classe média, que não terão dinheiro para pagar as próprias contas porque estão pagando as contas do governo sem fundos.

“Tivemos de compensar uma arrecadação menor”, gaguejou sem o sorriso de guardião do cofre e com voz de gazua o ministro Guido Mantega, encarregado por Lula de executar a tunga em parceria com a Receita Federal. Depois de algumas horas de sumiço, reapareceu para tentar iludir em economês os enganados de sempre. ”O que nós fazemos é priorizar a restituição daqueles contribuintes sem problemas, que não estão na malha fina”, fantasiou. ”Também privilegiamos as restituições menores, que se supõe que sejam de uma faixa salarial mais baixa”.

Por confundir a mudez que vem do espanto com o silêncio de quem consente, Mantega resolveu fingir na conversa com os jornalistas que acha estranho tanto barulho por nada.  ”Não sei por que estão chamando a atenção para esta questão. Estamos agindo normalmente em relação a isso”.  Os tungados acham normal que o governo se comporte como o remediado metido a besta, sempre caprichando na pose de rico comprometida pelo paletó puído. Assim tem sido há quase sete anos. Mas só um anormal de ofício pode querer que milhões de pagadores achem normal o calote que, segundo Mantega, foi aplicado para bancar o prejuízo causado por uma crise que, segundo Lula, não só acabou faz tempo como melhorou o Brasil.

É isso o que Mantega quer. É disso que Lula gosta. E isso é o que jamais terão dos brasileiros que existem fora do rebanho.



 Escrito por Clóvismoliveira às 09:14 PM
[] [envie esta mensagem] []




 


 

 

 

''Governo assalta o bolso do brasileiro''

"O governo tem R$ 20 bilhões para emprestar ao FMI, mas não tem dinheiro para pagar a restituição do Imposto de Renda devida ao cidadão."

deputado Ronaldo Caiado



 Escrito por Clóvismoliveira às 12:05 PM
[] [envie esta mensagem] []






 Escrito por Clóvismoliveira às 11:51 AM
[] [envie esta mensagem] []




Fotos: Nasa/Divulgação
Video censurado da NASA na Lua
Descoberta construção de um, edificio em solo lunar
Será verdade ou mais um montagem?



 Escrito por Clóvismoliveira às 11:48 AM
[] [envie esta mensagem] []




 

The New York Times
Em Harvard, tempos mais magros significam o fim do café da manhã quente
Abby Goodnough
Em Cambridge, Massachusetts (EUA)
Liester Filho/Folha Imagem - 15.jun.2005
Fachada do prédio da biblioteca da Universidade Harvard, em Cambridge. A prestigiada instituição
de ensino superior dos Estados Unidos está enfrentando dificuldades financeiras. O fundo de Harvard tinha US$ 26 bilhões em junho de 2009,
em comparação a US$ 36,9 bilhões em junho
de 2008, que representa uma redução de 27%

Não há mais café da manhã quente na maioria dos dormitórios e nem os doces na Biblioteca Widener. Os atletas universitários não mais recebem agasalhos gratuitos, e nesta semana foi dada a notícia chocante de que os professores terão que se virar sem os cookies nas reuniões do corpo docente.

Segundo os padrões de Harvard, estes são tempos difíceis. Não tempos difíceis dickensianos, talvez, mas com uma queda de quase 30% no valor de seu fundo, a universidade mais rica do mundo está aprendendo a viver com menos.
 
A Faculdade de Artes e Ciências, a maior divisão de Harvard, cortou cerca de US$ 75 milhões de seu orçamento nos últimos meses e está planejando mais. Com os cortes se estendendo além de congelamentos salariais e de contratação até medidas que afetam o que os estudantes comem, onde estudam e outras partes de sua rotina diária, a euforia do outono em Harvard está atenuada. A Faculdade de Artes e Ciências antecipa um déficit de US$ 130 milhões ao longo dos próximos dois anos e está aguardando recomendações de grupos do corpo docente e estudantis que estão discretamente pesando as opções.

"Todos estão preocupados", disse George Hayward, um calouro que mora em uma parte do campus, o Quad, cujos cortes fizeram com que perdesse sua biblioteca. "Qualquer coisa pode acontecer a seguir; ninguém realmente sabe o que vai acontecer."

Harvard não é a única escola de elite onde a vida dos estudantes está mais austera neste semestre: Princeton fechou alguns de seus laboratórios de informática e dois de seus refeitórios nos fins de semana. Na Universidade de Stanford, o Festa do Mausoléu anual, um encontro de Halloween no local onde se encontra enterrada a família Stanford, perdeu US$ 14 mil em fundos devido aos cortes orçamentários e deve ser cancelada.

Mas muitos aqui presumiam que a vida estudantil em Harvard, mais do que qualquer outra instituição, estava imune às dificuldades. A perda dos ovos mexidos, bacon e outros alimentos preparados no café da manhã nos dormitórios da elite nos dias úteis parece ter provocado a maior ira.

"Os estudantes geralmente sentem que se eles vêm para Harvard, pelo que estão pagando, provavelmente teriam o direito a um café da manhã quente", disse Andrea Flores, uma bacharelanda que é presidente do Conselho Estudantil. "Eles querem preservar as coisas que existem em Harvard e que não existem em nenhum outro lugar."

Alguns estudantes sentem os cortes mais que outros. Hayward disse que aqueles que vivem no Quad, a 15 minutos de caminhada do Harvard Yard, foram afetados desproporcionalmente porque a biblioteca de lá foi fechada e o serviço de ônibus para o campus central foi reduzido. (Os moradores do Quad já são sensíveis; ser designado para aquela parte do campus é o pesadelo de muitos estudantes.)

Os atletas universitários também sofreram mais do que a maioria, disse Johnny Bowman, um calouro que está monitorando os cortes para o Conselho Estudantil, porque eram os maiores consumidores do café da manhã quente.

"Foi um grande choque", disse Bowman. "Os atletas estavam acostumados a voltar do treino matinal e receber seus nutrientes - uma refeição sólida."

Além dessa perda, algumas equipes se veem dividindo o espaço no Centro Atlético Malkin porque ele fecha mais cedo nas noites dos dias úteis. Khoa Tran, presidente do tae kwon do de Harvard, disse ao "The Harvard Crimson" que sua equipe teria que dividir o espaço de treino com a equipe de dança - e que não estava certo a respeito do que esperar.

"Será uma mistura interessante, porque eles estarão tocando dance music enquanto fazemos nossas rotinas", ele disse ao jornal. "Nós gritamos toda vez que chutamos... e nós chutamos muito."

O fundo de Harvard tinha US$ 26 bilhões em junho de 2009, em comparação a US$ 36,9 bilhões em junho de 2008, que representa uma redução de 27%. A perda é especialmente dura para a Faculdade de Artes e Ciências, que inclui Faculdade de Harvard, a Escola de Doutorado de Artes e Ciências e a Escola de Engenharia, porque o fundo fornece metade de seu orçamento.

Apesar dos empregos do corpo docente estarem protegidos até o momento, a universidade demitiu 250 funcionários neste ano, disse Jeff Neal, um porta-voz de Harvard. Ele disse que era cedo demais para saber se futuros cortes afetariam os estudantes.

"Nós estamos trabalhando arduamente para minimizar o impacto da crise financeira global em qualquer aspecto substantivo da vida estudantil", ele disse em um e-mail.

Flores disse que após excluir os alunos das conversações a respeito do que cortar no primeiro semestre, a administração agora está buscando a opinião deles. A administração descartou um plano para desativar o serviço de transporte à 1h30 da manhã em vez das 3h45 após um protesto dos estudantes, ela disse, apesar de ter cortado o serviço nas manhãs dos fins de semana.

A Faculdade de Artes e Ciências também iniciou um "banco de ideias" online, onde os estudantes podem submeter propostas para corte de despesas. As 170 propostas até o momento incluem a cobrança para que grupos turísticos entrem em Harvard e que os estudantes limpem seus próprios banheiros em vez de pagarem outros estudantes para fazê-lo, como parte de um programa de trabalho.

"Nós entendemos que temos que abrir de mão de algo", disse Flores. "Mas os estudantes querem ter o direito de opinar a respeito do que estão dispostos a ceder e o que desejam proteger. Enquanto isso fizer parte da discussão, eu acho que o processo poderá transcorrer pacificamente."

Tradução: George El Khouri Andolfato


 Escrito por Clóvismoliveira às 11:22 AM
[] [envie esta mensagem] []





 

 

 

Serra critica governo Lula, e PSDB chama Ciro de “nanico de Dilma”

Catia Seabra

Reunido com um grupo de empresários, o governador de São Paulo, José Serra, criticou ontem o governo federal por falta de planejamento e controle de gastos. Ignorando a presença de jornalistas na reunião com integrantes do Movimento Brasil Competitivo, Serra atribuiu a paralisação de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) a falta de planejamento e acusou o governo de inflar investimentos.
Após anunciar uma economia de R$ 518 milhões como produto do programa de melhoria da qualidade dos gastos, o governador disse: “Fico pensando na margem de manobra que haveria na esfera federal”.
“Em 2011, a gente conversa”, brincou o presidente do Grupo Orsa, Sérgio Amoroso.
“Quem sabe? Porque isso não existe na esfera federal”, respondeu o governador.
Sem citar o nome da ministra Dilma Rousseff -sua potencial adversária na disputa presidencial-, Serra disse que o “Brasil perdeu” a capacidade de planejamento. “Agora, por exemplo, o TCU impugnou dezenas de obras federais. Não impugnou o Rodoanel”.
Afirmando que pretende criar um manual de boas práticas de gestão, Serra lembrou que a participação do governo federal para o Rodoanel é de R$ 1,2 bilhão em R$ 4,4 bilhões. E reclamou: “No PAC, quando eles medem -daí, a propaganda do PT na TV-, eles apresentam o conjunto do rodoanel como uma obra federal”.

Nanico
Já o presidente estadual do PSDB, Mendes Thame, reagiu à reedição de propaganda do PT que contabiliza um investimento federal de R$ 100 bilhões em São Paulo. Em nota, diz que “o PT perdeu a noção”. “Deve ser já a influência do seu novo líder, Ciro Gomes, neopaulista e nanico da Dilma”.
Thame criticou o governo federal por incluir empréstimos, gastos do Estado e de prefeituras na sua cota. Segundo a nota, o governo Lula investiu apenas R$ 1,9 bilhão do Orçamento de 2009 no Estado.

Tucanos estão "perdidinhos" e desconhecem país, diz Ciro

Deputado ironizou PSDB, que estuda pedir seu mandato

O deputado federal Ciro Gomes (PSB), pré-candidato à Presidência, afirmou ontem, em Belém (PA), que os tucanos estão "perdidinhos da silva".
O PSDB estuda a possibilidade de pedir a suspensão do mandato de Ciro porque ele transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo.
"Acho, e não é de agora e nem por causa desse episódio, que andam "perdidinhos da Silva"."
Para Ciro, que disse que sua viagem ao Pará serve também para preparar a candidatura ao Planalto, o PSDB vive em uma "redoma" e não conhece o país.
Como exemplo, Ciro citou que o PSDB distribuiu em Natal (RN) uma cartilha "para provar para o povo do Nordeste que quem fez o Bolsa Família foram eles, e não o Lula".
"Só que eles estão fazendo isso na frente de 8 milhões de famílias que sabem que dia começaram a receber, a partir de qual responsabilidade política esse benefício lhes chegou."
O deputado voltou a ironizar a suposta participação do governador José Serra (PSDB-SP) na tentativa de lhe tirar o mandato. "De vez em quando acontece dessas contra mim, quase sempre com a mesma fonte, mas o Serra sempre nega que tenha sido ele", afirmou.
"A Roseana [Sarney] também acredita que não foi ele que tentou. Ela acredita, e eu também", disse Ciro. Em 2002, a Polícia Federal apreendeu R$ 1,34 milhão em empresa que tinha Roseana como sócia. Depois que a foto do dinheiro chegou à imprensa, ela desistiu da candidatura à Presidência e acusou a PF de beneficiar Serra, que disputou a eleição.



 Escrito por Clóvismoliveira às 11:03 AM
[] [envie esta mensagem] []




 

 

 

 

Quem adiantou restituição no banco pode pagar até 50% mais em juros

Mírian Leitão

Contribuinte terá que tomar novo empréstimo e deve arcar com taxa maior

DINHEIRO PRESO: Febraban diz que só há duas opções: quitar ou renegociar

Os contribuintes que pediram adiantamento da restituição do Imposto de Renda (IR) nos bancos poderão ter de pagar até 50% a mais de juros. Esse custo maior ocorrerá caso a restituição que viria em dezembro só seja recebida em março do ano que vem. Ontem, o governo confirmou que está atrasando o pagamento de lotes de restituição para compensar parte da queda da arrecadação de tributos no ano. Há a expectativa de que alguns lotes de restituição só sejam pagos no primeiro trimestre de 2010.


Nesse caso, uma pessoa que tenha adiantado em março o recebimento de R$ 2 mil em restituição a uma taxa de juros de 3,5% ao mês, com prazo para receber a restituição em até dez meses (os contratos vão de 180 a 300 dias, dependendo da relação do cliente com o banco), teria que pagar R$ 2.821,20 em dezembro. Se não tiver recebido a restituição e não tiver dinheiro em conta para honrar a dívida, a pessoa precisará pegar outro empréstimo, a uma taxa de juros mais elevada.

Se for de 4,5% ao mês — ainda baixa, pois os bancos consideram a restituição, ainda que atrasada, como garantia —, a dívida no final será de R$ 3.219,45, ou R$ 398,25 maior, quase 50% a mais de juros em relação aos R$ 821,20 iniciais, segundo simulação feita pelo professor Gilberto Braga, do Ibmec-Rio, com base em informações dos bancos.

Para oposição, medida é confisco

Cristiane Jungblut

PSDB e DEM dizem que decisão deve-se à 'gastança' do governo

BRASÍLIA. A oposição acusou ontem o governo de estar promovendo um “confisco” do dinheiro do contribuinte ao reter a restituição devida e transformá-la numa espécie de “empréstimo compulsório”. Para a oposição, o governo pune a classe média com o objetivo de conter as dificuldades decorrentes da queda da arrecadação, de um lado, e do aumento dos gastos públicos, de outro.

Parlamentares do PSDB disseram que o governo, apesar da crise econômica, promove “gastança” e exigiram explicações formais. Até mesmo dentro da base houve críticas ao comportamento de Mantega, que estaria “se notabilizando por criar mais um fato negativo para o governo ao confirmar oficialmente a estratégia da Receita Federal”, criticou um deputado aliado que não quis ser identificado.

Responsável entre os tucanos pelo acompanhamento dos gastos do governo, o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) disse que essa retenção do IR da classe média é mais uma ação do governo para tapar o rombo fiscal. Segundo Madeira, anteontem, em reunião na Câmara, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse que a arrecadação já caiu até agosto R$ 56,7 bilhões e que a previsão é de queda de R$ 60 bilhões em 2009.

— É para esconder a dificuldade orçamentária que está tendo, pela irresponsabilidade de aumentar os gastos no período de declínio da receita. É penalizar a classe média.

Usa a classe média como se fosse um empréstimo compulsório, que vai devolver quando der — disse Madeira, alfinetando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. — Não houve marolinha, e agora o governo vai para cima da classe média.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que apresentará um requerimento convocando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, para dar explicações na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Na mesma linha, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), disse que a União preferiu punir a classe média: — É um confisco da poupança, como foi à época do governo Collor.

Ele empresta R$ 20 bilhões ao FMI, mas assalta o bolso da classe média.

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), reagiu da tribuna: — Não há confisco de poupança. O Brasil está saindo muito bem da crise.

Mas a arrecadação deve recuar em R$ 40 bilhões, R$ 50 bilhões. Não é fácil numa crise desse tamanho. 



 Escrito por Clóvismoliveira às 10:24 AM
[] [envie esta mensagem] []






 

 

 

Em imóvel próprio, governadores só têm direito a segurança

Sem residência oficial, alguns alugam casas, outros moram em apartamento privado, mas sem despesas pagas pelo Estado

Diferentemente do que acontece no Rio Grande do Sul, onde o governo afirma ser legal a aquisição de bens e serviços para o imóvel particular da governadora Yeda Crusius (PSDB), com ressarcimento no fim do mandato, a maioria dos governos consultados pelo GLOBO afirma não gastar dinheiro público com a moradia particular do governante quando este opta por não viver na residência oficial do estado. Os governadores têm direito, no entanto, ao serviço de segurança mesmo quando não vivem em imóveis oficiais.

Os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), do Ceará, Cid Gomes (PSB), do Paraná, Roberto Requião (PMDB) e de Sergipe, Marcelo Déda (PT), moram em suas residências privadas. Nenhum deles tem, segundo as assessorias de imprensa, despesas pagas pelo governo, apenas a segurança.

No Maranhão, a governadora Roseana Sarney despachou em casa em setembro, porque o Palácio dos Leões, onde está agora, estava em reforma. A Secretaria de Comunicação afirmou que, durante esses seis meses (ela assumiu dia 17 de abril), Roseana utilizou apenas o serviço de segurança.

Há estados que não possuem residência oficial. É o caso de Mato Grosso, onde, em 2003, o imóvel foi entregue a seis ex-funcionários da extinta Codemat (Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso) como pagamento de dívidas trabalhistas.

O governador Blairo Maggi (sem partido) mora em sua cobertura, e não tem despesas pagas pelo governo. No Mato Grosso do Sul, o governador André Puccinelli (PMDB) também não tem residência oficial nem conta com auxílio moradia.

Ele mora em seu apartamento particular, pagando as despesas com recursos próprios.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), mora em uma casa alugada pelo governo, porque o estado também não tem residência oficial.

Já a governadora Wilma Faria (PSB), do Rio Grande do Norte, ocupa há sete anos uma mansão alugada e paga pelo governo. No estado, desde 1990 a residência oficial não é usada pelos governadores.

O imóvel deve ser transformado em centro cultural.

O governador de Santa Catarina mora na residência oficial e não tem despesas pagas em sua casa particular em Joinville, norte do estado.

Em São Paulo, a assessoria de imprensa do governador José Serra (PSDB) informou que ele não fez nenhuma adequação em sua residência pessoal, sequer de segurança.

Serra vive a maior parte do tempo no Palácio dos Bandeirantes, mas também usa sua casa particular, em Pinheiros.

O governo federal paga as despesas de locomoção, alimentação e segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva onde ele estiver, seguindo a legislação vigente, que inclui normas internas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não tornadas públicas por questão de segurança. A maior parte dos gastos é sigilosa porque, segundo o Planalto, pode provocar a vulnerabilidade do Estado. Pela lei que define a organização da Presidência, compete ao GSI zelar pela segurança do presidente e do vice.

Com correspondentes nos estados

Na Argentina, Lula é o 'cara'

Janaína Figueiredo

BUENOS AIRES. O Brasil está na moda entre os argentinos e, enquanto o casal Néstor e Cristina Kirchner perde popularidade (a imagem positiva da presidente não supera 20%), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganha cada vez mais admiradores no país vizinho. De acordo com pesquisa realizada pela empresa de consultoria Carlos Fara e Associados, se Lula fosse argentino seria eleito presidente com 52% dos votos (Cristina Kirchner venceu a eleição de 2007 com 45%). No levantamento, o casal Kirchner não foi incluído. Lula lidera numa lista com outros dez líderes estrangeiros e seria eleito no primeiro turno.

A imagem positiva do presidente brasileiro entre os argentinos, que de acordo com a empresa de consultoria argentina cresceu de forma expressiva nos últimos três anos, alcança 73%. Na lista de chefes de Estado estrangeiros mais populares nas terras do casal K, o americano Barack Obama ficou em segundo lugar em popularidade, com 62% (numa suposta eleição, teria 44%), e a chilena Michelle Bachelet, que encerrará seu mandato em março do ano que vem, foi a terceira mais popular, com 60%. Os presidentes menos venerados pelos argentinos são o venezuelano, Hugo Chávez, e o colombiano Álvaro Uribe, ambos com apenas 16% de respaldo.

Na visão do analista político Carlos Fara, nos últimos tempos surgiu na Argentina um forte sentimento de “inveja saudável” pelo desenvolvimento do Brasil em várias áreas.

— O Brasil sente-se orgulhoso de seus avanços, e na Argentina existe um pessimismo muito grande, uma sensação de que estamos perdendo oportunidades — diz Fara.

Segundo ele, “o Brasil tem políticas de Estado, algo do qual carecemos”: — Na Argentina instalou-se uma imagem de corrupção vinculada ao governo Kirchner, e a queda de sua popularidade também coincide com momentos de fortes confrontos com os meios de comunicação, algo que a população não vê com bons olhos.

A escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016 acentuou o clima de “inveja saudável” em relação ao Brasil. Esta semana, a manchete do jornal “Crítica” refletiu este sentimento: “O Brasil tem pela frente uma década espetacular: em 2014 será sede da Copa e, em 2016, dos Jogos Olímpicos”.

No páreo: Suplicy anuncia pré-candidatura em SP

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) usou ontem a tribuna do Senado para anunciar que pôs seu nome à disposição do partido para disputar a sucessão paulista em 2010.

O gesto de Suplicy ocorre três dias após a ex-prefeita Marta Suplicy ter descartado apoio do PT a uma candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo. O gesto de Suplicy poderá atrapalhar ainda mais os esforços do presidente Lula para convencer Ciro a desistir de concorrer à Presidência. “Quero aqui informar que me coloquei, perante a direção estadual (do PT), se assim avaliarem como próprio, à disposição do partido e do povo de São Paulo”, disse Suplicy.

Plano do PT é que Dilma deixe o governo em fevereiro, antes do prazo

Gerson Camarotti

Presidente prefere mantê-la até abril, limite para a desincompatibilização

BRASÍLIA. O comando nacional do PT defende que a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, antecipe sua saída do governo para meados de fevereiro.

A ideia é que ela percorra o país com maior liberdade e inicie uma mobilização política mais explícita, nos limites da legislação eleitoral, para tentar deslanchar sua candidatura à Presidência da República.

Cresce no PT a tese de que ela deveria ser liberada antes do prazo legal, que é início de abril. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda resiste.

Ele dará a palavra final.

— Ela deixaria o governo em fevereiro, um pouco antes do prazo oficial de desincompatibilização, para se dedicar às eleições. Não haverá prejuízo para o governo. Até lá, todas as questões da Casa Civil estarão encaminhadas — afirmou ontem o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).

Pela proposta em estudo, Dilma deixaria o cargo de ministra após o pré-lançamento de sua candidatura, no último dia do 4º Congresso Nacional do PT, em 21 de fevereiro — 40 dias antes do prazo de desincompatibilização.

Lula: cargo dá visibilidade e mantém Dilma próxima dele

Lula ainda não estaria convencido de que essa é a melhor opção. Segundo aliados, ele avalia que, para Dilma, pode ser melhor ficar no governo até o último dia possível, e, assim, ter a visibilidade do cargo e ficar mais tempo ao lado dele. Nas últimas pesquisas, Dilma sofreu queda de três a quatro pontos nos últimos três meses.

O presidente ainda estuda quem será o substituto de Dilma na Casa Civil. Entre os nomes cogitados, o mais forte é o do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que já sinalizou que não pretende disputar cargo eletivo em 2010. Antes, chegou a ser especulado o nome do deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), como forma de reabilitálo politicamente. Mas ele tem dito que gostaria de disputar o governo de São Paulo, e já apresentou seu nome ao partido.

Pela estratégia em estudo, o partido aproveitaria a mobilização do Congresso e a data do 30º aniversário do PT para lançar Dilma em grande estilo.

Devem comparecer ao evento 1.500 delegados, 500 observadores e 250 convidados estrangeiros.

O congresso também deverá definir o programa de governo, a tática eleitoral e a política de alianças.



 Escrito por Clóvismoliveira às 10:17 AM
[] [envie esta mensagem] []





 

 

 

Ao povo o que é do povo

Paulo Bornhausen

O povo paga impostos para que os governos possam ter os recursos necessários para propiciar uma vida com um mínimo de dignidade

O GOVERNO federal acaba de pregar mais uma triste e perversa peça no contribuinte brasileiro. Durante a crise, Lula foi à TV incentivar o povo a gastar: com o consumo, o Brasil sairia da crise. E o povo, magnetizado pelo mito, atendeu seu pedido. Gastou o que tinha e por conta do que viria a ter.
Agora, boa parte dos seguidores de Lula recebeu de presente, de recompensa, uma conta salgada. A restituição do Imposto de Renda de trabalhadores de classe média não sairá neste ano. A justificativa dada é que, por causa da crise, a arrecadação caiu, e o governo não vai pagar o que deve ao contribuinte.
É mais uma perversidade da administração da brutal carga tributária que sufoca o brasileiro. E o ministro da Fazenda disse que ninguém será prejudicado, já que o governo paga juros da Selic para a restituição.
O ministro não disse o que vai ser do trabalhador que pegou adiantado a sua restituição para gastar -como Lula lhe pediu. Esse adiantamento é cobrado automaticamente pelo Banco do Brasil em janeiro, tenha ou não o trabalhador recebido sua restituição -ele vai contrair uma nova dívida para pagar, a juros mais altos do que os que o governo usa para remunerar a "poupança" que está forçando o contribuinte a fazer.
O povo está cansado de ser penalizado por este governo federal. O povo quer ter um atendimento nas unidades de saúde pública que lhe resolva os problemas, que lhe tire as aflições, que lhe acuda na doença.
Mas não tem, e isso ficou evidenciado na forma caótica com que o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, encaminhou o enfrentamento à gripe A. Não é por acaso que o Brasil é o campeão de mortes causadas por essa pandemia.
O povo quer poder sair nas ruas e voltar para casa em segurança. Quer ter a certeza de que quem estuda de noite vai voltar para casa em segurança. Quer ter a garantia de que quem está nas ruas não será atingido por uma bala perdida.
Podem mostrar números, estatísticas, pesquisas: o povo quer mais da escola do que a merenda escolar e uma certa tranquilidade de que as crianças estão seguras pelo menos enquanto estão nos prédios escolares. Ele não tem um mínimo de qualidade na educação, e a violência já está atingindo drasticamente o interior das escolas.
O povo tem consciência de que a grande maioria está predestinada a ser pobre. Mas quer, com todo o direito, mesmo que em casebres e no chão batido, morar em um local limpo, sem a sujeira, que deveria estar sendo tratada nos esgotos, correr ao céu aberto, provocando doenças por causa das quais filas se formarão nas unidades de saúde pública -e sem a garantia de uma solução.
Para tudo isso o povo paga impostos, para que os governos possam ter os recursos necessários para propiciar uma vida com um mínimo de dignidade. Mas o povo paga, no Brasil, muito imposto, muito imposto. E não recebe nada em troca. Não é dado ao povo o que de direito lhe devem.
E agora o povo tem confiscada sua restituição. É imposto para a saúde, imposto da poupança, imposto para livros. Impostos que, ao contrário de contribuir para melhorar a sua vida, penalizam justamente o povo, penalizam justamente aqueles que mais precisam se valer dos serviços públicos -serviços que não funcionam.
O imposto da saúde, a CSS, apelido envergonhado da CPMF, atinge a todos, sem exceção e várias vezes, por causa de seu efeito em cascata.
O imposto da poupança, segundo o governo, só atingirá os grandes poupadores, aqueles que têm conta acima de R$ 50 mil. Ora, qualquer um do povo que passou a vida pingando depósitos em sua caderneta de poupança tem hoje mais de R$ 50 mil no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal. Um dinheiro que lhe fez falta no dia a dia, mas que promete um futuro melhor para suas próximas gerações.
O imposto do livro, certamente ideia de quem não esconde sua falta de apreço pela leitura, vai afastar ainda mais o povo da possibilidade de adquirir mais cultura e, quem sabe assim, melhorar de vida, já que nem todos têm a sorte de se tornarem presidente da República. É uma questão programática: os Democratas são contra a criação de novos impostos e defendem um choque de gestão para diminuir a atual carga tributária.
E há o compromisso mais radical: no poder, vamos administrar os recursos públicos de forma a dar ao povo o que hoje lhe falta: serviços públicos de qualidade e realmente universalizados.

Impostura fiscal

Editorial

Flagrado ao empurrar a conta da gastança para quem pagou Imposto de Renda a mais, governo reage com hipocrisia

O GOVERNO Lula subverte e reescreve, a seu modo, a máxima maquiavélica de que é melhor aplicar o mal de um só golpe. Na paródia, patrocinada pelo Ministério da Fazenda ao retardar o cronograma das devoluções do Imposto de Renda, preferível mesmo é administrar ações impopulares em doses homeopáticas -na expectativa de que ninguém perceba a manobra.
Mas reportagem de Leonardo Souza, publicada ontem nesta Folha, flagrou o embuste em pleno curso. Asfixiado pela quebra na arrecadação e pela gastança da máquina pública, o governo federal decidiu, na surdina, reduzir os pagamentos devidos aos cidadãos que, em 2008, recolheram à Receita Federal mais imposto do que deviam.
Em relação aos desembolsos efetuados de junho a outubro de 2008, o montante transferido pelo governo às pessoas físicas que fazem jus à devolução do IR foi 21,7% menor neste ano de 2009. As reduções mais acentuadas no fluxo de pagamentos ocorreram em agosto (-58%) e setembro (-68%).
Dos cerca de R$ 15 bilhões que o erário devia a esse conjunto de contribuintes, apenas um terço foi saldado, faltando divulgar apenas dois dos sete lotes mensais de pagamento programados para este ano. Assim se conclui que, salvo na hipótese de uma aceleração espetacular da arrecadação neste último trimestre, uma fatia considerável de brasileiros só verá a cor do seu dinheiro em 2010. No governo se fala em empurrar pelo menos R$ 3 bilhões dessa conta para o ano que vem.
Diante da revelação da manobra, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não teve alternativa senão admitir o fato. Fez malabarismo, contudo, tentando minimizar o impacto negativo para os contribuintes que têm direito de receber o imposto pago em excesso. "Não há prejuízo", afirmou Mantega, pois o dinheiro devido é corrigido pela taxa Selic.
A conclusão é equivocada, para não dizer hipócrita, vinda de um economista. O trabalhador que precisa do recurso, na falta da restituição do governo, terá de tomá-lo emprestado no banco e arcará com taxas de juros quatro vezes superiores à Selic. Será vítima, pois, de enorme prejuízo.
O governo não se incomoda de retardar em até dois anos a devolução de dinheiro que não lhe pertence. Se utilizasse o mesmo critério na condução da dívida pública -e impusesse a seus credores um alongamento do prazo para quitar empréstimos-, a operação seria tachada, com razão, de calote. Mas o contribuinte, além de ser massacrado pela carga tributária, é tratado como credor de segunda categoria.
Inculpar a crise econômica beira o ridículo, quando o Executivo adotou decisões de gastos novos com o funcionalismo federal que tomarão, apenas neste ano, R$ 20 bilhões adicionais do contribuinte. O governo Lula repassa a conta de sua irresponsabilidade fiscal para o trabalhador que pagou imposto a mais -e vê reveladas escolhas políticas que pretendia manter escondidas.

Lula é o maior ator do país, melhor ainda que Wagner Moura, afirma cineasta

VERIDIANA RIBEIRO

O presidente Lula é o melhor ator do Brasil, melhor do que Wagner Moura. A opinião é do cineasta Fernando Meirelles, um dos sócios da O2 Filmes, produtora responsável pelos vídeos que contribuíram para a vitória do Rio na disputa para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Meirelles, que foi a Ribeirão Preto para inaugurar um cemitério ecumênico do qual é sócio, elogiou a leitura emocionada de Lula do discurso escrito por Scott Givens, ex-vice-presidente de entretenimento da Disney e responsável pelas aberturas do Pan-2007 e de Sydney-2000.
"O Lula é um ator impressionante. Ele vai lá, dá uma lida [no texto] em 20 minutos e fala aquilo como se tivesse saído na hora, do coração dele. Não tem Wagner Moura pro Lula! Ele é o melhor ator. Não sei se o melhor presidente", disse o cineasta à Folha.
Segundo Meirelles, os vídeos apresentados na Dinamarca no dia 2, data em que o Rio foi escolhido pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar a Olimpíada de 2016, foram os mais "emocionais" dos sete produzidos pela O2 Filmes. O objetivo era conquistar os membros do COI em eventuais segundo e terceiro turnos da votação.
"Os membros do COI já sabiam em quem eles iam voltar. As pessoas já foram [para a cerimônia de escolha da cidade-sede dos Jogos Olímpicos] com as suas cidades escolhidas. Então, "vamos trabalhar com o segundo voto!". E o segundo voto tem de ser uma coisa emocional. Pediram para a gente fazer algo que tocasse as pessoas", disse.
Meirelles foi crítico em relação às últimas gestões municipal e estadual do Rio e afirmou que, se bem aplicado, o investimento previsto para a Olimpíada poderá devolver à Cidade Maravilhosa o prestígio dos anos da bossa-nova.
"Há uma chance de o Rio recuperar a aura que tinha nos anos 1960. É que depois o Rio foi decaindo. O Brizola deu uma "marcada", deixou crescer muita favela em área de preservação. Depois, com dois [governos] Garotinhos, um Rosinha, mais dois Cesar Maia, o Rio de Janeiro [se] destruiu. A cidade está suja. Com essa perspectiva de 2016, o Rio tem uma grande oportunidade. Se o dinheiro não for para o bolso de empreiteiro e outros, há grandes chances", disse o cineasta.
Meirelles é um dos sócios das empresas WJN Comércio e Participações e SFM Participações, ambas de sua família, que, juntamente com outras duas empresas, construíram o Memorial Parque dos Girassóis, em Ribeirão.
A ligação dele com o local vem da infância: a área pertenceu a uma das fazendas que o avô do cineasta tinha na região. A mãe dele nasceu em Ribeirão, onde ele costumava passar suas férias escolares.



 Escrito por Clóvismoliveira às 10:06 AM
[] [envie esta mensagem] []




 

 

 

Painel - Renata Lo Prete

Combustível novo

ONGs ligadas ao MST que receberam R$ 115 milhões do Incra nos últimos cinco anos também têm contratos com a Petrobras. A lista de entidades beneficiadas inclui as chamadas Ematers, que tocam projetos de assistência técnica para pequenos agricultores; a Asbraer, associação que representa as Ematers nacionalmente; e as Federações de Trabalhadores na Agricultura nos Estados, que agregam sindicatos rurais, a maioria sob o guarda-chuva da CUT.
Os recursos chegam às ONGs por meio de projetos de biodiesel. À frente da Petrobras Biocombustível está o petista Miguel Rossetto, ex-ministro de Desenvolvimento Agrário, pasta à qual o Incra se subordina.


Ficha 1. O dirigente do MST Paulo Albuquerque, que coordenou a invasão à fazenda da Cutrale, já teve prisão decretada pela Justiça de São Paulo em 2005, junto de um grupo liderado por José Rainha Jr. À época, a juíza Adriana Nolasco da Silva alegou ameaça à ordem pública.

Ficha 2. Em julho passado, Albuquerque comandou invasões a sedes do Incra, incluindo a da capital paulista. Na época, o MST acusava o órgão de não cumprir metas de assentamento nem investir em outros mais antigos.

Na cara do gol. Dilma Rousseff não mencionou nenhuma vez as palavras mágicas Copa e Olimpíada durante mais de uma hora de balanço do PAC. Apenas quando jornalistas puxaram o assunto a ministra da Casa Civil falou a respeito dos eventos que o Brasil vai abrigar respectivamente em 2014 e 2016.

Mantra. A frase mais repetida pelos peemedebistas que participaram de jantar com a candidata do PT na terça-feira foi proferida pelo deputado Jader Barbalho: "Com o Lula nós podemos fazer adesão. Com a Dilma só podemos fazer aliança". Traduzindo: no eventual futuro governo, o partido reivindicará mais, muito mais do que tem hoje.

Eu não. Michel Temer diz que não pretende pedir intervenção no diretório paulista do PMDB, comandado por Orestes Quércia. O presidente nacional da sigla trabalha para ser vice de Dilma. Quércia está com José Serra (PSDB).

Pode vir quente. Não obstante a declaração pacificadora de Temer, Quércia afirma estar pronto para o que der e vier: "Já tentaram intervir em São Paulo uma vez, e eu ganhei na Justiça".

Sutura. O ferimento que rendeu a Lula cinco pontos no indicador da mão esquerda foi feito quando o presidente tentava consertar uma torneira no hotel em que ficou na Suécia. Não conseguiu.

Base. Dilma se reúne com prefeitos e vice-prefeitos do PT no dia 7 de novembro em Guarulhos, maior cidade sob o comando do partido em São Paulo. Em pauta, a mobilização das administrações petistas para a campanha de 2010.

Se vira... E nos dias 11 e 12 de novembro uma frente coordenada pelos petistas Emídio de Souza, de Osasco, e Eduardo Pereira, de Várzea Grande, realizará a Marcha Paulista em Defesa dos Municípios, com uma lista de cobranças a José Serra.

...nos 30. Há reivindicações em todas as áreas da administração. Os prefeitos tentam dissipar o caráter político do evento, a ser realizado na Assembleia, dizendo que Serra e secretários receberão a pauta previamente e serão convidados a participar dos debates.

Em coro. O senador Pedro Simon e o deputado Eliseu Padilha afinaram o discurso quanto à data para o PMDB deixar o desgastado governo de Yeda Crusius (PSDB-RS): ambos agora dizem que isso deve acontecer quando o partido escolher seu candidato (José Fogaça ou Germano Rigotto) à sucessão estadual.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

É inadmissível a restituição do IR ser usada para resolver problemas de caixa. Isso não é reflexo da crise, e sim da farra com o dinheiro público.

Do deputado EDUARDO SCIARRA (DEM-PR), sobre o atraso no pagamento das restituições, revelado pela Folha.

Contraponto

Love is in the air Ao final de reunião na terça-feira sobre os projetos do marco regulatório do pré-sal, Dilma Rousseff foi abordada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que pediu um dedo de prosa a sós com a ministra.
Quando os dois se afastavam dos demais participantes do encontro, Gabrielli passou o braço sobre os ombros de Dilma. Diante da cena idílica, um líder aliado não resistiu e comentou com os dois:
-Até que, entre tapas e beijos, vocês estão bem!
Gabrielli, que ao longo da convivência colecionou uma série de refregas com Dilma, respondeu com bom humor:
-Ah, muito mais beijos do que tapas!

Presente de Duda a Lula, garrafa de Romanée Conti é furtada no Rio de Janeiro

ITALO NOGUEIRA

Exposta vazia há sete anos como uma "lembrança", a garrafa de vinho tinto francês dada de presente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo publicitário Duda Mendonça em 2002 foi furtada ontem de madrugada no restaurante Osteria Dell"Angolo, em Ipanema, zona sul do Rio.
O ladrão levou outras sete garrafas cheias de uísque, vinho e licor do restaurante. Ao ver a garrafa de vinho tinto francês Romanée Conti safra 1997, presenteada ao então candidato após o último debate do primeiro turno das eleições, na TV Globo, levou-a com a caixa na qual estava exposta. A caixa estava pendurada na parede e garrafa era protegida por um vidro. Tinha a inscrição "Lula lá 05/ 10" no rótulo.
Foi no restaurante que Duda, Lula e amigos comemoraram, na madrugada de 5 de outubro, o desempenho do petista no debate. Celebravam também o aniversário de 42 anos do então coordenador da campanha presidencial, Antonio Palocci.
À época, a garrafa custava, cheia, cerca de R$ 6.000 -hoje custa R$ 15 mil.
Segundo o dono do restaurante, o italiano Luciano Pessina, um homem quebrou o vidro do local por volta das 3h e levou as sete garrafas e a caixa com o Romanée Conti.
A ação foi gravada pelo circuito interno de câmeras, de acordo com Pessina. O caso foi registrado na 14ª Delegacia de Polícia (Leblon).
"Deve ter sido um ladrão em crise de abstinência de álcool. Ele viu a garrafa dentro da caixa e deve ter achado que estava cheia", disse Pessina.
Ele afirmou ainda que o preço total das outras sete garrafas é R$ 400. "A garrafa vazia tinha valor sentimental. Era importante para nós."
O Romanée Conti simbolizou para críticos o início do deslumbramento petista com o poder. Duda e Lula foram censurados pela escolha do vinho, um dos mais caros do mundo.
Do grupo que participou do encontro, Duda acabou denunciado pelo mensalão e Palocci deixou o Ministério da Fazenda após suspeita de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa -a Justiça retirou a acusação.



 Escrito por Clóvismoliveira às 10:02 AM
[] [envie esta mensagem] []




O eleitor cassa mais e melhor
Maria Cristina Fernandes

Em dois anos e meio desde o início de sua vigência, o instituto da fidelidade partidária judicialmente imposto, levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ações relativas ao mandato de 29 parlamentares federais.

Misturam-se, entre os impetrantes, parlamentares que buscam uma declaração defensiva de que a mudança deu-se por justa causa e partidos que requerem de volta mandatos de infiéis.

Das 19 ações já julgadas pelo TSE, apenas uma resultou em perda de mandato, a do deputado federal Walter Brito que, em 2007, deixou o DEM em direção ao PRB da Paraíba. O tribunal não viu provas suficientes na defesa de Brito, que alegou ter sido perseguido pelo cacique demista de seu Estado cujo filho candidato teria sido beneficiado pela máquina do partido.

Os demistas são, de longe, os mais ativos na busca de punição aos seus ex-correligionários. Nisso diferem de seu principal aliado, o PSDB, que decidiu não levar a questão à justiça eleitoral.

Uma possível razão para isso é que o DEM tem sido o mais fragilizado pela migração partidária, enquanto o PSDB termina no azul o saldo desse último período de definições para as eleições de 2010.

O PSDB está no time da maioria. Onze partidos perderam parlamentares, mas apenas dois, além do DEM, pretendem reaver mandatos na Justiça: PDT e PTB.

 

O advogado Eduardo Nobre não tem enfrentado maiores dificuldades para enquadrar seus clientes entre as razões pelas quais o TSE acata a troca de partido: incorporação, fusão ou criação de legenda, mudança de programa e discriminação pessoal.

A maior parte dos parlamentares que o procuram o fazem alegando terem sido discriminados em suas legendas. Constitui-se, a partir daí, um processo como outro qualquer, com avocação de provas e testemunhas para demonstrar que o parlamentar era alijado de reuniões e ignorado na tomada de decisões da cúpula partidária.

Não há balanço do total das ações impetradas junto aos tribunais regionais, mas o cômputo dos imbróglios judiciais envolvendo parlamentares com mandato federal indica que as razões para a redução do troca-troca não respondem unicamente à vigência do instituto da fidelidade partidária.

Como toda e qualquer punição, a ameaça de perda de mandato não seria suficiente para inibir a migração se os estímulos não tivessem sido freados.

Foi o que aconteceu a partir de 2006. Os partidos costumavam medir força em duas ocasiões: na distribuição do tempo do horário gratuito de televisão e na disputa pelos cargos nas mesas diretoras e nas comissões.

O Congresso costumava assistir a um troca-troca desenfreado nos períodos que antecediam a contagem do tamanho das bancadas para ambos os eventos. Cerca de um terço dos parlamentares trocava de partido a cada legislatura.

No governo Fernando Henrique Cardoso, o DEM e o PSDB foram os grandes beneficiários do troca-troca. No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, legendas acessórias à base do governo foram engordadas pelo próprio PT, no início do processo que viria a ser conhecido como mensalão.

As duas decisões mais eficientes para inibir esse troca-troca foram tomadas pelo próprio Congresso, ao definir a data da eleição como a determinante das bancadas que contam para a propaganda de TV e os cargos de comando do Legislativo.

Restritos os estímulos, restam as motivações, na maior parte das vezes, regionais, para um parlamentar que sai em busca de uma outra legenda.

E o fazem por oportunismo ou sobrevivência política. Num país em que o eleitor é o principal cassador de mandatos - basta comparar o grau de renovação do Congresso, que ronda os 50%, aos mandatos quase vitalícios dos parlamentares americanos - ultrapassar um mandato parlamentar não é uma questão trivial.

É a essa realidade que o TSE tem sido apresentado no julgamento dos parlamentares com mandatos ameaçados. A julgar pelo único mandato devolvido, as vicissitudes da política regional talvez extrapolem o escrutínio de um fórum federal.

Se é para mandar parlamentar para casa, o eleitor, que teve podada essa prerrogativa pela decisão que coroou a judicialização da política, talvez seja mais eficiente.



 Escrito por Clóvismoliveira às 09:57 AM
[] [envie esta mensagem] []






 

 

 

Correio Braziliense

O preferido da FAB

Brasília-DF

Até o fim de outubro, depois de sucessivos adiamentos, a Comissão Gerencial do Projeto F-X2 deverá concluir os trabalhos de avaliação das propostas enviadas pelas empresas concorrentes à venda dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). Não será nenhuma surpresa se os brigadeiros derem o troco no anúncio precipitado de compra dos caças Rafale pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a visita do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e descartarem o modelo francês como primeira opção de compra. Nada impedirá que o presidente Lula compre os Rafale assim mesmo, mas será uma tremenda saia justa explicar o porquê da preferência por um avião muito mais caro que os demais.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, que chegou a pensar em pegar o bibico e ir pra casa quando Lula atropelou a comissão, não esconde de seus interlocutores que prefere o Gripen NG, da Saab, um caça sueco. Seria mais barato e possibilitaria aos oficiais engenheiros da FAB participar não só da construção, mas também do desenvolvimento do projeto. Os “caçadores” preferem pilotar o F-18 Super Hornet, da Boeing.


Candidato// Fora da corrida pelo Palácio do Buriti, o senador Cristovam Buarque (PDT) almoçou com o petista Agnelo Queiroz na quarta-feira. A iniciativa partiu do presidente do PT-DF, Chico Vigilante, interessado em encorpar a aliança de 2010. O distrital José Antônio Reguffe (PDT) estava presente, mas defende candidatura própria.

Pacto


Formada por mais de 60 especialistas em diversas áreas, sob comando do brigadeiro Dirceu Nôro, a comissão especial da FAB tende a fazer uma avaliação rigorosamente técnica, apesar das pressões do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para que não crie problemas para o presidente Lula. As três empresas que disputam a bilionária concorrência da FAB melhoraram suas propostas para atender às exigências de preço e transferência de tecnologia, mas o pacto de cooperação militar entre Lula e Sarkozy está fechado, principalmente por causa do submarino nuclear que a Marinha pretende construir. O fato é que a França se tornou a principal parceira estratégica do Brasil na política mundial, em detrimento dos Estados Unidos.

Suburbano


Uma das prioridades do governo federal para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 é a construção do trem-bala, ligando as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. O morador de Mesquita, aquele eterno sofredor que balança mas não cai dos trens da antiga Central do Brasil, não gostou nem um pouco da notícia. Já estava na bronca com a construção do metrô para a Barra da Tijuca, prioridade do governo estadual, enquanto há décadas os trens dos subúrbios estão abaixo da crítica.

Ofensiva

Aureliza Correa/Esp. CB/D.A Press - 11/3/09
 
 


A intensificação da agenda da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem como objetivo desestabilizar a candidatura à Presidência da República do deputado Ciro Gomes (foto), do PSB-CE, e forçá-lo a concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. A tese da candidatura única que a ministra defende, porém, não terá eficácia enquanto ela estiver atrás de Ciro nas pesquisas de opinião.

Empregos


O Sistema Nacional do Emprego (Sine) completou 34 anos de atuação com o saldo de 13 milhões de trabalhadores empregados desde o início do seu funcionamento, dos quais 1,06 milhão conseguiram ingressar no mercado apenas no ano passado. Este ano, apesar da crise, o órgão do Ministério do Trabalho já levou emprego a 754.593 trabalhadores

Recepção

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 11/9/09
 
 


Uma ala do PMDB de Goiás, liderada por vereadores de Goiânia, levanta resistência contra a indicação do neopeemedebista e presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (foto), para disputar o Senado. Os descontentes prometem lançar um candidato próprio para disputar a vaga nas convenções partidárias do ano que vem.


Pressa/ Para evitar atrasos, as comissões especiais que analisam o marco regulatório do pré-sal, na Câmara dos Deputados, não abrirão novo prazo para emendas depois da leitura dos relatórios. Parecer da Mesa Diretora da Casa, consultada pelo presidente da comissão que analisa a capitalização da Petrobras, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), garante que novas emendas terão de ser analisadas em plenário.

Gravado/ O PDT incluirá vídeos nas ações para retomar na Justiça Eleitoral os mandatos dos três deputados federais — Severiano Alves (PMDB-BA), Sérgio Brito (PSC-BA) e Davi Alves Júnior (PR-MA) — que deixaram a legenda no recente troca-troca partidário. Os pedetistas deixaram gravado, na época em que foi instituída a cláusula de fidelidade, o compromisso de permanecerem na legenda até 2010.

Precaução/ O ex-ministro José Dirceu tem estimulado o PT do Ceará a lançar candidato próprio contra o governador Cid Gomes (PSB), que tentará a reeleição. Caso prospere a candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência da República, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, precisará de um palanque petista no estado.



 Escrito por Clóvismoliveira às 09:54 AM
[] [envie esta mensagem] []






 

 

 

''Governo assalta o bolso do brasileiro''

"O governo tem R$ 20 bilhões para emprestar ao FMI, mas não tem dinheiro para pagar a restituição do Imposto de Renda devida ao cidadão."

Denise Madueño e Carol Pires

"O governo tem R$ 20 bilhões para emprestar ao FMI, mas não tem dinheiro para pagar a restituição do Imposto de Renda devida ao cidadão." Essa foi a reação do líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), que acusou o governo de praticar uma nova forma de "confisco da poupança" e de "assaltar o bolso do brasileiro" com o adiamento da restituição. Segundo ele, a devolução do IR é usada para pagar dívidas. "É um confisco da poupança, como foi à época do governo Collor."

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), rebateu a acusação de "confisco". "Todo o recurso será ressarcido", disse Fontana. "Estamos, sim, enfrentando um ano difícil, porque a arrecadação caiu mais de R$ 40 bilhões este ano."

No Senado, o líder do PSDB, Artur Virgílio (AM), disse que vai requerer que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, prestem depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sobre a decisão de atrasar a restituição do IR. Virgílio classificou o atraso de "calotezinho" e acusou o governo de romper um pacto com a classe média. "O contribuinte fez suas compras projetando que ia receber, e agora tem uma vaga promessa de, quem sabe, receber no primeiro trimestre do ano que vem."

O senador contestou a explicação de Mantega de que a liberação dos lotes de restituição do IR depende da arrecadação de tributos a cada mês. "Estamos alertando há anos que o governo planta uma bomba de efeito retardado, porque não corta gastos", disse o senador.

O presidente da CAE, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) antecipou que levará a discussão ao colegiado. A próxima reunião da CAE será na terça-feira.

Lula autoriza ''blitz'' para unir base em torno de Dilma

Marcelo de Moraes e Christiane Samarco

Preocupado com a estagnação da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas pesquisas e com o crescimento do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), o governo decidiu fechar o cerco sobre todos os partidos da base aliada, cobrando apoio e adesão imediata à campanha.

A ideia da blitz, avalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é garantir a candidatura única de Dilma e empurrar Ciro para a disputa pelo governo de São Paulo ou deixá-lo na corrida presidencial, mas sem o apoio de legendas aliadas que lhe garantam tempo de TV e palanques estaduais.

Apenas nas últimas 48 horas, representantes do governo e a própria Dilma se reuniram com dirigentes de três partidos (PMDB, PDT e PRB) e a blitz será estendida a todas as outras legendas da base. Na próxima terça-feira, a pressão será sobre o PR. Na reunião, estarão presentes até os novos líderes, como o ex-governador do Rio Anthony Garotinho.

O Planalto aposta que o auge da manobra será a formalização do compromisso com o PMDB. Ontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), cotado para vice de Dilma, conversou por telefone com Lula e deixou praticamente acertada a data do evento. Deve ocorrer em Brasília, no dia 20 ou 21, com a presença da cúpula das duas siglas, de Lula e Dilma.

Nesse encontro, será anunciada a parceria política em torno de Dilma, com a cessão da vaga de vice para o PMDB, e a intenção de que essa parceria se reproduza regionalmente.

Dirigentes petistas já concordaram com o plano e sonham até com a adesão imediata de Ciro. "Estamos deflagrando o movimento Dilma presidente. Ciro é nosso companheiro e queremos ele nesse movimento", afirma o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).

Interlocutores de Lula dizem que ele autorizou a estratégia por causa dos números preocupantes em pesquisas de intenção de voto. Em locais importantes, como Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, pesquisas oficiais e levantamentos informais mostram que Dilma aparece com desempenho próximo ao de Ciro ou pior.

No governo, o receio é de que a demora na consolidação do arco de alianças permita que a candidatura Ciro se consolide com mais força que a da ministra e isso resulte na atração dos partidos governistas para a sua campanha. Lula avalia que é possível reverter a situação durante a campanha, desde que haja bastante tempo de propaganda eleitoral para a ministra e não exista um outro candidato da base dividindo as atenções.

ISOLAMENTO

"O governo hoje está trabalhando para isolar a candidatura presidencial de Ciro Gomes", confirma o senador Renato Casagrande (ES), secretário nacional do PSB. "A intenção do PSB é ter candidatura presidencial própria, com o deputado Ciro Gomes. Mas esse é um processo que está em construção. Se o governo for contra essa candidatura e atrair para o lado da ministra Dilma o apoio de todos os partidos da base, a consolidação da campanha será, obviamente, muito mais difícil."

No cenário nacional, a candidatura de Ciro chegou a ser vista pelo governo como interessante, caso fosse necessária para impedir que o candidato da oposição - o mais cotado é o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) - vencesse no primeiro turno. Mas a avaliação mudou. Ciro ultrapassou Dilma em algumas capitais. E o diagnóstico governista é de que dificilmente a campanha da ministra seja bem-sucedida, se ele disparar nas pesquisas ou se dividir os votos e os governistas.

Pesquisa do Ibope no Distrito Federal, veiculada nesta semana, é um exemplo do que preocupa o governo. Nesse levantamento, Ciro aparece em primeiro lugar, com 25%. O tucano José Serra tem 15% e Dilma aparece apenas em quarto lugar, com 12 %, menos da metade do que foi obtido pelo deputado do PSB. Nessa pesquisa, Dilma está atrás até de Heloísa Helena (PSOL), que tem 13% e nem deverá entrar na disputa.

No Rio Grande do Sul, onde Dilma construiu a sua carreira, pesquisa do Ibope feita entre 25 e 29 de setembro também mostra números preocupantes para os defensores da sua candidatura. Serra tem 30% e Dilma aparece praticamente empatada com Ciro. Ela tem 20% e o deputado cearense, 19%.



 Escrito por Clóvismoliveira às 09:49 AM
[] [envie esta mensagem] []





Folha Online
Nasa anuncia sucesso ao espatifar sondas na Lua em busca de água
Com Associated Press
Satélite Lcross da Nasa, que vai realizar impacto na cratera Cabeus da Lua, em missão de exploração por água
Satélite Lcross da Nasa, que realizou impacto na cratera Cabeus da Lua, em missão de exploração por água

A Nasa (agência espacial norte-americana) anunciou sucesso ao espatifar duas sondas no polo Sul da Lua, cujo objetivo era encontrar água que estivesse escondida, mas sem as prometidas fotos ao vivo.

Primeiro, um casco vazio de foguete, com peso de 2,2 toneladas, pousou no polo Sul da Lua às 8h31. Quatro minutos depois a sonda com câmera deu seu mergulho mortal.

A menor sonda tinha cinco câmeras e outros quatro instrumentos científicos, e a Nasa tinha anunciado transmissão ao vivo em seu site. Mas essas imagens não foram veiculadas. Oficiais da agência disseram que têm certeza de que as duas sondas se espatifaram, e estão investigando o que exatamente aconteceu com as fotos.

As colisões intencionais espalhariam quilômetros de poeira lunar, segundo expectativa da Nasa --o objetivo era analisar a nuvem de poeira levantada, e procurar por vapor d'água nela.

A sonda espacial é chamada LCROSS, abreviação para Satélite de Sensoriamento e Observação das Crateras Lunares.



 Escrito por Clóvismoliveira às 09:42 AM
[] [envie esta mensagem] []




 

BBC Brasil

Neto de Stalin processa jornal por difamar seu avô

Joseph Stalin

Documentos liberados pela KGB têm assinatura de Stalin autorizando execuções

O neto do ex-líder soviético Joseph Stalin abriu um processo nos tribunais russos contra um jornal liberal que ele acusa de difamar seu avô.

Yevgeny Dzhugashvilli disse que um artigo na publicação Novaya Gazeta dizendo que Stalin ordenou pessoalmente as execuções de cidadãos soviéticos é uma mentira.

Segundo o correspondente da BBC em Moscou, o caso é o mais recente desdobramento em uma campanha do Kremlin para restaurar a imagem do líder soviético.

Um novo livro de história para alunos das escolas do país descreve Stalin como um administrador eficiente que liderou a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

Falando à BBC, o professor de História Orlando Feges, da Universidade de Birkbeck, em Londres, disse que o caso é bizarro, já que há vários documentos comprovando o envolvimento de Stalin nas execuções.

"Não entendo por que o tribunal aceitou seguir adiante com o processo", disse Feges.

"Desde 1991, centenas de documentos dos arquivos da KGB sobre o assunto foram liberados e publicados".

"Alguns contêm a assinatura de Stalin autorizando as execuções", acrescentou.

Segundo o historiador, é fato estabelecido que Stalin foi pessoalmente responsável por pelo menos dez mil execuções.

Propaganda

Por trás de processos como esse estaria um movimento iniciado por Putin há cerca de cinco ou seis anos para encorajar o povo russo a não sentir vergonha, mas orgulho, do herói de guerra Joseph Stalin.

"O movimento tem o apoio dos meios de comunicação de massa, que são controlados pelo Kremlin", disse Feges.

"Ele vem de cima mas ressoa entre o povo russo, que prefere buscar conforto nos mitos do passado, aprendidos nas escolas soviéticas, e evitar a escuridão e opressão da era Stalin".

O historiador lembrou que recentemente, na Rússia, Stalin obteve o terceiro lugar em uma pesquisa de opinião para eleger os grandes russos de todos os tempos.

"Há rumores de que Stalin teria na verdade ficado em primeiro lugar, mas para evitar embaraços, o resultado teria sido alterado", disse o historiador.



 Escrito por Clóvismoliveira às 04:07 PM
[] [envie esta mensagem] []




Serra sanciona lei que determina hora de entrega
Bruna Gavioli

No momento da compra, o consumidor tem de saber o dia e hora da entrega

O governador José Serra sancionou uma lei que obriga os fornecedores paulistas a fixar data e turno para serviços ou entrega de produtos. A partir de agora, no momento da compra, o consumidor tem de saber, além do dia, o período da entrega. Ou seja, a nova regra estabelece três turnos: no período da manhã (das 7h as 12h), da tarde (12h as 18h), ou ainda, o da noite (18h as 23h).

O serviço deve respeitar as legislações municipais, que podem restringir determinados horários. Se o consumidor não receber o produto no endereço, data e turno combinados, ele deve procurar o Procon.

Em entrevista à JP, a advogada da Pro Teste, Tatiana Queiroz revelou que os consumidores estão reféns dessas empresas e esta lei é uma grande vitória para os consumidores que utilizam este tipo de serviço. Ela ressaltou ainda que o trânsito não será mais desculpa, já que uma vez que o serviço for contratado, ele terá que ser entregue no período regulamentado.

Em relação as reclamações, Tatiana afirmou que as empresas não respeitam o consumidor neste aspecto e a fiscalização vai ocorrer principalmente a partir da denúncia do consumidor. A advogada explicou ainda, que os fornecedores podem ser multados de acordo com as normas do Código de Defesa. O valor pode variar de R$ 212,81 até R$ 3.192.300, conforme a gravidade da infração. A lei, aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo, já foi sancionada pelo governador José Serra.



 Escrito por Clóvismoliveira às 04:04 PM
[] [envie esta mensagem] []




Der Spiegel
Blair será o primeiro presidente da Europa?
Carsten Volkery
Bertrand Guay/AFP
Tony Blair é tido como o candidato favorito para se tornar o primeiro presidente da União Europeia
Depois do "sim" da Irlanda ao Tratado de Lisboa, muitos britânicos veem o ex-primeiro ministro Tony Blair como o candidato favorito para se tornar o primeiro presidente da União Europeia. Mas sua nomeação está longe de ser certa. Há dúvidas profundas em toda a UE quanto a entregar seu cargo mais alto para o velho amigo de George W. Bush.

"Um fantasma ronda a Europa", escreveu o prefeito de Londres, Boris Johnson, em sua coluna no "Daily Telegraph" nesta semana. Mas o texto logo interrompeu a citação ao "Manifesto Comunista". "O fantasma tem um famoso sorriso dentuço" e "um dom quase diabólico de se reinventar politicamente".

Johnson, é claro, estava se referindo a Tony Blair, primeiro-ministro britânico de 1997 a 2007 e inimigo favorito dos conservadores britânicos. O eleitorado, escreveu Johnson, pensou que havia "finalmente se livrado do cara", apenas para vê-lo retornar como um "tipo de euroimperador" a bordo do "Blair Force One Jumbo Jet".
A maior parte dos veículos da imprensa britânica, quer gostem ou odeiem a ideia, veem como uma conclusão inevitável que Tony Blair se torne o primeiro presidente da União Europeia, uma posição estabelecida pelo Tratado de Lisboa, que deve em breve se livrar dos últimos obstáculos para sua ratificação. "Tony poderá ser nomeado no final de outubro", disse o tablóide "Sun" na semana passada, citando uma fonte anônima do governo. O "Observer" também se referiu a Blair como o "claro favorito".

Blair, de 56 anos, ainda precisa anunciar sua candidatura ao cargo. De fato, ele provavelmente não o fará até que esteja confiante de que será escolhido. Ainda assim, o governo Trabalhista do primeiro-ministro Gordon Brown lançou seu apoio a Blair. O ex-primeiro-ministro seria uma "excelente escolha", disse o secretário de Exterior David Miliband. Em Bruxelas seu nome também tem sido discutido.

Obstáculos importantes
Ainda assim, apesar do movimento que o anúncio de sua candidatura já gerou, nem todos estão satisfeitos com a perspectiva de Blair se tornar presidente - nem no continente, nem na própria Grã-Bretanha.

Primeiro, porque Blair vem de um dos maiores países da União Europeia, um fato que não o torna atraente para os pequenos Estados membros da UE. Quando o cargo foi criado, disse o primeiro-ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker ao "Financial Times Deutschland", havia "uma compreensão informal de que o primeiro presidente da UE não poderia vir de um dos grandes países".

Além disso, conforme gostam de ressaltar os entusiastas da UE, Blair vem de um dos países mais céticos em relação a UE entre os 27 membros do clube. A Grã-Bretanha não é nem mesmo integrante da eurozona de moeda unificada, nem faz parte do Acordo de Shengen que garante o deslocamento sem fronteiras na maior parte da Europa. Além disso, Blair lutou com unhas e dentes para manter o British Rebate, uma fração do orçamento da UE que é paga anualmente para o Reino Unido porque o país se beneficia relativamente pouco com os subsídios agrícolas da UE. Juncker argumentou que o presidente da UE precisa de um "perfil mais europeu". É um argumento que tem seguidores também na Alemanha.

Por fim, Blair perdeu credibilidade diante dos olhos de muitos europeus ao oferecer seu apoio, e suas tropas, à invasão norte-americana no Iraque. Alguém que manipulou o público em relação à existência de armas de destruição em massa no Iraque não deveria poder falar pela UE, disse um diplomata alemão, que pediu para não ser identificado.

Logo após a Irlanda ter aprovado o Tratado de Lisboa no referendo da última sexta-feira, os rumores circularam mais rápido do que nunca. O "Sun" prevê que Blair assuma o cargo por dois mandatos e já calculou o salário do futuro presidente. O jornal também informou que a mulher de Blair, Cherie, já foi apelidada de "Cherie Antoinette" em Bruxelas.

Mas fora os governos britânico e irlandês, nenhum outro Estado-membro da UE apoiou Blair abertamente. Há rumores de que o presidente francês Nicolas Sarkozy o apoie, e ele deu vários sinais positivos durante os últimos anos. Mas neste verão também foi dito que Srakozy, na verdade, preferiria Felipe Gonzalez, o ex-primeiro-ministro espanhol.

A mídia britânica pinta a chanceler Angela Merkel como a principal oponente a uma eventual presidência de Blair - uma opinião que espantou Berlim. Merkel, dizem funcionários do governo, não dificultaria o caminho de Blair se ele se tornasse o candidato de consenso. Outros, entretanto, sugeriram que o presidente da UE deveria ser selecionado entre os chefes de Estado atualmente ativos. Um rumor persistente diz que Merkel prefere Jan-Peter Balkenende, o primeiro-ministro da Holanda, a Blair. Ele vem de um pequeno país e de um dos primeiros Estados-membro da UE - e não incomoda o fato de ele ser, assim como Merkel, um conservador.

Dezembro é tempo de decisão
Oficialmente, o cargo ainda não se tornou tema de negociação - primeiro, o tratado precisa ser ratificado pela Polônia e pela República Tcheca. O presidente polonês Lech Kaczynski deve assiná-lo nos próximos dias. O presidente tcheco Vaclav Klaus, por sua vez, deve esperar mais algumas semanas por conta de uma decisão pendente no tribunal e sua própria antipatia à UE.

Assim, parece pouco provável que um candidato seja selecionado antes da próxima reunião da UE em Bruxelas no final do mês. O primeiro-ministro sueco Frederik Reinfeldt, atual presidente rotativo da EU, acredita que não haverá nenhuma decisão até dezembro.

O maior trunfo de Balir é que ele é uma estrela no cenário mundial. Outros, como Balkenende, Gonzalez ou o ex-primeiro-ministro finlandês Paavo Lipponen, correriam o risco de serem vistos como pesos-leve - já Blair nunca pareceria fora de lugar perto do presidente Barack Obama e do primeiro-ministro russo Vladimir Putin.

A questão continua sendo se Blair pode se livrar de sua imagem de "poodle de Bush". Mesmo os britânicos não parecem muito entusiasmados com a perspectiva de ter seu ex-primeiro-ministro de volta em cena. De acordo com uma pesquisa recente publicada pelo "The Times", 53% dos entrevistados não queriam que Blair se tornasse presidente da UE, enquanto outros 43% eram a favor.

Questionados se a presidência de Blair na UE seria vantajosa para os britânicos, 30% votaram sim. Vinte por cento disseram que ela não seria boa. O maior grupo (49%), entretanto, acreditava que não faria nenhuma diferença.

Os conservadores, que de acordo com pesquisas recentes devem ganhar as eleições gerais britânicas no ano que vem, estão particularmente preocupados. Eles consideram terrível a perspectiva de que David Cameron, enquanto novo primeiro-ministro conservador, tenha que dividir o palco europeu com o ex-garoto dourado do Partido Trabalhista. "Blair sempre parece estar no bote salva vidas quando o barco afunda", lamentou o colunista conservador do "Times" William Rees-Mogg.

Mas Boris Johnson, que trabalhou como jornalista em Bruxelas e, portanto, conhece bem os mecanismos da UE, deu esperança a seus aliados de partido. Ele apostou cinco libras (R$ 14) que Blair não se tornará presidente da UE. Ele escreveu que a UE preferiria o "socialista relativamente inofensivo de Luxemburgo ou o ultrapassado ministro do meio-ambiente finlandês".

Tradução: Eloise De Vylder


 Escrito por Clóvismoliveira às 03:51 PM
[] [envie esta mensagem] []




The New York Times
Nas raízes da primeira dama, um caminho complexo desde a escravatura

Rachel L. Swarns e Jodi Kantor
em Washington
Obama Campaign 2008/The New York Times

Fraser Robinson III posa para a foto com sua mulher, Marian, e os filhos Craig e Michelle,
hoje primeira-dama dos EUA, Michelle Obama
Em 1850, um idoso da Carolina do Sul pegou a caneta na mão e dolorosamente dividiu suas posses. Entre as rocas, foices, toalhas de mesa e cabeças de gado que ele deixou aos seus herdeiros distantes havia uma escrava de 6 anos, avaliada em US$ 475.
No testamento, ela era descrita simplesmente como a "menina negra Melvinia". Após sua morte, ela foi arrancada dos locais e pessoas que conhecia e enviada para a Geórgia. Enquanto ainda era adolescente, um homem branco foi pai de seu primeiro filho, sob circunstâncias perdidas com a passagem do tempo.
Nos anais da escravatura americana, esta história dura não seria digna de nota salvo por uma razão: esta união, consumada dois anos antes da guerra civil, marcou as origens de uma linhagem familiar que se estenderia da Geórgia rural para Birmingham, Alabama, Chicago e, finalmente, até a Casa Branca.

Melvinia Shields, a jovem escrava analfabeta, e o homem branco desconhecido que a engravidou são pais do tataravô de Michelle Obama, a primeira-dama.

Consideradas por muitos como símbolo poderoso do avanço dos negros, Obama tinha apenas uma vaga noção de seus ancestrais, dizem seus assessores e parentes. Durante a campanha presidencial, a família descobriu um tataravô paterno, um antigo escravo da Carolina do Sul, mas o resto das raízes de Obama continuava desconhecido.

A história recém descoberta dos ancestrais maternos de Obama -a mãe escrava, o pai branco e seu filho Dolphus T. Shields- pela primeira vez conecta plenamente a primeira primeira-dama afro-americana à escravidão, traçando sua viagem de cinco gerações dos grilhões para a primeira fileira da presidência. As descobertas -feitas pela genealogista Megan Smolenyak e pelo "New York Times"- substanciam o que Obama chamou de rumores antigos de família sobre um antepassado branco.

Enquanto a origem bi-racial do presidente Barack Obama atraiu atenção considerável, o pedigree da sua mulher, que inclui ramos de índios americanos, ressalta a complicada história de miscigenação, algumas vezes nascida de violência ou coerção, existente nas linhas de muitos afro-americanos. Obama e sua família se recusaram a tecer comentários para este artigo, em parte por causa da natureza pessoal do assunto, segundo seus assessores.

"Ela representa como evoluímos e quem somos", disse Edward Ball, historiador que descobriu que tinha parentes negros -descendentes de seus ancestrais brancos proprietários de escravos- quando pesquisou para seu livro de memórias "Slaves in the Family" (escravos na família).

"Não somos tribos separadas de latinos e brancos e negros nos EUA", disse Ball. "Somos misturados há gerações."

Os contornos da história da família de Obama saíram de registros de testamentos do século 19, licenças de casamento amareladas, fotografias apagadas e as memórias de idosas que se lembravam da família. Das dezenas de parentes identificados, foi a menina escrava que mais chamou a atenção, disse Smolenyak.

"De todas as raízes de Michelle, Melvinia estava gritando para ser encontrada", disse ela.

Quando seu proprietário, David Patterson, morreu em 1852, Melvinia se viu em uma fazenda de 80 alqueires com novos patrões, a filha e o genro de Patterson, Christianne e Henry Shields. Era um mundo estranho e pouco familiar.

Na Carolina do Sul, ela morava em uma terra com 21 escravos. Na Geórgia, era uma de apenas três escravos na propriedade, que atualmente faz parte de uma subdivisão na cidade de Rex, perto de Atlanta.

Se Melvinia trabalhava dentro da casa ou nos campos, não faltava de trabalho: trigo, milho, batata doce e algodão para plantar e colher, três cavalos, cinco vacas, 17 porcos e 20 carneiros para cuidar, de acordo com uma pesquisa de 1860.

É difícil dizer quem pode ter engravidado Melvinia, que deu a luz a Dolphus em torno de 1859, com cerca de 15 anos. Na época, Henry Shields estava com quase 50 anos e tinha quatro filhos de 19 a 24 anos, mas outros homens talvez também passassem tempo na fazenda.

"Ninguém ficaria surpreso em saber do alto número de estupros e da exploração sexual que ocorria na escravidão; era uma experiência diária. Contudo, descobrimos que alguns desses relacionamentos eram muito complexos", disse Jason A. Gillmer, professor de direito da Universidade Wesleyan no Texas, que pesquisou as ligações entre proprietários de escravos e escravos.
Birmingham Public Library/The New York Times

Casa de Dolphus Shields, em Birmingham, no Alabama. A árvore genealógica da família de Obama destaca a complicada mistura racial entre muitos americanos com origem africana

Em 1870, três dos quatro filhos de Melvinia, inclusive Dolphus, foram listados no censo como mulatos. Um nasceu quatro anos após a emancipação, sugerindo que a ligação que produziu esses filhos continuou após a escravidão. Ela deu aos seus filhos o nome de Shields, talvez sugerindo sua paternidade ou simplesmente pelo costume de ex-escravos de adotarem o nome de seus patrões.

Mesmo após ter sido libertada, Melvinia continuou no local, trabalhando na fazenda adjacente à de Charles Shields, um dos filhos de Henry.

Mas em algum momento de seus 30 ou 40 anos, Melvinia conseguiu partir e se reunir com ex-escravos de sua infância na fazenda de Patterson: Mariah e Bolus Easley, que se estabeleceram em Bartow Country com Melvinia, perto da fronteira do Alabama. Dolphus se casou com uma das filhas de Easley, Alice, que é tataravó de Michelle Obama.

Uma comunidade "despedaçada, de alguma forma, estava se reunindo", disse Smolenyak do grupo em Bartow County.

Melvinia parece ter vivido com o legado não resolvido de sua infância em escravidão. Seu certificado de óbito de 1938 assinado por um parente diz "não sei" no espaço para os nomes dos pais, sugerindo que Melvinia talvez nunca tenha sabido.

Em algum momento antes de 1888, Dolphus e Alice Shields continuaram a migração, dirigindo-se para Birmingham, uma cidade com linha de trem, ferro, minas e fábricas, que atraía ex-escravos e seus filhos do Sul.

Dolphus Shields tinha 30 e poucos anos e pele muito clara -alguns diziam que parecia branco- era carpinteiro, sabia ler e escrever, frequentava a igreja e progredia em uma cidade que se industrializava. Em 1900, ele era proprietário de sua casa, segundo o censo. Em 1911, ele abriu sua própria marcenaria e empresa de afiar ferramentas.

Ele foi co-fundador da Igreja Batista Trinity, foi ativo no movimento de direitos civis, supervisionava escolas dominicais na Trinity e na First Ebenezer, que ainda existem hoje, e na Igreja Bastista Missionária Regular.

"Foi reitor dos diáconos em Birmingham. Era um homem sério, era um executivo", disse Helen Heath, 88, que frequentava a mesma igreja.

Sua família ingressou na classe trabalhadora, morando em um bairro segregado de negros em dificuldades, proprietários ou locatários. Em sua casa, não se podia fumar, praguejar, mascar chiclete, usar batom ou calças para as mulheres e absolutamente não se podia ouvir blues no rádio, que ele reservava para os cânticos de igreja, lembra-se Bobbie Holt, 73, que foi criada pelos Shields e sua quarta esposa, Lucy. Ela disse que a família ia à igreja "todas as noites da semana, parecia".

Ele carregava mentas para as crianças do bairro, disse Holt, e contava histórias engraçadas sobre suas aventuras de menino. Mas a família passava por dificuldades.

Sua primeira mulher, Alice Easley Shields, mudou-se depois que eles se separaram, trabalhando como costureira e empregada doméstica e dois de seus filhos tiveram problemas.

Robert Lee Shields, um inventor cujas patentes para melhorar as operações de lavagem a seco estão na biblioteca de Birmingham, terminou trabalhando como rapaz de manutenção, disse Holt.

Dolphus Shields não falava de suas origens.

"Chegamos a um ponto no qual não queríamos que ninguém soubesse que conhecemos escravos; as pessoas não queriam falar sobre isso", disse Heath, que assumiu que ele tinha parentes brancos porque a cor de sua pele e a textura de seu cabelo "diziam que era quase branco".

Em uma época em que negros se desesperavam com a intransigência e a violência dos brancos que os proibiam de votar, os excluíam da maior parte dos trabalhos, dos restaurantes e de terem propriedades em bairros brancos, Dolphus Shields servia como raro elo entre as comunidades profundamente divididas.

Sua marcenaria ficava na parte branca da cidade e ele se misturava facilmente e frequentemente com brancos. "Eles vinham à sua loja, sentavam e conversavam", disse Holt.

Dolphus Shields acreditava que as relações raciais iam melhorar. "Algum dia vai melhorar", dizia, conta Holt.

Quando morreu aos 91 anos, em 1950, a mudança estava a caminho.

No dia 9 de junho de 1959, quando seu obituário apareceu na página da frente do "Birmingham World", o jornal negro também dizia "Tribunal Proíbe Segregação em Lanchonetes e em Educação Superior". A Suprema Corte tinha proibido acomodações separadas em vagões de trem e em universidades no Texas e Oklahoma.

No norte, seu neto, um pintor chamado Purnell Shields, avô de Obama, estava buscando maiores oportunidades em Chicago com sua família.

Na medida em que avançaram, os descendentes perderam contato com o passado. Hoje, Dolphus Shields está em um cemitério negro negligenciado, onde o gramado cresce na altura do joelho e muitos túmulos estão destruídos.

Holt, assistente de enfermagem aposentada, disse que ele apareceu para ela em um sonho no mês passado. Ela procurou a fotografia dele, jamais imaginando que logo ia descobrir que Dolphus Shields era tataravô da primeira dama.

"Meu Deus", disse Holt, ao saber da notícia. "Sempre o admirei, mas nunca teria imaginado algo assim. Benza a Deus, progredimos muito."

Tradução: Deborah Weinberg


 Escrito por Clóvismoliveira às 09:40 AM
[] [envie esta mensagem] []






 

 

 

Josias de Souza - Nos bastidores do poder

Lula age para isolar Ciro e empurrá-lo para São Paulo

  José Cruz/ABr
Lula reservou para Ciro Gomes dois caminhos: ou se candidata ao governo de São Paulo ou terá o seu fio desligado da tomada.

 

Para cortar a corrente elétrica do candidato do PSB, o presidente isola-o, obstruindo-lhe o acesso a pretensos aliados.

 

Ciro imaginara que poderia equipar sua suposta candidatura presidencial com o tempo de TV de três legendas: o seu PSB, o PDT e o PCdoB.

 

A hipótese de uma adesão do PDT ao Ciro-2010 foi jantada na noite de terça (6). Deu-se num repasto servido pela candidata do PT, Dilma Rousseff.

 

A pretendida solidariedade do PCdoB será cortada nos próximos dias. Assediada pelos operadores políticos de Lula, a legenda já se inclina para Dilma.

 

A prioridade atribuída ao PDT não foi casual. Dilma acercou-se da legenda sob orientação de Lula.

 

Antes de viajar a Copenhague, o presidente tratara de preparar o terreno. Conversara com o ministro Carlos Lupi (Trabalho), presidente licenciado do PDT.

 

Lupi frequentava o noticiário como candidato a vice de Ciro. Lula interveio antes que o balão de ensaio ganhasse altura.

 

Na noite passada, de volta a Brasília, o presidente foi informado acerca do resultado do jantar que Dilma oferecera a Lupi e a congressistas do PDT.

 

Soube que um pedaço do PDT defende uma composição rápida com Dilma. Outro naco, majoritário, quer negociar melhor a aliança com Dilma. Nem sinal de Ciro.

 

Ao deflagrar a operação “desliga Ciro”, Lula precipitou a articulação para compor o bloco partidário que deseja ver orbitando ao redor de Dilma.

 

Afora o PDT e o PCdoB, tenta-se amarrar o PRB, o PP e o PR. Embora integrem o consórcio governista, PV e PTB foram excluídos da lista.

 

O PV, como se sabe, vai a 2010 com Marina Silva (AC). Sob a presidência do deputado cassado Roberto Jefferson, o PTB é visto como caso perdido.

 

Há, de resto, o PMDB. Sócio majoritário da aliança, o partido reclama a formalização pública da parceria. Coisa pra ontem. Será atendido.

 

Lula pretende receber, na próxima semana, uma delegação do PMDB, chefiada pelo presidente da Câmara, Michel Temer. Na semana seguinte, o noivado será oficializado.

 

Ficará entendido o que já é consabido: o vice de Dilma será um peemedebista. A definição do nome fica para mais tarde. Temer não é a única cogitação de Lula.

 

No jantar em que delegou a Temer a incumbência de requerer o encontro com Lula, a cúpula do PMDB analisou o embate Ciro versus Dilma.

 

O deputado Jader Barbalho, Dilma desde menino, disse que, para deter o avanço de Ciro nas pesquisas, a candidata do PT precisa produzir fatos positivos.

 

Nada mais positivo, na opinião de Jader, do que a associação imediata com o PMDB. O ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) concordou.

 

Foi à roda a tese de que Ciro inviabilizou-se como candidato ao Planalto ao levar o seu título de eleitor para passear em São Paulo.

 

O presidente do Senado, José Sarney, discordou. Avalia que, ao ceder ao pedido de Lula, convertendo-se em candidato multiuso, Ciro tonificou sua presença na mídia.

 

Algo que pode render-lhe uma sobrevida nas sondagens eleitorais. A depender de Lula, o tempo de vida do projeto nacional de Ciro será breve.



 Escrito por Clóvismoliveira às 09:20 AM
[] [envie esta mensagem] []





 

 

 

Lula convoca 17 ministros para discutir Consolidação das Leis Sociais

Paulo de Tarso Lyra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza hoje a primeira reunião com os ministros da área social para discutir a unificação de todos os programas em uma única lei, a Consolidação das Leis Sociais (CLS). A ideia é repetir a mesma fórmula adotada pelo presidente Getúlio Vargas ao criar a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Mais do que criar um arcabouço jurídico, Lula quer montar um discurso social para a campanha presidencial da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff.

Lula pretende enviar a CLS para o Congresso ainda este ano ou, no mais tardar, no início de 2010. Auxiliares do presidente sabem que no ano que vem o Congresso Nacional trabalhará menos do que nos anos anteriores. A partir de abril começam as convenções partidárias e, em julho, deflagra-se oficialmente as campanhas políticas. Não há garantias, com isto, que a CLS seja votada a tempo. "Não tem problema. Este assunto estará na pauta da campanha a presidente e cada um dos candidatos terá que explicitar suas posições", afirmou um ministro, "da mesma forma como o segundo turno de 2006 foi marcado pelo debate sobre as privatizações".

A pressa é tanta que surpreendeu assessores e ministros. A previsão inicial era que a reunião acontecesse no fim de outubro. Lula antecipou-a para sexta-feira, adiando a viagem de pelo menos dois ministros - Fernando Haddad (Educação) e Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres). No fim da tarde de ontem, nova antecipação: a reunião foi transferida para hoje, com a presença de 17 ministros, entre eles o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, que está oficialmente de férias desde segunda-feira até o dia 17 de outubro.

O encontro servirá também para uma avaliação dos dados recentes do Programa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad). A exposição ficará a cargo do economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros. Segundo um assessor do governo, Paes de Barros mostrará que o ritmo de recuperação da economia brasileira foi mais contundente nas camadas mais pobres da população. "Marcelo Néry, da Fundação Getúlio Vargas, tem dito em conversas internas que o crescimento das classes C, D e E tem sido chinês", explica um assessor do presidente.

Um ministro com livre trânsito no gabinete do presidente Lula declarou que a ideia do governo ao reunir todos os programas sociais em uma única lei - ou tornar legal aqueles que estão amparados apenas por decretos e potarias - é deixar na legislação as linhas gerais de todos os programas, para que o sucessor de Lula não mexa nos programas sociais. "Durante a campanha, o candidato tucano terá que assumir publicamente este compromisso", afirmou o ministro. "Isto já está acontecendo. O PSDB mudou o discurso de ataque ao Bolsa Família porque percebeu que isto perde voto", declarou um auxiliar do presidente.

Por enquanto, o trabalho, incipiente, está centrado no Ministério da Justiça e na Advocacia Geral da União, encarregados de levantar quais programas estão expressos em lei e quais estão sem nenhum amparo legal. A segunda etapa deste trabalho ainda é uma incógnita, uma vez que não existe um ministério que centralize todas as ações sociais do Executivo. "Pelo organograma do governo, a única Pasta com ascendência sobre as demais é a Casa Civil. Mas Dilma não poderá acumular mais tarefas do que já exerce", afirmou um auxiliar governista.

Rompimento com Aécio indica tendência a aliança com PT mineiro

César Felício

Os 8 deputados estaduais do PMDB mineiro constituíram ontem oficialmente um bloco de oposição ao governador Aécio Neves (PSDB) com os 11 deputados do PT e do PCdoB. O bloco não necessariamente irá diminuir a facilidade com que Aécio faz transitar suas propostas na Assembleia Legislativa, já que o governador permanece com uma base de apoio de 58 dos 77 deputados estaduais, mas fortalece a corrente pemedebista que defende a aliança com os petistas na eleição do próximo ano.

"Estamos sinalizando a disposição de marchar juntos nas eleições de 2010. Aqui poderá ser a "avant première" da decisão nacional do PMDB", afirmou o deputado pemedebista Sávio Souza Cruz. Antes da formalização do bloco, os deputados do PMDB estiveram com os dois pré-candidatos ao governo estadual do PT, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Mas ainda não estiveram com o pré-candidato do próprio partido, o ministro das Comunicações, Hélio Costa. "Estaremos com ele brevemente. Falta apenas acertar a agenda", justificou o líder da bancada, Vanderlei Miranda.

Os deputados do PMDB na Assembleia Legislativa estão alinhados com a candidatura à presidência regional da sigla de Adalclever Lopes, um dos integrantes da bancada. Hélio Costa apoia a candidatura do deputado federal Antonio Andrade, que não descarta a possibilidade de uma composição em 2010 com o PSDB de Aécio, caso o PT não aceite se aliar em torno de uma chapa encabeçada pelo pemedebista.

Os próprios petistas tomam o cuidado para que o novo bloco não seja visto por Hélio Costa como uma manobra contra a sua possível candidatura. "Estive na semana passada com Hélio Costa. Ele não quer rolo compressor, quer um diálogo, em que como critério para a escolha de candidato seja cruzada a intenção de votos na pesquisa com sondagens qualitativas e avaliação de possibilidade de crescimento e rejeição", afirmou o deputado estadual Durval Ângelo, mais próximo a Pimentel.

A oposição a Aécio que o novo bloco fará está longe de ser radical. Ontem mesmo, pela manhã, os deputados petistas e do PCdoB estiveram com o vice-governador Antonio Junho Anastasia, que está exercendo o governo na ausência de Aécio, em viagem ao exterior, e que é o mais provável candidato governista à sucessão estadual em 2010. Segundo os petistas, a bancada pediu informações sobre um empréstimo que o governo mineiro está pleiteando junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento e discutiram a tramitação do Orçamento. Mas os deputados do bloco afirmaram que não haverá novos movimentos isolados. " Este bloco agora enfraquece qualquer iniciativa individual ou isolada. As negociações serão feitas em conjunto", afirmou Ângelo.



 Escrito por Clóvismoliveira às 09:00 AM
[] [envie esta mensagem] []




 

 

 

Ciro diz que Serra joga no "tapetão"

Em SP, governador diz que nunca ouviu falar da ideia de tirar mandato de deputado em razão de mudança de domicílio

Advogado do PSDB afirmou que transferência deixa o CE com um deputado a menos; pré-candidato do PSB diz que argumentação é "disparate"

Deputado federal e pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PSB-SP) criticou ontem o governador de São Paulo e também pré-candidato, José Serra, pelo fato de o PSDB estudar uma maneira de retirar seu mandato na Câmara dos Deputados.
Ciro classificou a intenção do PSDB como "um disparate" e "patética". E disse ainda: "Isso revela como o Serra gosta de enfrentar os seus adversários nas eleições, sempre no tapetão". Questionado se ele achava que essa era uma ideia do próprio governador, respondeu ironicamente: "Não, o Serra não tem nada a ver com isso, aliás, ele nunca tem". O deputado também disse acreditar que a pretensão tucana "não vai dar em nada".
Em São Paulo, Serra disse que "nunca ouviu falar" da proposta do PSDB de tentar suspender o mandato de Ciro e que é contra a ideia.
"Acho que é fofoca", disse Serra. "Acho que não é necessário. Nunca ouvi falar disso, também não seria a favor. Deixa todo mundo que quiser ser candidato, que quiser falar, mudar domicílio, não mudar. Que cada um faça o que bem entenda a esse respeito", afirmou o governador paulista.
Segundo reportagem da Folha de ontem, a tese sustentada pelo advogado Ricardo Penteado -responsável pela assessoria jurídica de campanhas do PSDB- é a de que Ciro está sujeito a perder o mandato por ter transferido o seu título eleitoral do Ceará para São Paulo.
Para os tucanos, o Estado do Ceará, que elegeu o deputado, perdeu um representante, passando de 22 para 21 deputados. Pela tese, Ciro poderia disputar o governo de São Paulo, mas sem o mandato na Câmara. A intenção é explorar o assunto, ao menos para indispor Ciro com o eleitorado do Ceará.
Essa é a segunda vez em poucos dias que Ciro ataca o seu desafeto político José Serra. Há alguns dias, o deputado disse que o governador "era feio para caramba, mais feio na alma do que no rosto".
Ontem, ao ser questionado sobre a decisão do PT paulista de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e construir uma candidatura própria ao governo de São Paulo para 2010, Ciro não quis responder.
(MARIA CLARA CABRAL E FERNANDO BARROS DE MELLO)

Congresso tem mais amigos do que se imagina, diz Lula

Ao sancionar a nova Lei Orgânica da Defensoria Pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa de congressistas denunciados. Disse que no Senado e na Câmara existem mais "amigos" do que se imagina.
"Às vezes, a gente fala mal da Câmara e do Senado, mas, sempre que tem um projeto de interesse público, eles sempre têm ajudado. Muitas vezes, a gente vê uma denúncia qualquer e a gente já passa a julgar todo deputado e senador como bandido, quando, no fundo no fundo, na hora que a gente precisa e a gente se organiza, a gente percebe que as coisas acontecem". E continuou: "É importante saber que lá dentro tem mais amigos do que vocês imaginam".
Disse que só os ricos têm acesso à Justiça no Brasil e afirmou que a nova lei vai possibilitar o acesso da população carente a advogados.
"Na verdade o que ganhamos foi o direito de sermos contemplados com a Justiça. Ela não é privilegio dos ricos, ela também tem que ser dos pobres. Democracia só é democracia quando todos têm os mesmos direitos", disse.

GOVERNO SEGURA RESTITUIÇÃO DO IR

LEONARDO SOUZA

SEM CAIXA, GOVERNO SEGURA RESTITUIÇÕES

O governo federal começou a atrasar o pagamento das restituições do Imposto de Renda das pessoas físicas, na maioria trabalhadores de classe média, para compensar parte da queda na arrecadação de tributos no ano. A ordem foi dada à Receita pelo Ministério da Fazenda.

De R$ 15 bilhões que seriam devolvidos até dezembro, cerca de R$ 3 bilhões só devem sair no primeiro trimestre de 2010. De junho a outubro, já houve redução de 21,7% nas restituições.

Fazenda manda Receita adiar parte das restituições de IR para 2010 após alerta do Tesouro por causa da queda na arrecadação

Dos cerca de R$ 15 bilhões previstos para serem restituídos até dezembro, R$ 3 bilhões só deverão ser liberados no ano que vem


O governo federal começou a atrasar o pagamento das restituições do Imposto de Renda das pessoas físicas, em sua grande maioria trabalhadores da classe média, para compensar parte da queda de arrecadação de tributos neste ano. A ordem foi dada à Receita Federal pelo Ministério da Fazenda.
De aproximadamente R$ 15 bilhões que seriam inicialmente devolvidos até dezembro, cerca de R$ 3 bilhões só deverão ser liberados no primeiro trimestre do ano que vem.
Segundo a Folha apurou, a decisão foi informada à cúpula do fisco, no final de maio, pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, depois de um pedido do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
A Folha conversou por telefone com Augustin na manhã de ontem, mas, ao ser informado do assunto, ele pediu para que a assessoria da Fazenda fosse acionada. Apesar dos reiterados pedidos de esclarecimento feitos pela reportagem, o ministério não ligou de volta até o fechamento desta edição.
O artifício de retardar as devoluções do IR foi posto em prática rapidamente. De junho a outubro houve um recuo de 21,7% nas restituições em comparação com igual período do ano passado -de R$ 7 bilhões para R$ 5,48 bilhões. As maiores reduções foram em agosto e setembro, quando os valores devolvidos aos contribuintes foram diminuídos a menos da metade dos números de 2008.
Ontem foi liberado mais um lote de restituição, com redução de 20% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A devolução do IR se dá quando o contribuinte paga mais imposto do que devia, gerando um saldo a ser recebido do governo. As restituições são feitas de junho a dezembro, com as devoluções referentes às declarações retidas em malha fina podendo ser estendidas para os anos subsequentes.
Esta é a segunda medida adotada pela Receita neste ano relacionada à restituição do IR. Conforme a Folha publicou anteontem, também para elevar a arrecadação, o fisco apertou o cerco contra fraudes praticadas pela classe média.

Contas não fecham
Depois de quatro meses seguidos de queda na arrecadação de impostos, provocada principalmente pela crise global, o Tesouro percebeu que as contas do governo não fechariam neste ano se nada fosse feito.
Em maio, o presidente Lula assinou um decreto de revisão de arrecadação (excluindo-se receitas previdenciárias) com R$ 49 bilhões a menos do que a estimativa enviada ao Congresso no ano passado -de R$ 522 bilhões para R$ 473 bilhões.
Em junho, diante dos valores efetivamente cobrados pelo fisco até então, a projeção da arrecadação feita pela Receita para o ano ficou ainda menor -de R$ 465,78 bilhões.
Segundo documento interno do fisco obtido pela Folha, em julho os auditores foram obrigados a fazer um novo cálculo do recolhimento de tributos para 2009, jogando mais para baixo ainda a previsão: R$ 446,7 bilhões.
Naquele mesmo mês, o Tesouro solicitou à Receita uma arrecadação com R$ 19 bilhões a mais do que a estimativa então feita pelo órgão. Sem esse dinheiro, pela análise do Tesouro, as contas do governo não fechariam.
Do contrário, a saída seria ou promover um bloqueio de despesas autorizados no Orçamento ou reduzir ainda mais o superavit primário (economia de receitas para pagamento da dívida pública).
A queda na arrecadação com o Imposto de Renda foi uma das mais acentuadas. E, dentro desse item, o IR retido na fonte foi um dos mais afetados.
Enquanto a Receita calculou obter ao longo do ano R$ 82,9 bilhões com o IR na fonte, o Tesouro solicitou ao fisco R$ 87,5 bilhões nessa rubrica -uma diferença de R$ 4,6 bilhões.
Diante de todos esses números, a Fazenda viu a necessidade de retardar ainda mais a liberação das devoluções do IR.
Segundo a Folha apurou, a Receita incumbiu o subsecretário de Arrecadação, Michiaki Hashimura, de fazer a reformulação do cronograma das restituições. Foi quando se chegou ao valor aproximado de R$ 12 bilhões para este ano, deixando R$ 3 bilhões para serem devolvidos só em R$ 2010.



 Escrito por Clóvismoliveira às 08:57 AM
[] [envie esta mensagem] []




 

 

 

 

Painel - Renata Lo Prete

Virado à paulista

Diante da dificuldade de derrotar Orestes Quércia numa disputa direta pelo controle da seção paulista do PMDB, Michel Temer examina a possibilidade de decretar intervenção do Diretório Nacional, presidido por ele, caso o ex-governador, aliado a José Serra (PSDB), insista em dificultar a aliança do partido com Dilma Rousseff (PT). Minoria em São Paulo, Temer tem folgada maioria na direção nacional. O discurso para justificar a medida extrema seria o de que o diretório de SP contraria a "política nacional de alianças".
Por ora, a ameaça visa evitar que Quércia amplie sua rebelião, como ameaçava fazer ontem, pós-jantar dos aliancistas com Dilma. "Se os dissidentes respeitarem seus limites, sem problema", diz um aliado de Temer.


Curto... Recém-filiado, Henrique Meirelles não foi chamado para o jantar. Explicação oficial: só foram os ministros "políticos" do PMDB. Recado subliminar: cristão novo, o presidente do BC não é considerado pelos pares como opção para vice de Dilma.

...e grosso. De um dos comensais, sobre a hipótese Meirelles na vice, acalentada por alguns no governo: "Esqueça. Não vai acontecer".

Fresta. De outro participante do jantar, ao defender que a pré-aliança não impedirá o PMDB de mudar de ideia mais adiante se julgar conveniente: "Há sempre um caminho para o arrependimento".

Garfo... No jantar de Dilma com o PDT não se falou só da aliança nacional. O partido lembrou que espera o apoio do PT-PR, base do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), à candidatura do senador Osmar Dias ao governo.

...e faca. Como ninguém é de ferro, a oportunidade também serviu para reivindicar que Paulo Bernardo acelere o pagamento de emendas dos deputados pedetistas.

É pique. Embora a agenda com Lula seja amanhã, Dilma irá hoje à Bahia festejar os 70 anos de Haroldo Lima (PC do B), presidente da Agência Nacional do Petróleo. Um cacique do PMDB comenta: "E ainda tem quem ache que os comunistas vão de Ciro".

A casa é sua. Na contramão de Marta Suplicy, Aloizio Mercadante faz coro aos que dão boas vindas a Ciro Gomes em São Paulo: "Ele foi um companheiro fiel e está no nosso campo. Assim como o PSB deixou uma porta aberta para apoiar a Dilma, o PT tem de deixar a porta aberta para apoiá-lo ao governo".

Separatistas. A crise no governo Yeda Crusius rachou o PMDB gaúcho. Eliseu Padilha defende que o partido continue a sustentar a tucana, enquanto Pedro Simon, que tinha cargos na máquina, agora quer que a sigla desembarque.

Trator. O primeiro alvo ruralista na Câmara é Nelson Marquezelli (PTB-SP). O deputado, um dos que retiraram a assinatura da CPI do MST, recebeu doações do agronegócio em 2006. A Cutrale, que agora teve um de seus laranjais destruído pelos sem-terra, destinou-lhe R$ 40 mil.

Guerra e paz. PT e PMDB trocaram sopapos na CPI da Conta de Luz. Petistas tentavam evitar quebras de sigilos de ex-diretores da Aneel. E o relator Alexandre Santos (PMDB-RJ) apontava influência de José Dirceu na defesa da Celpe, a companhia energética de Pernambuco.

Questão de fé. O judeu e neotucano Marcelo Itagiba (RJ) enviou carta à direção do PMDB na qual aponta como um dos motivos para sua saída o fato de a sigla apoiar um governo que "insiste em manter relação" com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que nega o Holocausto.

RT. Após deixar a administração Kassab, o ex-secretário das Subprefeituras Andrea Matarazzo resolveu submergir. "Para falar com ele, só pelo Twitter", explica um amigo.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"O ataque ao laranjal em São Paulo é uma metáfora do atual governo, que usa entidades laranjas para financiar o MST."

Do deputado ONYX LORENZONI (DEM-RS), sobre a destruição de uma plantação de laranja por sem-terra que invadiram fazenda da Cutrale no interior paulista.

Contraponto

Regras claras Deputados e senadores jantavam anteontem com Nelson Jobim e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, para debater as diferentes opções de caça que o Brasil poderá comprar. Diante da sucessão de questionamentos, o ministro da Defesa tentou serenar os ânimos:
-Isso pode acabar sendo bom para o país!
Rocha Loures (PMDB-PR) pegou carona:
-É como no casamento, ministro!
Mas Jobim prontamente estabeleceu a diferença:
-Olha, lá em casa é tudo muito claro... quem manda mesmo é a minha mulher!

Toma lá, não dá cá

Eliane Cantanhede

Lula tenta, convenientemente, manipular a candidatura Ciro Gomes, conter os arroubos do PDT e do PC do B para Ciro ou Marina e até articular a chapa da oposição. Enquanto isso...
As cúpulas e as lideranças do PMDB no Senado e na Câmara, à frente Sarney e Temer, estão doidas para pular logo na candidatura Dilma. Já as seções do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio, Minas, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Pará e Acre continuam muito reticentes.
E cheias de problemas com o PT.
Os comandantes no Congresso têm força nacional, mas trazem pouca tropa para a convenção do PMDB que vai decidir os rumos na sucessão. Sarney traz Maranhão e Amapá. Romero Jucá, Roraima.
Henrique Eduardo Alves, Rio Grande do Norte. Renan Calheiros, Alagoas. São representações pequenas na convenção, diante de São Paulo, Minas, Bahia e Paraná, por exemplo. Temer traz o quê?
Reunidos em jantar anteontem, ministros, líderes e cúpulas decidiram dar uma prensa em Lula, exigindo que anuncie desde já que o vice de Dilma será do PMDB. E que quem escolhe o nome não é ele nem Dilma, e sim o partido.
Esperam, com isso, ter um trunfo para seduzir as bases estaduais peemedebistas. A oito meses da convenção, elas não parecem querer fechar com Dilma nem voar para outros ninhos. Preferem esperar os ventos. Ou as pesquisas.
Pragmático e experiente, Jader Barbalho foi aplaudido ao dar a palavra final no jantar: o acordo do PMDB governista é com Lula, e isso não significa ser automaticamente com Dilma. O que todos querem saber é se ele, Lula, é capaz ou não de transferir votos para sua candidata.
Se transferir, vai transferir também o PMDB. Se não, não.
Ou seja: a cúpula do PMDB exige um compromisso público de Lula em lhe dar a vice, mas não garante coisa nenhuma em troca -nem a ele, muito menos a Dilma.



 Escrito por Clóvismoliveira às 08:52 AM
[] [envie esta mensagem] []




 

 

 

 

Correio Braziliense

O mau exemplo do Pan

Izabelle Torres

Dois anos depois, jogos ocorridos no Rio ainda são alvo de 35 processos no Tribunal de Contas. Corte agora promete acelerar julgamentos por conta das Olimpíadas de 2016
Hipolito Pereira/Agencia O Globo - 26/6/06
Vila Pan-Americana, em 2006: superfaturamento na construção e aluguel
 


Enquanto os brasileiros vibram com a escolha do Rio como a sede das Olimpíadas de 2016 e patrocinadores já investem em campanhas publicitárias sobre as vantagens do evento para o país, uma pilha de processos lota os gabinetes do Tribunal de Contas da União (TCU) e dá a dimensão do mau uso do dinheiro público pelos agentes políticos durante a realização dos jogos Pan-Americanos, em 2007. As suspeitas de irregularidades somam 35 processos, sendo que nenhum foi concluído até hoje. Dois deles estão em fases avançadas e os ministros já citaram duas empresas fornecedoras e quatro organizadores dos jogos a ressarcirem o Tesouro Nacional em mais de R$ 18 milhões. Os acusados recorreram e a apuração agora se transformou em uma Tomada de Contas Especial.

As suspeitas de que a organização do Pan cometeu falhas graves e desviou recursos durante a organização do evento são originadas de denúncias das mais variadas espécies. Os auditores investigam, por exemplo, indícios de fornecimento de bens e serviços em quantidades diferentes das estabelecidas inicialmente em contratos, mudanças de cláusulas contratuais e a inclusão de aditivos sem justificativas, a compra pelo governo de materiais a preços muito superiores ao de mercado, além de superfaturamentos no aluguel e na construção da Vila Pan-Americana. Falhas que depois de apuradas podem explicar o porquê de o custo final do Pan — calculado em R$ 3,3 bilhões — ter ultrapassado em mil vezes o orçamento inicialmente previsto.

Apesar do alto número de denúncias e da convicção de alguns técnicos de que as irregularidades são graves, e a conduta dos organizadores do evento causaram prejuízos graves ao erário, os processos têm caminhado a passos lentos no TCU. Abertos em 2007, parte deles ainda espera respostas dos envolvidos nas contratações sob suspeita e posição dos órgãos envolvidos nos contratos, como o Ministério do Esporte. Mais da metade, no entanto, já está em fase mais avançada e os técnicos analisam atualmente as respostas e os recursos apresentados pelos envolvidos nos casos.

“Realmente, a demanda do TCU é muito grande e esses processos terminaram ficando em segundo plano. Mas, agora, decidimos dar novamente prioridade a eles, tendo em vista que o Brasil vai realizar a Copa e as Olimpíadas. Precisamos saber o que exatamente foi feito com os recursos e punir os responsáveis. Vamos dar celeridade a esses casos sobre o Pan”, explica o secretário executivo do TCU no Rio de Janeiro, Oswaldo Perrout. É na unidade do Rio que tramita a maior parte dos processos, inclusive o que apura irregularidades na ordem de mais de R$ 120 milhões na reforma do Complexo de Deodoro.

Quase punidos
Dos 35 processos em andamento no TCU, apenas dois já resultaram em acórdãos e apontaram os responsáveis. Um deles encontrou falhas graves na implantação da infraestrutura usada para a construção das instalações na Vila Pan-Americana. As irregularidades envolveram o fornecimento de materiais básicos para as obras, ar-condicionados e contratações de mão de obra. Os técnicos encontraram diversos itens comprados pelo governo em quantidade muito superior à que foi entregue e utilizada nas instalações. No segundo processo já votado pelo plenário do TCU, os ministros acataram parecer dos técnicos afirmando que houve superfaturamento na prestação de serviços de hotelaria temporária na Vila Pan-Americana.


Leia íntegra dos acórdãos de processos já julgados pelo TCU

Lista de suspeitas


Confira as denúncias referentes ao Pan que ainda estão sob investigação do TCU:

  • Fornecimento de bens e serviços em quantidades diferentes das estabelecidas em contratos
  • Modificações de contratos sem a realização de aditivos e a apresentação de justificativas
  • Compra de materiais a preços mais altos do que itens
    de qualidade superior
  • Serviços contratados superiores aos medidos pelas equipes do TCU
  • Serviços contratados sem que os responsáveis
    comprovassem as execuções
  • Cobrança em duplicidade de custos administrativos por
    empresas contratadas
  • Superfaturamento no pagamento do aluguel da Vila Pan-americana
  • Contratação da solução de controle de acessos baseada na tecnologia RFID, por R$ 26,7 milhões, sem a efetiva utilização — ocorreram menos de 10 acessos durante todo o período dos jogos

    IRREGULARIDADES JULGADAS

    Fraude
    Falhas na implantação de infraestrutura de natureza temporária e locação de equipamentos para a construção das instalações na Vila Pan-Americana. Os técnicos encontraram diversos itens utilizados nas obras cuja quantidade contratada foi superior à quantidade entregue e utilizada, além de pagamentos em duplicidade e falta de documentação sobre despesas realizadas.

    Punição
    Por conta das irregularidades, o TCU citou Luiz Custódio Orro, Ricardo Leyser e a empresa Fast Engenharia, para que devolvam aos cofres públicos valor que supera os R$ 16,3 milhões.

    Fraude
    Superfaturamento dos serviços que envolviam a prestação de serviços de hotelaria temporária na Vila Pan-Americana.

    Punição
    Por conta das irregularidades, o TCU citou o Consórcio Interamericano e os representantes do governo à época: Ricardo Leyser, José Pedro Valorlotta, José Mardovan e Luiz Custódio Orro, a devolver aos cofres públicos o valor de R$ 2 milhões.
  • Dilma na rota da fé
    Flávia Foreque e Tiago Pariz e Luiz Ribeiro
    No Nordeste, pré-candidata de Lula amplia agenda em templos e festas religiosas
    Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 21/5/09
    Nas escalas “laicas” estão previstas visitas aos canteiros de obras da transposição do Rio São Francisco
     


    Em paralelo às atividades institucionais(1) de ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff reforça, nesta semana, a agenda religiosa de pré-candidata. Após visita à Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São Paulo, ela participa, amanhã, de celebração na Basílica do Senhor do Bonfim, em Salvador. Os eventos já fazem parte de uma estratégia do PT para ela viajar pelo país e debater temas previstos no programa de governo do PT.

    A visita à Igreja do Senhor do Bonfim foi escolhida a dedo. Os organizadores colocaram a ministra na segunda missa da manhã, por volta das 7h, por ser a que mais fiéis recebe. Integrantes do candomblé se misturam a católicos no templo. O Senhor do Bonfim é um dos ícones do sincretismo religioso nacional. A previsão é de que 400 pessoas participem da missa celebrada pelo reitor da basílica, Edson Menezes.

    Esse tipo de contato com potenciais eleitores vai se intensificar, atendendo a um desejo do presidente Lula e dos líderes do PT. Eles aguardavam apenas que Dilma encerrasse o tratamento contra o câncer e fosse liberada pelos médicos. Durante a semana, a agenda vai privilegiar a divulgação dos programas do governo. Nos fins de semana, os encontros com lideranças locais e o contato com o eleitorado serão priorizados. Como muitos dos eventos são desvinculados das atividades de ministra, o partido deverá arcar com as despesas de deslocamento. “Ela vai ter agenda sexta, sábado e domingo para visitar o Brasil e ouvir o povo”, afirma o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

    No domingo, Dilma pretende marcar presença no Círio de Nazaré, em Belém do Pará. O evento reúne cerca de dois milhões de peregrinos na capital paraense. Eles percorrem 4km entre a Catedral de Nossa Senhora e a Basílica do Santuário. “As pessoas vêm ao Círio para agradecer à Nossa Senhora de Nazaré pelas graças que receberam. O Círio não só é uma manifestação da fé católica, mas cultural, turística e religiosa”, afirma o padre Jeorge Miranda, membro da Arquidiocese da catedral.

    Graças
    Para o filósofo da Universidade de Campinas Roberto Romano, autor do livro Brasil, Igreja contra Estado, a aproximação entre políticos e líderes religiosos ainda é rotina no Brasil em função da influência que esses exercem sobre o Estado. “Enquanto a religião tiver essa importância nos costumes, qualquer dirigente vai tentar conseguir as graças desse ou de outro religioso. Ou de todos”, afirma o professor da Unicamp. Apesar da crítica aos políticos, Romano aponta também o interesse direto das entidades religiosas, dotadas, segundo ele, de um “pragmatismo escandaloso”.

    Na agenda de governo, Dilma acompanhará o presidente Lula na visita às obras de transposição do Rio São Francisco, no Nordeste, e de revitalização do leito do rio, em Minas. De acordo com o Ministério da Integração, o projeto da revitalização tem investimentos previstos de R$ 1,5 bilhão. A transposição exigirá R$ 5 bilhões. Durante visitas aos canteiros de obras, Lula deve discursar para 5 mil trabalhadores — mais da metade do número total de operários envolvidos na transposição.

    1 - Divisão da xepa
    Durante a viagem para acompanhar as obras no Rio São Francisco ao lado de Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai mesclar os momentos de que mais gosta: o de discursar e o de comer com trabalhadores. Primeiro, dividirá com operários da Barragem de Itaparica (PE) a xepa do almoço. Entre quinta e sexta-feira, deve ficar em acampamento do Exército, entre os municípios pernambucanos de Custódia e Sertânia.



     Escrito por Clóvismoliveira às 08:48 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

    Dora Kramer

    Só para civilizados

    Se o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, acha que a destruição parcial da plantação de laranjas da Cutrale em fazenda invadida é um "excesso" igual a tantos outros do MST, as declarações em tom de indignação conselheira por parte do ministro da Reforma Agrária e do presidente do Incra foram até contundentes.

    Pela ótica do governo federal - traduzida na manifestação do general e materializada na mobilização da "base" no Parlamento para impedir a investigação de repasses de dinheiro ao MST -, a percepção do ministro da Justiça para o problema está perfeitamente dentro dos conformes.

    No último mês de março, quando quatro empregados de uma fazenda em Pernambuco foram assassinados em confrontos com sem-terra, Tarso Genro atribuiu o episódio às "táticas arrojadas" do MST.

    Entre um "arrojo" e um "excesso", temos a expressão "ação grotesca" empregada pelo ministro Guilherme Cassel para definir as imagens do trator derrubando o laranjal, e a avaliação de Rolf Hackbart, do Incra: "Isso não contribui para resolver os conflitos nem colabora com o processo de reforma agrária."

    É de se perguntar às quatro autoridades e a tantas outras que mantêm o financiamento público ao MST, além daquela autoridade maior que tudo vê e tudo corrobora, o que seria feito de um cidadão comum - ou mesmo de uma pessoa incomum, como o senador José Sarney, por exemplo - que entrasse com um trator em terras produtivas derrubando toda a produção.

    Isso para não falarmos da rotina de vandalismo, que já inclui até a invasão das dependências do Congresso Nacional.

    Sim, o que seria feito do invasor? Preso e, na melhor das hipóteses, declarado maluco.

    Pois ao MST é dado o benefício das palavras amenas, das críticas construtivas - como as do presidente do Incra, ao molde de aconselhamento sobre o que é "melhor" para o movimento - e da licença para barbarizar a tudo e a todos impunemente.

    Aos cumpridores da lei resta o malefício de ouvir impotentes à cínica declaração da meliante travestida de militante a dizer na televisão que a derrubada do laranjal se destinava a abrir espaço para o plantio de feijão. "Não se vive só de laranja", zombou a bandida, de costas para a legalidade e de mãos dadas com as autoridades federais que se recusam a cumprir a Constituição no preceito da garantia à propriedade.

    E ainda sustentam os bandoleiros com o dinheiro suado dos impostos pagos pela sociedade, enquanto se comemoram os maravilhosos feitos brasileiros em sua trajetória rumo ao Primeiro Mundo. Onde podem até ser aceitas, mas costumam ser condenadas as transgressões financiadas e abrigadas pelo aparelho de Estado.

    Adaptação

    Em setembro, quando teve a ideia de dar um ultimato no PT para que antecipe da decisão sobre a oferta da vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, o PMDB dava como prazo final o mês de outubro para a resposta.

    Em outubro, a data fatal foi remarcada para novembro sem que o PT acenasse com nenhuma garantia de que até lá vá tomar a decisão exigida pelo parceiro. Ao contrário.

    Depois da filiação do deputado Ciro Gomes (principal motivo da pressa dos pemedebistas) à seção paulista da Justiça Eleitoral, as questões presidenciais continuam mais em aberto do que nunca.

    E assim permanecerão de fato até os primeiros acordes da sinfonia de 2010.

    Passo a passo

    Tudo faz parte do mesmo jogo de cena: tanto a história de que o presidente Lula poderia ter alguma ingerência na desistência ou na manutenção da candidatura do governador José Serra à Presidência da República, quanto a versão de que o PSDB faz pesada pressão sobre o governador Aécio Neves para que aceite formar com o colega de São Paulo uma chapa presidencial puro-sangue.

    Sobre a primeira, Lula é forte, mas não é absoluto. Nem no próprio partido. Quando à segunda cena, o PSDB - escaldado - desta vez é estratégia pura. Não se emociona nem pressiona. Apenas administra a liberação do roteiro ao público em capítulos.

    Corrente pra frente

    A tese do presidente Lula de que o Brasil não deve se preocupar com o que será gasto, mas com o que será ganho na Olimpíada de 2010, porque qualquer que precise ser o "investimento" o resultado vale a pena, parte, como sempre, do velho princípio, digamos, troglodita: os fins justificam os meios.

    Por ele, ninguém foi importunado pelo fato de o gasto com o Pan em 2008 ter ficado na casa dos R$ 4 bilhões, quando o planejamento previa despesa de R$ 400 milhões.

    Nem por força de dispositivos previstos no Código Penal - corrupção, para sermos explícitos -, nem pela falta de qualidade técnica dos planejadores.
    PDT descarta Ciro e defende candidato único
    Christiane Samarco
    Foi bem sucedida a primeira investida da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, para ganhar o apoio de partidos governistas em 2010. No jantar oferecido à cúpula e às bancadas do PDT na Câmara e no Senado na terça-feira, a ministra da Casa Civil obteve a simpatia dos convidados, os convenceu de que o Planalto trabalha para ter apenas uma candidatura na base aliada e uma eleição polarizada entre governo e oposição e ainda conseguiu "desmontar" a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE)

    "O Ciro, hoje, está descartado como candidato até pelo convencimento geral de que a candidatura dele está sendo administrada pelo presidente Lula", resume o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ele é um dos raros pedetistas que não compareceu ao jantar, mas, depois de conversar com os companheiros de bancada e com o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, foi quem melhor traduziu o resultado do encontro.

    Mais do que se apresentar como candidata tanto ao PDT como ao PRB, com quem também se reuniu anteontem, Dilma procurou mostrar-se capaz de superar a vantagem que Ciro exibiu sobre ela nas últimas pesquisas de intenção de voto.

    Os pedetistas chegaram ao encontro dispostos a obter o apoio da ministra para a proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. Ao final, foi Dilma quem contabilizou lucro. "Ela virou o jogo e ganhou o PDT. Ficamos todos encantados", diz o líder da bancada na Câmara, deputado Dagoberto (MS). O clima foi tão favorável que o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o deputado Antonio Palocci (PT-SP) apelaram ao partido para que anunciasse logo o apoio à candidatura Dilma.

    "Isto é injusto", ponderou, em tom ameno, o deputado Wilson Picler (PDT-PR), lembrando que havia ali "muita gente" defendendo a candidatura própria do partido a presidente. Picler foi a única voz que se levantou em favor do lançamento de um pedetista na corrida sucessória. Como a fala dele não teve nenhuma repercussão, o assunto foi encerrado ali.

    Palocci teve papel importante no encontro. Como o líder do PDT levantara dúvidas sobre a candidatura Dilma e houve suspeita de que o deputado poderia vir a substituí-la, coube a Palocci desmontar a ideia de fragilidade da petista, enfatizando que a candidata do governo e do PT é a ministra Dilma.

    Ela aproveitou para justificar o comportamento que até correligionários consideram dúbio. Explicou que seu cuidado para não avançar o sinal e assumir publicamente a candidatura é fruto do impedimento legal.


     Escrito por Clóvismoliveira às 08:45 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     


    Folha Online
    Em 5 anos, governo repassou R$ 115 mi a ONGs ligadas ao MST

    GABRIELA GUERREIRO
    da Folha Online, em Brasília

    Em ofício encaminhado nesta quarta-feira à Câmara, o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) confirmou o repasse de cerca de R$ 115 milhões do governo federal nos últimos cinco anos a entidades do campo que, segundo a oposição, são ligadas ao MST (Movimento dos Sem-Terra).

    Cassel não confirma, no ofício, a ligação das ONGs (organização não-governamentais) com o movimento apenas descreve os valores repassados a cada uma entre 2004 e 2008.

    O ofício de Cassel foi uma resposta ao pedido de informações encaminhado ao ministro pelo líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), no início de abril.

    O ministro respondeu aos questionamentos do líder seis meses depois do pedido, embora a legislação recomende o prazo de um mês para o envio das informações à Câmara.

    Caiado ficou irritado com o fato de Cassel não ter mencionado o suposto vínculo das entidades com o MST. Segundo o líder, a legislação brasileira impede o repasse de recursos públicos para entidades que, direta ou indiretamente, colaboram, incentivam ou incitam a invasão de imóveis rurais ou de bens públicos.

    "O ministro Cassel tem a maior plantação de laranja dentro do seu ministério,. Todo dinheiro público sai por essas entidades laranjas para financiar o MST. Já pedimos ao Ministério Público o afastamento do ministro por crime de responsabilidade. Vamos buscar outras instâncias para ajuizar novas ações, também por conivência da prática ilícita", disse Caiado.

    Entre as entidades que receberam recursos do governo federal, estão a CCA (Cooperativa Central de Reforma Agrária do Estado de São Paulo), a Cacia (Central de Associações Comunitárias do Assentamento Ireno Alves dos Santos), e diversas federações de trabalhadores rurais em Estados como Mato Grosso e Bahia.

    No ofício, Cassel afirma que as transferências de recursos para as entidades rurais têm como objetivo implementar "ações e políticas públicas do governo federal". Segundo o ministro, antes da autorização dos repasses são realizadas análises técnicas e exame jurídico das entidades. O ministro diz, ainda, que as transferências de recursos realizadas pelo ministério "cumprem com todos os dispositivos legais vigentes".

    Caiado, por sua vez, afirma que o Ministério do Desenvolvimento Agrário não tem condições técnicas para avaliar se as verbas estão sendo regularmente aplicadas ou se foram repassadas para financiar ações do MST. "É um chapado desrespeito com o dinheiro que sai do bolso do consumidor", disse o deputado.

    CPI

    A oposição recolhe assinaturas para a instalação de CPI mista (com deputados e senadores) no Congresso para investigar o repasse de recursos do governo federal para entidades ligadas ao MST. Na Câmara, DEM e PSDB conseguiram reunir até agora pouco mais de cem assinaturas de deputados favoráveis à CPI dentro do mínimo necessário de 171. No Senado, a oposição já colheu 32 assinaturas à comissão, cinco a mais que o mínimo previsto pelo regimento da Casa.

    "Estamos fazendo uma coleta seletiva de assinaturas para evitar o problema, novamente, da CPI não ser instalada porque deputados pressionados pelo governo retiraram suas assinaturas. O MST, por ter apoio do governo, está imune a tudo?", questionou Caiado.

    A proposta de CPI ganhou força no Congresso depois da invasão, por integrantes do MST, da fazenda Santo Henrique, na divisa dos municípios de Iaras e Lençóis Paulista, em São Paulo. Segundo Carlos Otero, representante da Cutrale, empresa responsável pelas plantações de laranja destruídas anteontem pelos trabalhadores rurais, há uma disposição de deixarem a propriedade nesta quarta-feira.

    A empresa conseguiu na Justiça liminar de reintegração de posse da fazenda, mas os sem-terra resistiam em sair, alegando que a área é pública, e não particular, e que os pés de laranja foram derrubados para dar espaço a plantações de feijão e milho.

    O MST havia dito que só deixaria o local após um posicionamento da Justiça Federal, e que a decisão de reintegração de posse era de um juiz local. Eles decidiram deixar o local, mas vão questionar a liminar. Segundo o movimento, cerca de 450 famílias ocupavam o local desde o dia 28 de setembro em protesto pela reforma agrária na região.

    Rachado, PMDB decide selar aliança com PT e indicar vice de Dilma para 2010

    GABRIELA GUERREIRO
    MÁRCIO FALCÃO
    da Folha Online, em Brasília

    O PMDB selou nesta terça-feira, durante jantar da cúpula da legenda, a decisão de lançar um peemedebista para concorrer à vice-presidência da República na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) que vai disputar o Palácio do Planalto em 2010 pelo PT.

    O partido deve formalizar até o início de novembro a aliança com os petistas, mas o comando nacional do PMDB já decidiu que vai indicar um nome para a vice-presidência na chapa da petista mesmo com parte da bancada contrária à união com o PT.

    "Tem acordo para que o PMDB seja o vice. Só isso", disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Cotado para ser lançado a vice-presidente na chapa de Dilma, Temer desconversou. "O nome só sai no ano que vem."

    Alguns parlamentares peemedebistas que participaram do jantar afirmaram que o lançamento do nome de um eventual vice neste momento seria "prematuro" e poderia comprometer a aliança com o PT. A disposição dentro do PMDB é esperar a definição de chapas dos adversários da ministra, especialmente o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), antes de anunciar o perfil do peemedebista que vai estar ao lado de Dilma nos palanques.

    Temer vai se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em duas semanas para voltar a discutir a aliança do PT com o PMDB. O presidente da Câmara é porta-voz da ala governista do partido, favorável à aliança com Dilma em 2010.

    A maioria do PMDB, que neste momento defende a aliança com Dilma, está disposta a formalizar o apoio do partido publicamente até o início de novembro --mesmo com as divergências entre PT e a legenda em alguns Estados do país.

    Parte da bancada, porém, discorda da aliança com o PT nas eleições do ano que vem. Liderados pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB), os peemedebistas favoráveis ao embarque da legenda na candidatura de Serra defendem o adiamento da formalização da aliança.

    O grupo de Quércia quer que o PMDB decida somente no meio de 2010, durante a convenção do partido, se vai compor aliança nacional com o PT. Alguns peemedebistas também criticam a pressa na consolidação do apoio a Dilma porque consideram muito cedo para definir alianças estaduais.

    "Não sou partidário dessa antecipação toda. Deveríamos ouvir as bases do partido, ter mais segurança", afirmou o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

    Oposição

    Aliado de Serra, Quércia se reuniu com Temer no final de setembro para pedir que ele não se precipite na busca de uma aliança formal do PMDB com Dilma. O apelo da ala oposicionista do PMDB, porém, não teve efeitos práticos na disposição de Temer em fechar a aliança com Dilma.

    Quércia deixou claro, no encontro com Temer, que a ala serrista não vai aceitar a formalização do embarque do PMDB na candidatura Dilma. O ex-governador reconheceu que a ala pró-Serra tem dentro da legenda menos da metade de apoio à candidatura do tucano.

    Ele disse acreditar, porém, que, até a convenção, grande parte dos peemedebistas que hoje apoiam Dilma vão mudar de lado dentro do partido.

    Além de Temer, são cotados para disputar a vice-presidência na chapa de Dilma o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, recém-filiado ao PMDB. O ministro Hélio Costa (Comunicações) também teve o nome ventilado dentro do partido para uma eventual chapa com Dilma.

    Dirceu defende que PT apoie candidatura de Ciro em SP em prol do palanque de Dilma

    O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) defendeu hoje em seu blog que a Direção Estadual do PT-SP a apoiar a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo. Na avaliação dele, as direções dos diretórios paulista e nacional do PT deveriam trabalhar em conjunto numa ação coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para convencer Ciro a desistir de disputar a Presidência com a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil). PT e PSB integram a base de apoio do presidente Lula.

    "Outra tática que o PT poderia seguir, e à qual sou favorável, é disputar o apoio do PSB e convencê-lo a fechar com Dilma e a lançar Ciro candidato a governador de São Paulo", diz Dirceu em seu blog.

    A opinião de Dirceu contraria a declaração da ex-ministra Marta Suplicy, que anteontem disse que o PT-SP teria candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes. Ela defendeu ainda o nome do deputado Antonio Palocci (PT-SP) para a disputa.

    Na avaliação de Dirceu, as declarações da Executiva Estadual do PT-SP não refletem, necessariamente, a "vontade amplamente majoritária da militância". "Um universo bem diferente do eleitorado e base social do PT, nada desprezíveis em São Paulo, onde o partido já capitaliza 1/3 desse que é o maior colégio eleitoral do país."

    Dirceu diz que a situação do PT em São Paulo não é nada favorável, pois os partidos da base de apoio de Lula não estão com a legenda no Estado. "O PSB, PMDB, PV e PTB, além do PPS e do DEM [esses dois são da oposição a Lula], aapoiamo governo Serra. O PSB e o PTB, aliás, tem uma longa tradição de apoio aos tucanos."

    Ele afirma ainda que as consequências da candidatura de Ciro à Presidências serão graves para o PT em São Paulo. "Ou o PT caminha para uma eleição plebiscitária ou aceita a candidatura Ciro a presidente e trabalha para resolver suas cconsequências que serão graves. Examine-se SP, por exemplo, onde Ciro poderá ter um palanque com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para governador; e o vereador Gabriel Chalita (PSB) para senador."

    O ex-ministro afirma ainda que a eventual candidatura de Ciro à Presidência colocará todos os demais candidatos contra Dilma. "Concretizada a candidatura Ciro, o PT deve se preparar, então, para disputar o 1º turno em três frentes: contra Serra, a senadora Marina Silva (PV-AC) e Ciro. Sem ilusões, é certo que, em busca de um lugar no 2º turno, todos estarão contra Dilma e o PT."



     Escrito por Clóvismoliveira às 08:36 AM
    [] [envie esta mensagem] []






     

     

     

    Ciro Gomes precisa reler Ciro Gomes

    Élio Gaspari

    Tudo indica que, se o deputado Ciro Gomes for candidato à presidência da República , formará com Dilma Rousseff a velha dupla dos filmes policiais.

    O mau meganha azucrinará o tucano José Serra, enquanto a boa candidata, Dilminha, percorrerá o país com Nosso Guia, falando do Brasil de um novo tempo. É um ardil velho, mas legítimo, desde que Ciro Gomes respeite a inteligência alheia.

    Assim como Lula, o tucano precisa de um adversário. Sete anos de pastor serviu Serra a Nosso Guia fazendo tudo, menos oposição, pois não serve a ele, mas à própria candidatura.

    Se em 2010 alguém exigir contas ao tucanato, todo mundo ganha. Ciro Gomes pretende esse papel, mas deve respeitar os fatos.

    Ele disse o seguinte ao repórter Raymundo Costa: “O que o Serra fez quando o câmbio estava apreciado?” Ótima pergunta. Entre 1994, quando foi lançado o Plano Real, e 1999, quando a economia brasileira foi à breca, o tucanato segurou o dólar numa faixa entre R$ 0,80 e R$ 1,20. Quando o governo capitulou, ele chegou a R$ 2. O câmbio valorizado importou a crise externa que começou na Ásia.

    A pergunta de Ciro procede: “O que o Serra fez quando o câmbio estava apreciado?” Ele foi ministro do Planejamento de 1994 a 1995 e, publicamente, fez quase nada. Mesmo assim, não há no Brasil uma só alma honesta capaz de dizer que Serra defendeu o câmbio valorizado.

    Em 1997, quando o economista Gustavo Franco, pai dessa política, foi para a presidência do Banco Cendótral, Serra respondeu a uma pergunta do senador Pedro Simon, que buscava sua opinião a respeito da escolha dizendo o seguinte: “Peço a Vossa Excelência que ouça o meu silêncio.” O que o Serra fez quando o câmbio estava apreciado? Manteve a navalha na manga. Falou com o silêncio público e com uma gritaria de bastidores que, infelizmente, conta pouco.

    Mas há outra pergunta: o que fez Ciro Gomes quando o câmbio estava apreciado? Passados quinze anos, a informação parece nova: nada. É pior. Entre baisetembro de 1994 e janeiro de 1995, ele foi ministro da Fazenda.

    Assumiu com o câmbio apreciado e o dólar a R$ 0,80. Deixou o ministério com a moeda americana a R$ 0,84. Fazendo-se justiça ao deputado, no Ministério da Fazenda ele foi mais um animador do que um titular.

    Quem mandava no país era o grupo de sábios da ekipekonômica.

    Eles deixaram o governo e foram felizes para sempre aninhando-se na banca.

    Ciro Gomes poderia ter ficado quieto, mas cavalgou a ficção do dótral lar barato: diante de uma ameaça de aumento dos preços dos veículos por conta de um acordo entre trabalhadores e montadoras, baixou a alíquota dos carros importados de 35% para 25%. Um Renault Twingo ficou mais barato que um Corsa GL e o Omega CD mais caro que um BMW 318i. Mais: diante de um surto de alta nos preços, amparado no câmbio maluco, reduziu as restrições às importações pelo Correio. As mercadorias com valor inferior a US$ 100 ficaram livres de imposto de importação.

    Acima de US$ 500 a alíquota baisetembro xou para 10%. Ficava mais barato comprar boas roupas no Brooks Brothers do que nas lojas Marisa.

    Em novembro de 1994, quando um grupo de empresários foi ao Ministério da Fazenda para se queixar da apreciação do real, Ciro Gomes disse o seguinte: “Esqueçam o câmbio. Não falem mais disso.” Bom conselho para Ciro-2010.



     Escrito por Clóvismoliveira às 07:22 PM
    [] [envie esta mensagem] []






    BBC Brasil

    Astrônomos descobrem anel gigante na órbita de Saturno

    Imagem artística do anel gigante de Saturno (Foto: Nasa/Divulgação)

    Saturno é apenas um ponto no centro do anel gigante (Foto: Nasa/Divulgação)

    Cientistas da Nasa (Agência Espacial americana) descobriram um anel gigante em torno de Saturno, em cujo diâmetro caberiam alinhados 1 bilhão de planetas do tamanho da Terra.

    Sua parte mais densa fica a cerca de 6 milhões de quilômetros de Saturno e se estende por outros 12 milhões de quilômetros, o que o torna o maior anel de Saturno. A altura do halo é 20 vezes maior que o diâmetro do planeta.

    "Trata-se de um anel superdimensionado", definiu a astrônoma Anne Verbiscer, da Universidade da Virgínia em Charlottesville e uma das autoras de um artigo sobre a descoberta publicado na revista científica Nature.

    "Se ele fosse visível a partir da Terra, veríamos o anel com a largura de duas luas cheias, com Saturno no meio", comparou a cientista.

    Quase invisível

    Verbiscer e seus colegas utilizaram uma câmera de infravermelho a bordo do telescópio espacial Spitzer para fazer uma "leitura" de uma parte do espaço dentro da órbita de Phoebe, uma das luas de Saturno.

    Segundo a astrônoma, o anel é praticamente invisível por telescópios que utilizam luz, já que é formado por uma fina camada de gelo e por partículas de poeira bastante difusas.

    "As partículas estão tão distantes umas das outras que mesmo se você ficasse em pé em cima do anel, não o veria", disse Verbiscer.

    Os cientistas acreditam que a lua Phoebe é que contribuiu com o material para a formação do anel gigante, ao ser atingida por cometas.

    A órbita do anel está a 27 graus de inclinação do eixo do principal e mais visível anel de Saturno.

    Mistério

    Fotos da Cassini

    Iluminado pelo sol, o sistema de anéis pode ser visto com detalhes que revelam dois anéis antes desconhecidos. O pequeno ponto à esquerda dos anéis visto na foto é a Terra.

    Os cientistas acreditam que a descoberta do anel poderá ajudar a desvendar um dos maiores mistérios da astronomia - a lua Iapetus, também de Saturno.

    A lua foi descoberta pelo astrônomo Giovanni Cassini em 1671, que percebeu que ela tinha um lado claro e outro bastante escuro, como o conhecido símbolo yin-yang.

    Segundo a equipe de Verbiscer, o anel gira na mesma direção de Phoebe e na direção oposta a Iapetus e às outras luas e anéis de Saturno.

    Com isso, o material do anel colide constantemente com a misteriosa lua, "como uma mosca contra uma janela".



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 11:08 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

    Reinaldo Azevedo

    Em setembro, fez um ano que a Editora Record lançou O País dos Petralhas, meu segundo livro, felizmente um sucesso de público e, bem…, por que não destacar?, de crítica também. Foram vendidos mais de 30 mil exemplares. Os petralhas até me ajudaram a pagar algumas contas… No dia 19 do mês que vem, chega às livrarias o terceiro, também pela Record: Máximas de Um País Mínimo. Acima, vocês vêem a capa.

    Por que Máximas de Um País Mínimo? É um livro de frases deste escriba, espalhadas neste blog e em artigos escritos para a VEJA e para jornais. Eu as reuni e selecionei segundo os temas, em ordem alfabética. Acho que o conjunto ficou divertido. O formato é diferente, num papel especial, com capa dura! Huuummm… Diria que ele ficou bem “luxento”, como a gente diria lá em Dois Córregos. Acho que vocês vão gostar.

    Podem ir guardando aí o troco do champanhe e do caviar para espalhar Máximas de Um País Mínimo como presente de Natal.

    Por que “país mínimo”? Então eu ainda não me convenci do nosso gigantismo? Faz tempo! O problema é o nanismo moral que toma conta da vida pública. É a este “país mínimo” que o livro se refere. Trata-se de mais um trabalho em favor da “desprivatização” do Brasil. É um livro contra o país? Não! É um livro contra a súcia que decidiu seqüestrá-lo e cobrar como resgate que a gente lhe entregue parcelas de cidadania e democracia.

    Há um texto introdutório em que falo de vocês — sim, Máximas de Um País Mínimo é também um livro feito pelos leitores. Escrevo lá:
    “[os leitores] fizeram-me ver que determinados juízos valiam por aforismos; que certas percepções da realidade política, consolidadas em frases, tornavam-se emblemas; que, às vezes, uma opinião longamente exposta trazia uma síntese que buscava ser o que a chave de ouro é num soneto. Os leitores me ajudaram a fazer a seleção, e as frases que aqui estão, de fato, podem sobreviver aos textos que as abrigaram.”

    Em suma, caras e caros, Máximas de Um País Mínimo celebra uma vez mais esta nossa parceria. Coloquem aí na agenda: dia 19 de novembro. Sobre aquela gente  do “país mínimo”, falo um pouco mais no post abaixo.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:59 AM
    [] [envie esta mensagem] []




    Ver imagem em tamanho grande
    Lula, Brazil's president, is focus of upcoming film
    By Chris Kraul

    'Lula, Son o Brazil' will dramatize President Luiz Inacio Lula da Silva's early years. Bruno Barreto, the brother of the director, likens it to a 'Rocky Balboa story.'

    Brazil's President Lula on film

    Rui Ricardo plays Luiz Inacio Lula da Silva in "Lula, Son of Brazil." Lula's life is "proof that any Brazilian, without education, money or standing, can become an extraordinary man," Ricardo said. (LC Barreto Productions)

    Reporting from Rio De Janeiro - Rio de Janeiro's landing of the 2016 Olympics last week gave Brazilians reason to cheer for Luiz Inacio Lula da Silva, their popular president who lobbied heavily on behalf of the city's bid.

    Soon, they'll be able to applaud his image on the big screen.

    The $10-million film "Lula, Son of Brazil" will be released across the country in January.

    According to producers at LC Barreto Productions, the film will dramatize the president's early years, which they describe with Hollywood-worthy hyperbole as "mythic" and "heroic."

    "Lula is a Rocky Balboa story," said Bruno Barreto, the Oscar-nominated director ("Four Days in September") who is the son of the studio founder and whose brother is "Lula" director Fabio Barreto. "It always works."

    Since Lula took office in 2003, most Brazilians have supported him as he guided the economy through global crisis, extended social benefits to the poor and projected a positive image at home and abroad.

    He enjoys an 81% approval rating, which the studio hopes will ensure big earnings at the domestic box office and an international distribution deal.

    At the same time, the studio says Lula's lesser-known early years make for more compelling box office than his two presidential terms.

    Based on an authorized biography written by Denise Parana, the film opens with Lula as a boy living amid squalor in the northeastern state of Pernambuco, moves through his years as a Sao Paulo metalworker and powerful labor leader and ends in 1980, after he was jailed by the military dictatorship for his organizing activities.

    Highlighted are his family's struggle to adjust to the Sao Paulo urban jungle, his rise to the top of the metalworkers union, the loss of a finger in an industrial accident and the 1971 death of his first wife in their son's stillbirth.

    "This is a man who spent his youth in misery, drinking water out of a trough with cattle, on some days eating only coffee mixed with flour," said Parana, who shares the screenwriting credit. "It's not just his misery but that of many Brazilians."

    The script's treatment of Lula's youth will try to tug at Brazilians' heartstrings, showing him as a street vendor who protected his mother against an abusive husband. So precarious were the early years for Lula and his seven siblings that his mother said it was a miracle none of her children became thieves or prostitutes.

    "It's not about a politician but a simple story of a man who overcame tragedy and tremendous odds," said Rui Ricardo, the 31-year-old actor who plays Lula. "His life is like a work of fiction . . . [and] proof that any Brazilian, without education, money or standing, can become an extraordinary man."

    A film about a sitting Brazilian president has never been done, and it carries certain box-office risks. Poor Brazilians who form the base of Lula's political support are not big moviegoers.

    "The people who approve of Lula can't afford to go to the movies, and the people who don't love him can," said Fabio Barreto, whose 1995 film "O Quatrilho" was nominated for an Oscar for best foreign film.

    The producers are nervous about their movie opening shortly after the scheduled Brazilian premiere in December of "Avatar," the long-awaited film by Titanic director James Cameron. "Avatar" will show on more than one-third of Brazil's 2,200 movie screens, and Barreto worries that it will monopolize entertainment budgets.

    The Barretos have taken flack for the financing of the movie. Instead of using public money that is offered to Brazilian film producers, they accepted contributions from a dozen corporate sponsors, including Volkswagen, Hyundai and other contributors to Lula's political campaigns.

    Executive producer Paula Barreto, Fabio's sister, said relying on the corporate funding helped void any appearance of using taxpayer money for a movie about a politician still in office.

    But observers such as film critic Hermes Leal of movie magazine Cinema said the practice gave fat cats a chance to curry favor with Lula.

    The filmmakers are counting on Ricardo, who has no film experience, little name recognition and has spent his career doing soap operas and theater, to keep people focused on Lula's rags-to-riches tale.

    Fabio Barreto said Ricardo captured Lula's looks and character. "Rui came to audition for the part of a male nurse," he said. "But no, he was Lula."

    Paula Barreto said her company was considering a four-part TV miniseries on Lula's life that might bring his story up to contemporary times.

    Such a series might include less savory aspects of Lula's political career.

    Three years ago, he was forced into a runoff election after a series of scandals tarnished his image. Transcripts of wiretaps had Lula's brother Genival asking a gambling kingpin for $2,000. The brother later insisted he was asking for a loan.

    Lula overcame three failed presidential candidacies and an earlier perception by some that he was a loser.

    "In Brazil, there are no losers," said Fabio Barreto, "only people who keep trying until they succeed."

    Kraul is a special correspondent.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:52 AM
    [] [envie esta mensagem] []





     

     

     

    Josias de Souza - Nos bastidores do poder

    Em 6 anos, número de servidores cresceu em 57 mil

    Estudo divulgado pelo Ministério do Planejamento informa: nos dois mandatos de Lula o governo aumentou em 57,1 mil o número de servidores.

     

    Quando Lula tomou posse, em janeiro de 2003, a folha de pagamentos da Viúva abrigava 485.741 funcionários. Hoje, há 542.843 contracheques.

     

    Em verdade, foram abertas 160,7 mil novas vagas no serviço público. O acréscimo ficou em 57,1 mil porque houve aposentadorias e mortes.

     

    O levantamento da pasta do Planejamento é uma tentativa do governo de responder às críticas da oposição e da imprensa. É a segunda tentativa.

     

    Um primeiro estudo, divulgado no início do ano, trazia o objetivo estampado no título: “O mito do inchaço da Força de Trabalho do Executivo Federal”.

     

    O novo documento tem um título anódino: “Evolução setorial da Força de Trabalho no governo Lula”. Mas a ânsia de prover respostas é idêntica.

     

    De saída, estabelece-se uma comparação com a gestão tucana de FHC. Anota o texto, já no quarto parágrafo:

     

    “Atingiu-se em 2009 uma quantidade de servidores civis ativos muito semelhante à de 12 anos atrás, em 1997, quando havia 531.725 servidores...”

     

    “...O crescimento tem sido paulatino, de aproximadamente de 1,77% ao ano...”

     

    “...Muito próximo do avanço da População Economicamente Ativa, que teve expansão da ordem de 1,71% ao ano no período”.

     

    O aumento do quadro não é aleatório, informa o governo. Privilegiam-se os setores considerados estratégicos.

     

    Segundo o estudo do Planejamento, a maioria das novas vagas –29 mil das 57,1 mil— foram destinadas à Educação. Só o número de professores cresceu em 14 mil.

     

    O texto realça também as 7,6 mil vagas abertas no Ministério da Justiça –37% destinadas à segurança pública.

     

    Informa-se, por exemplo, que a Polícia Federal dispõem de 3.631 novos servidores. A Polícia Rodoviária Federal, 1.889.

     

    Enfatiza-se ainda o reforço em áreas que se ocupam de arrecadar tributos e defender o governo –Receita e Advocacia-Geral da União.

     

    Mencionam-se, de resto, os setores que se ocupam de fiscalizar os gastos –Controladoria Geral da União—e de realizar os investimentos do PAC.

     

    - Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra do estudo do Ministério do Planejamento. Foi acomodado em oito páginas.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:43 AM
    [] [envie esta mensagem] []




    PMDB espera anunciar acordo em novembro
    Natuza Nery e Fernando Exman, Reuters
     

    Com medo de perder o dote e o padre, o PMDB deu ontem os primeiros passos para formalizar um pré-acordo em torno da candidatura de Dilma Rousseff (PT) ao Planalto em 2010. Um jantar da cúpula nacional da legenda marcou o primeiro passo para celebrar esse noivado, cujo anúncio oficial pode estar mais próximo do que se imagina: até novembro.

    A decisão de acelerar as negociações de uma chapa presidencial conjunta veio do temor de não ter o popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos palanques regionais do PMDB e de perder a já cobiçada vaga de vice ao lado da ministra da Casa Civil. "O partido está trabalhando internamente a discussão de 2010", disse o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), presidente licenciado da agremiação. Um pré-acordo, avaliam integrantes pemedebistas, balizaria os Estados.

    Até dias atrás, o partido sustentava com obstinação que qualquer entendimento para 2010 deveria passar pela definição de alianças locais com o PT. Diante das dificuldades em celebrar esses matrimônios, a lógica acabou se invertendo. Foi o próprio Temer quem verbalizou a mudança tática, urgindo para um acordo eleitoral ainda este ano.

    No encontro de ontem à noite, oferecido pelo líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), o PMDB planejava traçar um plano para formalizar esse compromisso com o governo. A cúpula compareceu em peso, de senadores e ministros aos presidentes da Câmara e Senado.

    Segundo uma fonte do partido, Michel Temer - cotado para assumir a vaga de vice na chapa da ministra - já conversou com Lula a respeito durante viagem a Copenhague, na Dinamarca, na semana passada e informou que irá preparar as bases da união.

    Tradicionalmente dividida, a legenda tem em suas fileiras alas que defendem o apoio a Dilma e outras que intercedem por uma aliança com o PSDB do governador de São Paulo, José Serra, também pré-candidato. Orestes Quércia, presidente do diretório paulista, é defensor da parceria com os tucanos.

    No encontro de ontem, estava prevista a definição do cenário, personagens e mensagem que o PMDB dará quando anunciar o compromisso. "Vamos preparar a foto (do anúncio) e mostrar a força dentro do partido para fazer a aliança em 2010. O jantar de hoje é o primeiro passo", disse um pemedebista participante da reunião.

    Apesar de tantos esforços e antecipações, a arena final será a convenção pemedebista no meio do ano que vem. Ganhará o grupo que formar maioria primeiro. Até lá, vale a velha máxima: no PMDB, nada é certo até acontecer.

    Apesar de uma mudança tática, pacificar PT e PMDB nos Estados ainda é um passo fundamental para garantir apoio ao projeto da aliança nacional. Nos casos onde houver racha, candidatos do PMDB não querem abrir mão de ter Lula em seus palanques. O partido avalia que parte do seu sucesso na eleição municipal de 2008, quando elegeu mais de 1,2 mil prefeitos, deve-se à ajuda do presidente. Diversos candidatos não querem perder esse patrimônio em 2010 para um concorrente petista local.

    Nos planos pemedebistas, fica assim: onde houver disputa com o PT, Lula pisaria nos dois palanques. Dilma, por consequência, também teria território duplo para navegar.

    Diversos expoentes pemedebistas, entre eles o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) - pré-candidato ao governo da Bahia contra ao projeto de reeleição do petista Jaques Wagner -, manifestaram o receio de não poder usar a imagem do presidente da República, com popularidade superior a 80%. Soma-se a isso o temor de que o governo seja levado a uma aliança formal com outro partido. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), por exemplo, é sempre mencionado nas cotações.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:32 AM
    [] [envie esta mensagem] []




    PT define núcleo da campanha de Dilma Rousseff à Presidência
    Paulo de Tarso Lyra
    Garcia coordenará programa de Dilma

    O PT criou o grupo que dará as diretrizes gerais do programa de de governo para a campanha da ministra Dilma Rousseff a presidente da República. Coordenado pelo assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a comissão será responsável por definir a plataforma política da candidata, organizar o diálogo com os movimento sociais e os partidos aliados. Alguns temas já estão definidos: política social, educação, investimentos em ciência e tecnologia e preocupações com os recursos ambientais, como a água, por exemplo. Além de Garcia, fazem parte do grupo o presidente do PT, Ricardo Berzoini, o assessor pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o ex-prefeito de Guarulhos Elói Pietá.

    O marqueteiro João Santana, responsável pela campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, também está assessorando a candidata e programando pesquisas qualitativas junto ao eleitorado. Segundo um integrante do Diretório Nacional do PT, o grande desafio será dar forma ao discurso de Dilma no palanque. "Ela não pode ser apenas a mãe do PAC. Isto é muito pouco. O governo Lula é muito mais do que isto", declarou um dirigente do partido.

    Até o momento, a pré-campanha está apoiada nos avanços obtidos nos oito anos do governo Lula. O desafio é avançar. "Quando Dilma subir no palanque, o que ela vai dizer? O que ela vai trazer além do que já fizemos?", questiona um petista.

    A educação, principalmente o ensino fundamental, está nesta nova diretriz. Existe a avaliação interna de que todas as conquistas recentes, como a inauguração de escolas técnicas, universidades e extensões de campi precisam ser atrelados à figura da chefe da Casa Civil.

    Articuladores do partido desprezam a avaliação de que um discurso voltado para educação não empolga o eleitorado. Citam como exemplo o Prouni, que atende 500 mil jovens carentes matriculados em universidades particulares de todo o país. "Discursar para este público é falar diretamente com um grupo que tem um poder de mobilização política enorme", defende um parlamentar.

    Dirigentes também se debruçam sobre os investimentos em ciência e tecnologia. Nos últimos anos, por esforço próprio do setor acadêmico, cresceu a produção e publicação de textos científicos brasileiros em revistas especializadas internacionais. Vencida a tarefa de estabilizar a economia e apontar os rumos do crescimento econômico, chegou a hora de apostar no conhecimento "para que o país possa dar um salto qualitativo", na avaliação de um integrante do comando de campanha.

    Lula antecipou estas diretrizes, ao incluir os dois setores dentre aqueles beneficiados pelos recursos do pré-sal. "Mas o pré-sal começa a gerar divisas apenas em 2016. Precisamos ter uma política clara para estes setores, com fontes de financiamento efetivas", defendeu o dirigente.

    Falta ainda a elaboração de uma política ambiental e de unificação dos diversos programas sociais. Estes dois últimos ainda estão em fase embrionária. Há cerca de dois meses, Lula, em reunião com aliados próximos, disse que "era preciso dar um discurso social para Dilma". Surgiu lá a ideia de consolidar todos os programas de governo em uma lei única. Na área ambiental, o foco será a água. "Por diversas razões: temos a maior matriz de energia limpa do mundo, o pré-sal e uma costa marítima a ser defendida, o que requer a compra de navios e submarinos nucleares", justificou o petista.

    Ontem, ao chegar a um jantar com o PDT - o primeiro com partidos aliados do governo Lula -, Dilma disse que a base deve ter uma única candidatura. A tese é defendida pelo presidente, mas enfrenta resistências no PSB, que pretende lançar a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Para Dilma, Lula precisa eleger o seu sucessor para assegurar a continuidade das conquistas dos últimos oito anos.

    A ministra teve o cuidado de não afirmar que ela deve ser a única candidata. A tarefa coube ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e ao deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP).

    PSDB pressiona Aécio para aceitar vice de Serra

    Raymundo Costa e Raquel Ulhôa

    A cúpula do PSDB decidiu pressionar o governador Aécio Neves (MG) a aceitar a candidatura a vice na chapa de José Serra, governador de São Paulo, a presidente. Aécio, no entanto, já avisou os dirigentes tucanos que não lhe interessa um acordo, nesse momento. O governador mineiro quer adiar o máximo possível a definição do nome que o partido indicará para candidato à Presidência da República.

    Muito embora a posição de Aécio seja conhecida do PSDB, a intenção da cúpula tucana é disfarçar a pressão sob a forma de "apelos" de líderes, dirigentes regionais e governadores à construção de uma "chapa demolidora", que reuniria São Paulo e Minas Gerais, dois dos três maiores colégios eleitorais do país.

    O governador mineiro, atualmente, está em desvantagem no partido em relação a José Serra. O governador paulista tem o favoritismo no PSDB porque, entre os tucanos, é quem demonstra força nas pesquisas para derrotar a candidata do governo e do PT, a ministra Dilma Rousseff.

    A direção do PSDB até agora deu tudo o que Aécio pediu, como aprovar a realização de prévias e promover debates nos Estados com a presença dos dois pré-candidatos. O objetivo é assegurar a efetiva colaboração de Aécio na eleição de 2010.

    Tanto na eleição de 2002, com José Serra, como na de 2006, o apoio de Aécio ao candidato tucano foi apenas formal. É isso o que os tucanos tucanos pretendem evitar em 2010. Em Roma, onde se encontra, Aécio desmentiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha lhe pedido para não compor uma chapa com Serra e indicar o ex-presidente Itamar Franco para a vaga.

    "Se o presidente Lula, obviamente, tiver algum conselho nesse campo, dará aos seus aliados e não aos seus adversários, até porque ele me respeita e é por isso mesmo que eu o respeito", disse Aécio, segundo sua assessoria.

    Os aliados mais próximos do governador de Minas reconhecem que as últimas semanas não foram boas para Aécio. Ele esperava, por exemplo, por um melhor desempenho da ministra Dilma nas pesquisas. Isso poderia levar Serra a pensar duas vezes antes de trocar uma reeleição considerada garantida por uma eleição incerta a presidente. O desempenho de Aécio nas pesquisas também não é bom, sempre atrás de Dilma Rousseff e Ciro Gomes (PSB).

    A intenção dos tucanos não é só convencer Aécio a aceitar o lugar de vice, mas também José Serra de que, na eventualidade da vitória tucana, assegurar a Aécio uma função importante no governo. Algo como Barack Obama fez com Hillary Clinton, sua principal adversária nas primárias americana, hoje secretária de Estado dos EUA.

    Aécio, no entanto, quer ganhar tempo e deixar qualquer decisão para depois de março. Nesse aspecto, os dois governadores estão de acordo: Serra só quer definir sua candidatura em março. A ansiedade maior é do partido e de seus candidatos nos Estados, que precisam definir os palanques regionais.

    Essa é uma tarefa que, por enquanto, Serra e Aécio preferem deixar a cargo do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, a fim de evitar o desgaste de tomar partido a um ano da eleição. Serra tem sido mais ativo nas negociações regionais e partidárias. Ele costurou o apoio do PV no Rio de Janeiro, agora duvidoso devido ao provável lançamento de Marina Silva a presidente.

    Mas antes de qualquer acordo regional, o PSDB precisa resolver suas demandas internas. O Nordeste, por exemplo, é uma questão aberta. O principal líder do partido no Nordeste, por exemplo, é o senador Tasso Jereissati (CE), que trabalha por Aécio e com o qual Serra precisaria ajustar os ponteiros.

    A cúpula do PSDB gostaria de ter um candidato escolhido antes de novembro, quando vai ao ar o programa partidário dos tucanos no rádio e na televisão, mas a previsão mais otimista é de que um acordo possa ocorrer em fevereiro. Tarde, na avaliação dos tucanos, quando é sabido que o PT avançou na definição do comando da campanha de Dilma, nos seus projetos de internet e já faz sondagens no mercado para contratação de pessoal.

    PSB rebate Marta e defende mandato de Chalita

    O presidente do diretório estadual do PSB de São Paulo, deputado Márcio França, rebateu ontem as declarações da ex-ministra petista Marta Suplicy sobre o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). PT e PSB integram a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marta disse ontem que o PT terá candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes e defendeu o nome do deputado Antonio Palocci (SP). "Há uma percepção [no partido] de que a candidatura Ciro não tem a ver com São Paulo", afirmou Marta.

    Para França, a declaração de Marta reflete mais a opinião pessoal dela do que a visão eleitoral do PT. "Essa é uma coisa muito pessoal dela, não tem a ver com o partido."

    Ciro, que transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, tem sido incentivado por aliados do Planalto a disputar o governo do Estado. Oficialmente, Ciro diz que disputará a Presidência ou cargo nenhum nas eleições. Para convencer Ciro a concorrer em São Paulo, emissários de Lula afirmaram que ele terá apoio incondicional à sua candidatura. Para isso, o PT não lançaria candidato próprio nas eleições.

    Márcio França informou que o partido defenderá o mandado do vereador Gabriel Chalita (PSB-SP) na Justiça. A Executiva do PSDB de São Paulo decidiu na noite de segunda-feira requerer o mandato de Chalita - o vereador mais votado nas eleições municipais de 2008.

    Ontem, Chalita divulgou nota em que atribui a decisão do PSDB às críticas feitas por ele ao governador de São Paulo, José Serra e indaga: "O PSDB acaba de receber vários políticos vindos de outros partidos, entre eles, Rita Camata, Flávio Arns e Geraldo Vinholi. Deveriam eles também perder os seus mandatos?"

    Inicialmente, o PSDB havia informado que não brigaria pelo mandado de Chalita. As declarações de Chalita sobre as restrições impostas pelo governo estadual à abertura das escolas em fins de semana e à extensão para tempo integral teria levado o partido a mudar de ideia.

    A decisão tucana foi elogiada pelo ex-ministro José Dirceu, que criticou o PT por não ter a mesma iniciativa. "O PSDB paulistano está certo ao decidir pedir de volta o mandato de Gabriel Chalita", disse Dirceu em seu blog. Dirceu defendeu que o PT faça a mesma coisa. "O partido [PT] devia ir à Justiça reivindicar os mandatos de quem trocou de legenda até 3 de outubro."



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:30 AM
    [] [envie esta mensagem] []





     

     

     

    Ciro reage ao PT paulista: 'Mudei a contragosto'

    Gerson Camarotti

    BRASÍLIA. O deputado Ciro Gomes (PSB), que trocou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo por pressão do presidente Lula, reagiu ontem às críticas dos petistas paulistas à possibilidade de ele disputar o governo do estado. Lula tenta tirar Ciro da disputa presidencial, para deixar o caminho aberto para a ministra Dilma Rousseff, mas os petistas de São Paulo disseram não abrir mão de ter candidato próprio no estado.


    — Mudei a contragosto (o título eleitoral). Falei que não queria. Isso faz parte de uma estratégia conversada com o presidente Lula. Só estou executando isso. Reafirmo minha disposição de ser candidato à Presidência da República — disse Ciro.

    Anteontem, após reunião do PT, a ex-prefeita Marta Suplicy disse que a candidatura do aliado do PSB não tem a ver com São Paulo e defendeu o nome do deputado Antonio Palocci (PT) para a disputa.Diante da hostilidade do PT paulista, a cúpula do PSB decidiu reforçar o projeto presidencial do partido para 2010. Isso deve criar novas dificuldades aos planos do presidente Lula de tirar Ciro da disputa nacional.Por isso, causou forte contrariedade ao núcleo do governo, em Brasília, a declaração de Marta Suplicy.

    Interlocutores de Lula lembraram que ele trabalhou até o último momento — mesmo quando ainda estava no exterior — para garantir a mudança de domicílio eleitoral do deputado cearense.— Essa hostilidade e esse ataque gratuito da Marta deixam claro o caminho que o PSB tem que seguir. Isso mostra que a candidatura presidencial de Ciro é irreversível — afirmou o vicelíder do governo, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

    — Isso é muito deselegante.

    É natural da Marta. Mas estamos preocupados é com a grande política e com a candidatura presidencial de Ciro — reforçou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

    Apesar de evitar comentar as declarações de Marta, Ciro reafirmou sua disposição de disputar a Presidência: — Sobre isso eu não comento.

    Agora, o quadro político é hostil e favorece o candidato de oposição. Para ganhar, achamos necessária a tática de duas candidaturas da base. Essa eleição não será um plebiscito como ocorre na democracia norte-americana. Nós temos que acumular muito.

    Campanha sobre desaparecidos é encenação, diz ONG

    José Meirelles Passos

     

    Dirigente do Tortura Nunca Mais cobra abertura de arquivos oficiais e cita risco de país ser punido em tribunal da OEA

    O grupo Tortura Nunca Mais definiu como "mera encenação" a campanha publicitária lançada pelo governo federal no último fim de semana. Os anúncios solicitam aos brasileiros que tenham documentos ou informações sobre o período de 1964 a 1985 — a ditadura militar — que os doem ao Arquivo Nacional.

    Para o Tortura Nunca Mais, a iniciativa é parte de uma estratégia para evitar que em breve o Brasil seja condenado pelo tribunal da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, em processos sobre desaparecidos políticos.

    Veiculada em rádio, TV, jornais, revistas e internet, a campanha Memórias Reveladas (www.memoriasreveladas.gov.br) diz que o governo tem uma dívida com as famílias dos desaparecidos políticos, e que elas "têm o direito sagrado de enterrar os corpos dos seus entes queridos".

    Segundo o anúncio, permanecem desaparecidas 140 pessoas que "lutaram e morreram por um Brasil mais justo". E faz um apelo: "Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça".

    A reação dos familiares dos desaparecidos foi contundente, segundo Elizabeth Silveira e Silva, tesoureira e ex-presidente do Tortura Nunca Mais do Rio, cujo irmão (Luiz Renê Silveira e Silva) lutou na Guerrilha do Araguaia e está na lista de desaparecidos:

    — Vemos a campanha como encenação para aliviar um pouco as denúncias que constam do processo em andamento no tribunal da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. É uma maneira de o governo dizer ao tribunal: "Fizemos o que foi possível fazer", quando, na verdade, nada está fazendo.

    Ela lembrou que tempos atrás, quando o processo foi aberto na CIDH, a entidade fez sugestões ao governo para que tomasse providências no sentido de evitar que o caso chegasse ao julgamento na corte internacional.

    Uma delas seria intimar para depor militares que serviram na época, para que revelassem o que sabiam a respeito da repressão contra quem resistia à ditadura militar.

    — O governo deu de ombros, não aceitou a sugestão. Sequer explicou as circunstâncias das mortes. E surpreende com essa campanha. Não vemos vontade política de que esse episódio da História recente seja totalmente esclarecido.

    Desaparecidos - Propaganda custará R$ 13,5 milhões

    Jailton de Carvalho

    Site teve 5 mil acessos em 9 dias; há vários relatos de desova em alto-mar

    A campanha publicitária lançada pelo governo há dez dias, numa tentativa de obter novas informações sobre desaparecidos políticos na ditadura militar, custará R$ 13,5 milhões aos cofres públicos.

    Essa é a verba que a Secretaria de Comunicação da Presidência reservou para bancar a campanha por dois meses, na TV, em rádios, jornais, sites e revistas.

    Com três filmetes, fotos e cartazes, o governo espera estimular a sociedade a fazer doações de arquivos ou revelar informações que ajudem na localização dos mortos ou permitam o esclarecimento de passagens da ditadura.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:11 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

    Gestão Lula contratou 44 servidores por dia

    EDUARDO RODRIGUES

    De 2003 a maio deste ano, foram 160,7 mil contratados; em oito anos de FHC, foram fechadas 97,3 mil vagas, ou 33 por dia

    Gastos com a folha salarial dos funcionalismo devem somar R$ 153,8 bi no ano, superando pela primeira vez, desde 1995, 5% do PIB

    Estudo feito pelo Ministério do Planejamento mostra que, entre 2003 e maio de 2009, foi autorizado o preenchimento de 160,7 mil vagas por meio de concursos, das quais 103,8 mil foram efetivamente ocupadas. Ou seja, o governo Lula contratou, em média, 44,3 servidores por dia nos últimos seis anos e cinco meses.
    Como parte dos contratados substituiu servidores aposentados, mortos ou excluídos da carreira pública por outros motivos, houve o aumento líquido de 57,1 mil funcionários civis no Executivo federal, que conta atualmente com 542.843 postos ativos, o maior número desde 1996 -se forem incluídos os poderes Legislativo e Judiciário, o total de servidores ativos sobe para 661 mil.
    Desde a posse de Lula, o Brasil criou uma média de 24,3 novos postos no Executivo federal por dia. O número contrasta com o resultado do governo Fernando Henrique Cardoso, cuja redução de 97,3 mil funcionários é equivalente ao fechamento de 33,2 vagas a cada dia dos oito anos de mandato do tucano (1995-2002).
    O crescimento de 11,75% no número de vagas criadas no Executivo desde 2003 supera inclusive a estimativa do IBGE para o aumento populacional, de apenas 7,12% no período.

    Educação e segurança
    No estudo, o ministério argumenta que o aumento de pessoal tem como objetivo melhorar o desempenho da administração pública e suprir carências de áreas em expansão, como a educação. O setor foi o que apresentou maior crescimento, com a abertura de 29,2 mil vagas no período, sendo 14,8 mil para professores.
    Também houve aumento considerável nas carreiras ligadas ao Ministério da Justiça, sobretudo para a Polícia Federal, onde houve a criação de 3.631 postos para agentes, escrivães, delegados e peritos.
    Mas, enquanto a saúde foi contemplada com o aumento de apenas 1.410 servidores, a AGU (Advocacia-Geral da União) recebeu o incremento de 7.233 profissionais, entre procuradores e advogados.
    Segundo o estudo, o reforço seria imprescindível "em virtude da necessidade de boa defesa judicial para fazer frente ao constante crescimento das lides envolvendo a União".
    Procurado, o Ministério do Planejamento não havia comentado os dados do estudo até o fechamento desta edição.
    Para Felipe Salto, economista da Consultoria Tendências, ainda que a divulgação dos dados tenha um importante fator de conferir transparência à administração federal, a ampliação da máquina pública não é justificável. "Aumentar ainda mais o excesso de servidores cria um impacto nas despesas que se manterá nos próximos anos", explica.
    Segundo a previsão do governo, os gastos com a folha salarial dos funcionários públicos devem bater na casa dos R$ 153,8 bilhões em 2009, ultrapassando pela primeira vez, desde 1995, a marca de 5% do PIB. Salto alerta que essa conta pode estourar durante as próximas gestões.

    Festa dos nanicos

    Editorial

    Nova legislação eleitoral aumenta restrições aos debates e ao noticiário no rádio e na TV e beneficia candidaturas de aluguel

    ENGANA-SE quem imaginar que a disputa pela Presidência dos EUA, no ano passado, deu-se apenas entre o candidato democrata, Barack Obama, e o republicano, John McCain. Agremiações das mais diversas, como o Partido da Lei Seca, o Partido da Constituição, o Partido Libertário e o Partido Socialista dos Trabalhadores participaram do pleito.
    Dificilmente atrairia apoio a ideia de que tais candidaturas devessem ter direito ao mesmo destaque obtido por Obama e McCain no rádio e na televisão. Seria na prática impossível atender a tal exigência -uma vez que, em qualquer democracia vigorosa, a tendência vai no sentido de se produzirem tantos partidos e candidatos quanto o desejar a imaginação humana.
    Bem diversa, como se sabe, é a cultura política brasileira. A cada eleição, criam-se novas leis e regulamentações tratando de impor ao livre debate entre os candidatos uma lógica puramente cartorial e paternalista. Uma isonomia postiça se cria entre os chamados candidatos nanicos e os que possuem real representatividade no eleitorado.
    Foi um notável progresso, dentro desse quadro cronicamente restritivo, o veto do presidente Lula a algumas determinações da minirreforma eleitoral aprovada no Congresso, que visavam a restringir a realização de debates na internet. Prevaleceu a convicção de que a rede, por não ser concessão do Estado, não pode ser enquadrada no regulamento do rádio e da TV -que ademais atuam numa banda eletromagnética restrita.
    O avanço nesse enfoque veio acompanhado, entretanto, de um grave retrocesso no que diz respeito à mídia eletrônica tradicional. A legislação já vinha limitando de forma excessiva a cobertura das campanhas eleitorais: determinava-se que o noticiário de rádio e TV concedesse igual tempo para todos os candidatos, mesmo os nanicos, nos três meses anteriores ao pleito.
    Com a minirreforma, a regra terá de ser obedecida em qualquer ocasião, em qualquer período. A tutela ultrapassa, assim, qualquer limite.
    Nada há de incorreto na preocupação de assegurar um mínimo de igualdade de condições entre candidatos a um cargo eletivo. Apesar de suas muitas distorções, a existência de um horário eleitoral gratuito no rádio e na TV não deixa de ser um mecanismo útil nesse sentido.
    Mas a proteção paternalista a candidatos inexpressivos serve apenas para dificultar o acesso dos cidadãos às informações e às ideias que realmente o interessam em cada disputa eleitoral. A discussão política degenera num espetáculo constrangedor e paradoxal: uma formalidade caótica se instaura no lugar de um embate claro entre propostas alternativas de governo.
    Legendas e candidaturas de aluguel surgem, assim, das próprias facilidades concedidas por uma legislação cartorial. A distorção se estende, agora, além dos três meses oficiais de campanha política: é a festa dos nanicos, em prejuízo do eleitor.

    PSDB estuda meio para tirar mandato de Ciro

    CATIA SEABRA

    Tese é que, se há risco de cassação na troca de sigla, também deve haver para mudança de domicílio, já que Estado perde representante

    Advogado de Ciro em 2002, Torquato Jardim afirma que "domicílio é requisito para a candidatura, não para o exercício do mandato"



    O PSDB estuda instrumento legal para suspender o mandato do deputado federal Ciro Gomes (PSB). Sexta-feira, Ciro transferiu o domicílio eleitoral do Ceará, onde se elegeu deputado, para São Paulo, deixando aberta a hipótese de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.
    Endossada pelo advogado Ricardo Penteado -responsável pela assessoria jurídica de campanhas do PSDB- a tese no tucanato é que, num momento em que a troca de partido já impõe risco de cassação, Ciro está sujeito à suspensão do mandato porque, com a transferência, o Ceará perdeu um representante na Câmara. Passou de 22 deputados para 21.
    Pela tese, Ciro poderia disputar o governo de São Paulo. Mas sem o mandato de deputado.
    O PSDB resiste à ideia de tomar uma iniciativa, torcendo para que parta de um eleitor do Ceará. Mas o tucanato poderá dar o primeiro passo ao apresentar um pedido de cassação do mandato do deputado Geraldo Tenuta, o bispo Ge.
    Eleito pelo DEM de São Paulo, filiou-se ao PMDB baiano. Como em 2006 PSDB e DEM estavam coligados, o vereador tucano Carlos Alberto Bezerra é o primeiro da fila.
    Pela proposta, PSDB e DEM apresentariam um requerimento conjunto para a recuperação de mandato. O DEM, sob o argumento de quebra de fidelidade partidária. O PSDB, por conta da transferência do domicílio eleitoral.
    Consultado por Bezerra, o presidente do PSDB, Mendes Thame, autorizou pedido de cassação. Segundo tucanos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, também teriam avalizado. Bezerra preferiu não comentar.
    No Twitter, Nunes Ferreira criticou a troca de "eleitorado" de Ciro: "Imagine se o presidente da República resolve mudar para o Paraguai".
    Procurado pela Folha, Penteado reiterou a opinião de que Ciro pode perder o mandato. Lembrando que, legalmente, a Câmara é formada por "representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional em cada Estado", ele diz que "o domicílio eleitoral do deputado é essencial para efeito da representação do povo que o elegeu".
    "O Ceará perdeu um representante, e cabe à própria Mesa da Câmara proclamar a vacância do cargo e prover o seu preenchimento na forma da lei", argumentou Penteado.
    Ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e advogado de Ciro na campanha de 2002, Torquato Jardim diz que esse é o "terrorismo da oposição". "Domicílio é requisito para candidatura. Não para exercício do mandato", disse.
    Sem querer se identificar, um ex-ministro do TSE diz que a transferência pode ser objeto de contestação.
    O ex-deputado tucano Márcio Fortes afirma que, "se a troca de partido pode causar perda de mandato", a situação de Ciro ainda é mais delicada. "Mas isso não nos diz respeito. Qualquer eleitor do Ceará pode procurar o Ministério Público e dizer: "Temos um deputado a menos"."



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:04 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

     

    Painel - Renata Lo Prete

    CLS no forno

    Lula marcou para sexta-feira a primeira reunião em que discutirá com os ministros da área social seu objetivo de perenizar em lei os principais programas sociais do governo. O presidente já percebeu que, no que depender dos ministros, todos os programas de suas respectivas pastas seriam embarcados no projeto da CLS (Consolidação das Leis Sociais). Ele, porém, avalia que o processo terá de ser mais seletivo.
    Lula quer ouvir a opinião de especialistas. Foram marcadas exposições dos economistas Ricardo Paes de Barros e Marcelo Néri. Por ora, já estão garantidos na CLS o Bolsa Família, o Pronaf (agricultura familiar) e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).


    Outro lado. Aécio Neves considera "fantasiosa e leviana" a informação de que Lula o aconselhou, em encontro na semana passada, a não aceitar ser de vice na chapa do também tucano José Serra. "Sou adversário político do presidente, mas nos respeitamos. Ele jamais me diria isso."

    Que tal? No governo, há quem defenda investir na aprovação da PEC da Bengala como forma de poder dar a Michel Temer (PMDB), 69, a opção de assumir uma cadeira no STF, deixando em aberto para negociação o posto de vice de Dilma Rousseff (PT).

    Falta combinar. Mas os entusiastas da ideia não explicam em qual vaga do Supremo Temer seria instalado. Se aprovada, a emenda tornaria desnecessária a aposentadoria de Eros Grau em 2010.

    Mimo. Em jantar ontem, o PDT levaria a Dilma pesquisa na qual ela aparece à frente de Serra (39,6% a 13,3%) entre filiados da Força Sindical.

    Ontem e hoje. Em 2006, Anthony Garotinho (PR) escreveu a carta "Por que, como cristão, não voto em Lula". Anteontem, acompanhou Dilma à Assembleia de Deus.

    Contraditório. Enquanto adversários exibem pesquisa na qual Ciro Gomes (PSB) lidera a intenção de voto para presidente em Santa Catarina, o governador Luiz Henrique, do PMDB serrista, tem outro levantamento, com os seguintes números: Serra (42%), Ciro (15%), Dilma (14%) e Marina (9%).

    Grid. Na sucessão estadual, o quadro é embolado: Ângela Amin (PP, 25%), Raimundo Colombo (DEM, 18%), Leonel Pavan (PSDB, 16%), Ideli Salvatti (PT, 15%) e Eduardo Pinho Moreira (PMDB, 7%).

    Bancada do suco. A Cutrale, defendida com veemência por deputados e senadores depois de ter visto um de seus laranjais destruído pelo MST, injetou R$ 2 milhões em campanhas de congressistas nas eleições de 2006. No ano passado, foram R$ 340 mil.

    Flores. Eduardo Suplicy (PT) provocou a ira de Kátia Abreu (DEM) ao tentar votar contra um projeto ruralista sem ser membro da comissão. "Estou só expressando meus sentimentos", desconversou.

    Estrelas. Na reta final da temporada de trocas partidárias, Dudu Braga, filho de Roberto Carlos, trocou o DEM pelo PTB em São Paulo.

    Panelaço. Depois do FPM, a nova ofensiva da Confederação Nacional de Municípios é pela aprovação de um projeto no Senado que flexibiliza a Lei de Responsabilidade Fiscal.

    CSI. Países do Mercosul vão implantar laboratórios de produção de provas qualificadas para investigações de crimes transnacionais. O Brasil tem laboratórios em nove Estados. Em 2008, partiu de um deles informação que permitiu desbaratar ação do PCC.

    com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

    Tiroteio

    Todo brasileiro tem a ver com São Paulo, que acolhe bem pessoas do país todo. Ainda mais o Ciro, que é paulista. Mas Marta pode dormir sossegada, porque ele é candidato a presidente. Do senador RENATO CASAGRANDE (PSB-ES), em resposta à ex-prefeita Marta Suplicy (PT), para quem a eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual "não tem a ver com São Paulo".

    Contraponto

    Moral da história

    Ao defender no Senado seu parecer contrário à entrada da Venezuela no Mercosul, Tasso Jereissati (PSDB-CE) citou uma obra que acabara de ler sobre a posição de Pio 12 diante do avanço do nazismo. Comparou esse evento histórico à atitude de Lula para com Hugo Chávez. O colega Pedro Simon (PMDB-RS) protestou:
    -Li um livro melhor, sobre São Francisco de Assis!
    -Mas eu vou lhe dar o do papa!- insistiu o tucano.
    -Não! Eu é que vou lhe entregar o de São Francisco!
    Heráclito Fortes (DEM-PI) resolveu mediar o conflito:

    -Entendi... É dando que se recebe, certo, senadores?

    A maldição do PMDB

    Fernando Rodrigues

    Faltam menos de 12 meses para a eleição de 3 de outubro de 2010. Todos os políticos já estão em seus partidos definitivos. Agora, as conversas sobre alianças vão se concentrar sobre o mais relevante: quem terá mais tempo de TV no horário eleitoral.

    Quando Lula insiste no plano de ter o PMDB apoiando Dilma Rousseff para presidente, o interesse é o tempo de televisão que os peemedebistas podem oferecer. Nada mais. Até porque Michel Temer ou Henrique Meirelles, possíveis vices de Dilma, têm pouco a contribuir em termos de votos.
    Essa é a razão do preço altíssimo pago por Lula até agora para manter viável essa possibilidade inédita de aliança no plano nacional entre PT e PMDB. Os peemedebistas dobram o tempo de Dilma na TV em 2010. Como poder atrai poder, outras siglas tendem a se animar a ingressar nesse condomínio. Nas contas otimistas do comando petista, a candidatura governista ao Planalto pode ficar com algo entre 50% e 70% de todos os comerciais na campanha televisiva em 2010.
    Seria um rolo compressor difícil de ser superado, sejam quais forem os concorrentes. Na ponta pessimista dessa estratégia petista está a dificuldade histórica de o PMDB conseguir se acertar nacionalmente para apoiar algum candidato ao Planalto. Aliás, é necessário lembrar, toda vez que isso aconteceu deu errado.
    Os dois únicos candidatos a presidente do PMDB até hoje foram derrotados -Ulysses Guimarães, em 1989, e Orestes Quércia, em 1994. Em 1998, o partido não participou da disputa. Em 2002, apoiou José Serra e perdeu. Em 2006, novamente não entrou no páreo. Ou seja, Lula tem dois desafios à frente. Primeiro, convencer o PMDB a bandear-se para o PT. Segundo, quebrar a maldição peemedebista de sempre colocar a sigla do lado derrotado em disputas presidenciais. Será algo inédito.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:55 AM
    [] [envie esta mensagem] []






     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:50 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

     

    Dora Kramer

    Certificado sem garantia

    Estava marcada para ontem à noite a emissão do certificado da aliança entre PT e PMDB na eleição presidencial, embora nenhuma das partes esteja em condições plenas de assegurar à outra o cumprimento do acordo de divisão da chapa apoiada pelo presidente Luiz Inácio da Silva entre Dilma Rousseff, candidata a presidente, e Michel Temer de vice.

    Tenha sido sacramentado ou não o compromisso no jantar aprazado, tanto faz, porque nada haveria de perene, que resistisse à ação do tempo, além do retrato de Lula com a turma em clima de comemoração.

    Empenhar a palavra é uma coisa, executar a ação tal como o combinado é que são elas.

    Ao preço de hoje, o presidente da República e a cúpula do PMDB acertam a venda de terrenos na Lua, baseados nos interesses de cada um, sustentados na premissa da obtenção da maior vantagem possível sobre o parceiro.

    Vejamos o que propõe o PMDB: que o PT lhe garanta a vaga de vice a fim de que tenha como companheiro de chapa influência suficiente para negociar as alianças regionais para as eleições de governador e disponha mesmo do poder de atrapalhar o plano no âmbito nacional caso o companheiro crie problemas.

    Se ainda não ficou claro o suficiente, o PMDB está propondo ao PT que lhe abra espaço para azucrinar sua vida, aí incluída a possibilidade de ameaçar explodir a aliança presidencial se necessário for.

    A direção do PMDB teve essa ideia quando se convenceu de que Lula não atenderia à proposta anterior de enquadrar o PT aos costumes mais convenientes aos pemedebistas nos Estados.

    Ao contrário do prometido não faz dois meses, o PT vai armando seus palanques sem dar muita atenção (propositadamente?) às promessas feitas oficialmente pela direção do partido nos jornais. Em português claro: o PMDB entendeu que o PT está "enrolando".

    É o termo exato usado pelos dirigentes pemedebistas - governistas e oposicionistas -, cuja convicção só manifestada em privado e sob garantia de anonimato é a de que o presidente Lula está a par e avaliza a embromação.

    Pudera. Do ponto de vista do PT - o único a partir do qual o partido pode fazer análise de estratégias sem tornar-se um anexo do PMDB -, não há uma única vantagem em fechar o, digamos, negócio agora.

    Em tese, garantiria os seis ou sete minutos de acréscimo no tempo de rádio e televisão. Mas teria assegurado o apoio incondicional da máquina do PMDB?

    Por bem mais que uma vaga de vice, o PMDB já deixou no ora veja candidatos próprios a presidente: Ulysses Guimarães e Orestes Quércia. José Serra, candidato a presidente em 2002 na companhia oficial do partido, viu dessa missa mais que a metade.

    Faltassem provas da firmeza ideológica do PMDB, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo, está nos jornais a fornecer uma bem substanciosa: "Se não tivermos a vice, apoiamos o Serra." Simples, assim.

    Tenda dos milagres

    Com o vale tudo pelo eleitoral operando a conversão religiosa da ministra Dilma Rousseff, a agenda segue cheia: já havia sido a Igreja Renascer, segunda-feira foi a Assembleia de Deus, sexta-feira será a missa na Igreja do Bonfim, na Bahia, domingo a procissão do Círio de Nazaré, no Pará.

    A romaria da semana que vem inclui uma visita ao recém-nascido filho de Ivete Sangalo, em Salvador, faltando para fechar o circuito, uma escala no Gantois, para reverência a Mãe Carmen, filha e sucessora de Menininha depois da morte de Creuza, a irmã mais velha.

    E, se houver receptividade, a Mãe Stela, sacerdotisa do Axé Afojá, o terreiro mais antigo e tradicionalista da Bahia.

    Malvadeza durão

    "Maioria" dos gaúchos é maneira de dizer. A quase totalidade dos gaúchos, 74%, desaprova o governo Yeda Crusius. O índice de aprovação fica na casa dos 20%.

    Arredondando números, 80% não estariam dispostos a reconduzir a governadora ao posto em 2010. Um fenômeno respeitável, ainda mais se tomarmos como medida a palavra de especialistas segundo os quais 40% de rejeição é o máximo que suporta alguém com intenção de se eleger.

    Não bastasse, o partido da governadora, PSDB, quer apoiar o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), na eleição estadual. Natural, então, que o tucanato preferisse ver Yeda fora do páreo para a reeleição.

    Mas as coisas não se passam assim. Como Fogaça não quer o apoio da governadora, o PSDB acha melhor que ela concorra. Isolada e, na percepção dos correligionários, para perder.

    Redução de dano

    O chanceler Celso Amorim deu um jeito de amenizar o vexame do apoio à candidatura derrotada do egípcio antissemita Farouk Hosni, para a Unesco.

    Diz que graças a isso o Rio levou as Olimpíadas de 2016 com o voto dos árabes.

    Sarney defende acúmulo de salários

    Carol Pires e Denise Madueño

    O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), defendeu a regulamentação do chamado "salário dúplex" a senadores e deputados, que recebem pagamento como parlamentar, além da aposentadoria de emprego anterior. Ele destacou, porém, que a soma dos rendimentos não deve superar o teto constitucional de R$ 25,7 mil, pago a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Para Sarney, é preciso definir como as fontes pagadoras repartirão o excedente. "Estamos só esperando a regulamentação, porque a decisão já está tomada. E o teto tem de ser obedecido", disse Sarney ontem, referindo-se à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de que os "salário dúplex" pode continuar sendo pago.

    Sarney, que recebe como ex-governador do Maranhão e ex-servidor do Tribunal de Justiça, é um dos beneficiados por "salário dúplex". O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), também: além de deputado, ganha como ex-procurador de São Paulo. "É corretíssima a decisão do TCU", disse Temer, defendendo a regulamentação da forma de compensação. "Sou (um dos que recebem acima do teto) e certamente mais 5 mil, 10 mil, 15 mil servidores em todo o País."

    Dirigentes do PSB entram com recurso contra ingresso de Skaf

    Tatiana Fávaro

    Representantes do movimento sindical filiados ao PSB entraram com recursos contra a entrada do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no partido. O empresário, que assinou no dia 30 a filiação à sigla, é cotado para disputar a sucessão ao governo paulista na eleição de 2010.

    Nos recursos levados aos diretórios municipal e estadual do PSB, em São Paulo, integrantes do PSB de Campinas alegaram que Skaf é um dos principais líderes patronais do País, que tem se pronunciado contra iniciativas de trabalhadores e que a Fiesp é a patrocinadora do projeto que levou os "neoliberais" ao poder.

    O presidente estadual do PSB, Márcio França, disse que os filiados têm direito de pedir a impugnação. "Mas é um equívoco achar que somos um partido que não pode ter empresário", disse. Segundo França, Skaf concordou com as diretrizes do PSB antes de entrar na legenda.

    O presidente da Fiesp informou, por meio da assessoria de imprensa, que respeita o posicionamento dos sindicalistas, mas vai aguardar manifestação do partido.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:46 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

     

    Em nota, Chalita acusa PSDB de tentar calá-lo

    GUSTAVO URIBE - Agencia Estado

    SÃO PAULO - O vereador Gabriel Chalita (PSB-SP) divulgou nesta tarde nota à imprensa em que acusa o PSDB de ter tentado calá-lo durante sua trajetória política na sigla. "Mesmo tendo sido o vereador mais votado do Brasil, não tive voz nem voto em qualquer instância partidária", afirmou.

    "Essa falta de respeito atinge todos os que me honraram com seus votos", lamentou. O vereador assegurou ainda que, por respeito aos seus eleitores, lutará por seu mandato, sinalizando que deve entrar com pedido de justa causa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Chalita trocou o PSDB pelo PSB na semana passada e deve concorrer ao Senado Federal em 2010. Em um primeiro momento, lideranças tucanas haviam decidido não entrar numa disputa jurídica pelo mandato do vereador. A situação tomou um novo rumo, no entanto, no início desta semana, quando a executiva do diretório municipal do PSDB em São Paulo decidiu reaver na Justiça Eleitoral o mandato de Chalita. O que motivou a mudança, na avaliação de líderes da legenda, foram as críticas feitas por Chalita à gestão do governador José Serra na área da Educação.

    Na nota enviada à imprensa, Chalita renovou os ataques ao governo Serra. O vereador acusa o governador de fechar "a metade das escolas em finais de semana", solapando o programa Escola da Família, criado por Chalita quando era secretário da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP). "Serra diminuiu as (escolas) de tempo integral, além de não dar aos professores o devido valor", criticou. "Não posso concordar com isso. O atual comando do PSDB contraria as posições históricas de Franco Montoro e Mário Covas e se opõe ao próprio programa da Social Democracia."

    Chalita também fez questão de replicar as acusações do presidente municipal do PSDB em São Paulo, José Henrique Reis Lobo, para quem o vereador "nunca teve uma atividade partidária muito intensa". "Jamais faltei a uma sessão da Câmara. Jamais negligenciei o trabalho nas comissões. Sempre mantive as portas de meu gabinete abertas", defendeu-se. "O presidente do partido disse que o que pesou em favor da decisão de ir à Justiça foram as críticas a Serra. Isso é democracia?", questionou.

    Chalita também provocou os tucanos em relação a políticos que trocaram as suas respectivas siglas para ingressar no PSDB até o último sábado, prazo final para que candidatos no pleito de 2010 se filiassem à legenda pela qual disputarão a corrida eleitoral. "O PSDB acaba de receber vários políticos vindos de outros partidos, entre eles Rita Camata (ex-PMDB), Flávio Arns (ex-PT) e Geraldo Vinholi (ex-PDT). Deveriam eles também perder os seus mandatos?", questiona.


     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:04 PM
    [] [envie esta mensagem] []






     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:52 PM
    [] [envie esta mensagem] []






     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:42 PM
    [] [envie esta mensagem] []




    Terra
    AFP
    Descobertas maiores pegadas de dinossauros do mundo
    Foto: AFP
    Arqueólogos amadores encontram maiores pegadas de dinossauro do mundo, confirmadas por especialistas na terça-feira

    Paleontólogos observam pegada de dinossauro na montanha do Jura, na França

    As maiores pegadas de dinossauros conhecidas até hoje, correspondendo a animais de 25 m de comprimento, pesando de 30 a 40 t, foram descobertas por paleontologistas franceses na montanha do Jura (nordeste da França), anunciou o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, sigla em francês) nesta terça-feira em comunicado.

    Descobertas em abril passado na localidade de Plagne, as pegadas "são muito grandes, com diâmetro total de até 1,50 m", afirmou o CNRS. As pegadas foram conservadas em uma camada de pedra calcária de 150 milhões de anos, "período em que a área era coberta por um mar quente e pouco profundo", explicaram os pesquisadores Jean-Pierre Mazin e Pierre Hantzpergue, da Universidade de Lyon 1.

    "A descoberta destas pegadas mostra que os saurópodes (dinossauros herbívoros de quatro patas), passearam durante uma fase de emersão da região, quando o nível do mar tinha baixado", afirmaram os especialistas. "De acordo com os pesquisadores, estas pegadas de dinossauros seriam as maiores do mundo", prosseguiu o CNRS.

    "As pistas formadas por estas pegadas têm dezenas, até centenas de metros de comprimento. Pesquisas mais aprofundadas serão realizadas nos próximos anos", acrescentou.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:17 PM
    [] [envie esta mensagem] []





     

     

     

    Dilma discursa em culto com Garotinho

    Adauri Antunes Barbosa e Walter Ogama

    Em culto, Dilma pede fé no crescimento do país

    Ministra mistura política com religião em discurso na Assembleia de Deus, ao lado de Garotinho e petistas

    Ministra recebe o PDT para jantar em sua casa

    Luiza Damé

    BRASÍLIA. Após receber alta médica, há dez dias, e diante das pesquisas que indicam estagnação e queda de suas intenções de voto, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mergulhou novamente na sua pré-campanha para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de uma agenda com mais compromissos fora do gabinete e de Brasília, a ministra começa a comandar pessoalmente reuniões com partidos aliados. Hoje à noite, abre as portas de sua casa, na capital, para um jantar com o PDT, seu antigo partido. No cardápio, eleições de 2010.

    A pesquisa CNI/Ibope divulgada no dia 22 de setembro mostrou queda de três a quatro pontos percentuais na preferência dos eleitores por Dilma. A nova atitude da ministra agrada aos aliados, mas a garantia do apoio formal à sua candidatura depende de muita conversa.

    O PDT quer, como outros aliados, compromissos de Dilma e do PT para eventual aliança nacional.

    O partido vai para o encontro com três possibilidades: candidatura própria, apoio ao pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, e aliança com Dilma.

    “Há no PDT uma tendência pró-Dilma”, diz deputado Segundo o deputado Vieira da Cunha (RS), atual presidente do PDT, o partido vai para ouvir o que a ministra tem a dizer: — Há uma possibilidade real e concreta de (o PDT) apoiá-la, mas a decisão não é automática.

    Precisamos ouvi-la, saber das propostas e da participação do PDT. Há no PDT uma tendência pró-Dilma, mas não definição.

    Antigo companheiro de Dilma no PDT gaúcho, Vieira da Cunha (RS) diz acreditar que a candidatura da ministra é competitiva.

    O encontro do PDT com a ministra foi pedido pelo partido no início do ano e ficou suspenso durante o tratamento contra o câncer. Semana passada, Dilma falou por telefone com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, com o líder do partido na Câmara, Dagoberto Nogueira (MS), e com o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, para marcar o jantar.

    Paulinho disse esperar que o PDT saia do encontro com Dilma cacifado para indicar o vice de Dilma, e cita o nome de Carlos Lupi. Nas articulações comandadas por Lula, o cargo fica com o PMDB.

    — Vamos conversar. Além do PMDB e do PSB, o PDT tem de ser considerado na escolha do vice. E o nome do ministro Lupi, também.

    O carioca vai renascer

    Arnaldo Jabor

    Com as Olimpíadas, o Rio passou a ter futuro

    Meu avô estava velhinho, quando me disse com os olhos úmidos: “É chato morrer, meu neto, porque eu nunca mais vou ver a Avenida Rio Branco!” Foi um pungente sentimento carioca.
    Era na Avenida que ele me levava, para tomar frapé de coco na Casa Simpatia.
    Para fazer meu filme, recentemente, andei por todos os subúrbios e vi com horror a decadência, não digo dos miseráveis, mas da classe média sem rumo, sem dinheiro, sem desejo. Não quero falar dos ratos políticos que destruíram a cidade nas últimas décadas, não, isso é conhecido em nossa vergonhosa História. Mas sinto que, depois de décadas de críticas contra a óbvia catástrofe urbana, alguma consciência civil já se consolidou. Se houver transparência nas obras de infraestrutura, sem roubos, podemos ter um novo futuro, legado até pelo acaso dos votos de uma comissão dinamarquesa. Agora, nós, cidadãos, temos de vigiar a execução de um sonho, impedindo superfaturamentos, desvios de recursos, para que as Olimpíadas não sejam pretexto para aventureiros.
    De qualquer forma, uma morta ressuscitou: a esperança. E, como vão revitalizar o Porto e a Lapa, o humor dos cariocas também pode renascer.
    Mas aqui não quero listar saudades. Claro que me lembro do bonde entrando na Galeria Cruzeiro, sob a chuva, no carnaval, claro que me lembro do tempo em que as geladeiras eram brancas, e os telefones eram pretos, como definiu Rubem Braga, mas não me interessa o tempo — apenas o “espaço” do Rio, as coisas que vejo desde criança como carioca do Meyer, da Urca e de Ipanema: cores, cheiros, ventos da terra e do mar, sal e peixes, súbitas luzes, súbitas brumas, súbitas “brahmas”. Assim como Salvador flutua sobre o olho do oceano, o Rio tem um espaço que nos define e desenha.
    Sei que corro o risco da subliteratura, mas enfrentá-lo-ei de testa alta.
    Vejo a púrpura que colore por instantes a Lagoa antes do crepúsculo, nos dias em que a água é um espelho sem uma onda, sem um peixe saltando, ouço os quartetos de cigarras abrindo o verão, vejo o esquilo atravessando a Estrada das Canoas, a cotia do Campo de Santana farejando perigo, ando sob a chuva quente que faz subir vapor nas calçadas, vejo as flores dos flamboyants caindo como gotas de sangue, vejo uma garça magra e branca como um manequim em desfile caminhando no Jardim de Alá, olho os imensos granitos de 500 milhões de anos atrás de minha casa, onde os dinossauros se aqueciam, contemplo os urubus dormindo na perna do vento do Corcovado e um teco-teco vermelho passando entre eles, anoto as nuvens rosas no Pão de Açúcar em fins de tarde, a cara do imperador assírio na Pedra da Gávea.
    Apesar do tráfico e da violência, há nos morros uma sabedoria calma de velhos sambistas, há Zeca Pagodinho e tudo que ele preservou, há os poéticos caixotinhos dos apontadores dos bicheiros, vendendo apostas nas esquinas em calmas conversas com aposentados, há as frutas, os legumes, as gargalhadas dos feirantes nas manhãs, há a malandragem, o tom debochado do carioca sabido, o arrastado sotaque que evoca a desconfiança nos poderes da capital que já fomos, ritmos e gestos nascidos nos balcões de secretarias desde os tempos do Rei, sotaque curvo como a paisagem arredondada, oscilando em negaças e volteios, a fala marcada por sambas, metáforas vivas condensando morte e amor, cachaça, empada, navalha, bilhares e futebol. Entre a fórmica, os sujos grafites e os edifícios boçais, dá para ver ainda pedaços dos anos 50, restos de uma delicadeza perdida, as anedotas que se renovavam a cada semana, com papagaios e portugueses, piadas que morreram e que podem renascer. Há, sim, uma beleza em nossas fragilidades, no “samba, na prontidão e outras bossas que são coisas nossas...”, há a poética dos camelôs, objetinhos insignificantes nos tabuleiros, há também, apesar da decadência, uma satisfação cotidiana nos subúrbios, uma alegria desesperançada, uma aceitação das impossibilidades, diferente dos lamentos utópicos de inocentes do Leblon; há, sim, o jeito de andar das cariocas (olha o jeitinho dela andar), hoje com barrigas de fora e calças apertadas, sim, uma sexualidade forte não de celebridades de plantão, mas das gostosíssimas comerciárias e bancárias ao fim do expediente no Centro, há o prazer de amar a cidade de novo, principalmente depois que o prefeito derrubou o muro da vergonha do Cesar Maia no poético Bar 20, onde o bonde fazia a curva desde o início dos tempos (só falta derrubar a piroca de plástico do Casé), há a tragédia da miséria em toda parte, sim, mas entre os raios da tristeza, há os inúmeros grupos de choro e samba, tocando anônimos nos botequins e sob sovacos de morro, há uma alegria soterrada que pode reflorir daqui para a frente, para além da excessiva euforia das escolas de samba, uma alegria mais discreta e verdadeira, há a alma de Nelson Rodrigues entre botequins e negões, que diria que, depois da vitória em Copenhague, os cariocas são “príncipes e Napoleões tropeçando nos próprios mantos de arminho”, não mais vira-latas; há coisas ínfimas que só o carioca vê, detalhes tão pequenos de nós dois, há um velho Rio cultural, com cinema, teatro, música, que decaiu mas que pode renascer, há uma preguiça sábia, diferente da paranoia paulista, há uma preguiça para além do ócio ou do desemprego, a preguiça das conversas, de um ritmo sem capitalismo, há restos de trilhos de bonde entrevistos nas falhas do asfalto, há a cidade desenhada sobre um corpo de mulher, tudo é redondo, doce, as montanhas da Barra são mulher, as curvas, tudo mulher, há a linha infinita da Restinga de Marambaia à Joatinga, linha frágil que divide o mar ao meio, e finalmente há até a poética da sujeira, da zorra total, do baixo mundo, há a putaria poética em Copacabana entre putas, veados, aloprados, lunfas, potrucas, michês, miquimbas e cafifas, todos num desabrigo corajoso e batalhador.

     SÃO PAULO e LONDRINA (PR). A ministra Dilma Rousseff, précandidata do PT à Presidência em 2010, misturou política e religião ontem à noite, em São Paulo, ao participar de culto da Assembleia de Deus. Discursando no púlpito do templo, para cerca de quatro mil pessoas, ela comparou a fé dos fiéis da igreja com a fé que as pessoas devem ter no desenvolvimento do país.

    — Lembro aqui as palavras do profeta João: “Vim para que todos tenham vida em abundância.” Esse é o sonho que nos une a todos aqui — disse Dilma, afirmando que falava em nome do presidente Lula.

    Acompanhada pelo novo ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e pelo presidente estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, Dilma mencionou até a conquista do Rio, que sediará as Olimpíadas de 2016. Segundo ela, o governo tem feito do país “um vencedor em todo o mundo”.

    — As Olimpíadas podem ser consideradas um momento de paz e de confraternização especial, como este aqui. E é isso que estamos fazendo com o país, uma grande Olimpíada que estamos vencendo a cada dia, vencendo com fé — disse Dilma, a última a falar, antes do presidente da Assembleia de Deus, o pastor José Wellington Bezerra da Costa, o homenageado, que comemorava 75 anos.

    O mestre de cerimônia do culto, José Wellington Bezerra da Costa Junior, filho do pastor, pediu que todos os presentes dessem um “amém” à ministra.

    Dilma recebeu uma bíblia de presente e ficou no púlpito acompanhando as orações. O ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ), pré-candidato ao governo do Rio, também participou do culto e abraçou Dilma.

    Em Ipatinga, Minas, a senadora Marina Silva (AC), pré-candidata a presidente pelo PV, também participou de culto da Assembleia de Deus.

    De manhã, em Londrina, no Paraná, a Dilma foi a estrela na assinatura de contrato do programa Minha Casa, Minha Vida, com a presença de vários ministros.

    Em clima de campanha, ela foi recebida como representante de Lula por um público de mil pessoas, formado por aspirantes à casa própria, funcionários públicos e políticos. O prefeito Homero Barbosa Neto é pedetista.

    Ciceroneada pelo ministro londrinense Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma teve a companhia de Márcio Fortes (Cidades) e José Gomes Temporão (Saúde), além da presidente da CEF, Maria Fernanda Ramos Coelho.

    Também foi acompanhada por um senador, o vice-governador paranaense, Orlando Pessutti, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores.

    Moradores da periferia de Londrina chegaram cedo ao pátio da prefeitura, em ônibus patrocinados por empresas parceiras do programa habitacional do governo.

    Nos discursos, os participantes enfatizaram o papel de Dilma na consolidação do programa habitacional e elogiaram Lula.

    Assim como na Assembleia de Deus, Dilma também comparou o evento a uma vitória como a conquista das Olimpíadas.

    — A conquista brasileira é fruto de uma união nacional, assim como o programa de moradias para a população de baixa renda, que é resultado da mobilização das forças políticas brasileiras — disse a ministra.

    Depois, a comitiva de ministros seguiu para a Santa Casa de Londrina, onde o ministro Temporão assinou a liberação de R$ 27 milhões para convênios



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 12:29 PM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

     

    RECEITA APERTA FISCALIZAÇÃO SOBRE O IR DA CLASSE MÉDIA

    LEONARDO SOUZA

    FISCO MIRA FRAUDES DA CLASSE MÉDIA NO IR

    Fraudes em deduções já renderam multas superiores a R$ 400 mil

    A Receita apertou o cerco contra fraudes em deduções do Imposto de Renda, praticadas sobretudo pela classe média, informa Leonardo Souza. As primeiras autuações ficaram em cerca de R$ 150 mil por contribuinte.

    A ação começou por Brasília, onde já foram autuadas aproximadamente 700 pessoas. Depois, foi estendida a vários Estados. Documentos obtidos pela Folha mostram casos de multas superiores a R$ 400 mil.

    Operação-piloto no Distrito Federal multa cerca de 700 contribuintes em R$ 150 mil e deve ser estendida a Estados

    Ilegalidades mais comuns encontradas por fiscais foram nas deduções de gastos com educação, saúde e previdência privada

    A Receita Federal decidiu apertar o cerco contra fraudes em deduções do Imposto de Renda (IR) praticadas sobretudo pela classe média.
    Operação-piloto iniciada em Brasília pela área de inteligência do fisco começou a apresentar os primeiros resultados no mês passado, com autuações ao redor de R$ 150 mil por contribuinte. Há casos, contudo, superiores a R$ 400 mil, de acordo com documentos obtidos pela Folha.
    A ação do fisco já foi estendida a vários Estados, mas o trabalho nas outras cidades está numa fase mais inicial. No Distrito Federal, numa primeira leva, já foram multadas aproximadamente 700 pessoas. A operação será ampliada na capital do país no ano que vem.
    Os valores dos autos de infração são proporcionalmente elevados (para pessoas físicas), devido às quantias sonegadas (sobre as quais são aplicadas multa e juros) e ao período de abrangência da fiscalização, que compreendeu os anos de 2004 a 2008.
    Esse trabalho da área de inteligência da Receita vem sendo gestado desde 2007, quando auditores pegaram panfletos distribuídos perto da sede do Banco Central, em Brasília, com anúncios de serviços para aumentar a restituição do IR.
    A operação foi conduzida paralelamente à política que a ex-secretária Lina Vieira havia começado a implementar no final do ano passado, de priorizar a fiscalização sobre os grandes contribuintes.
    A Receita permite às pessoas físicas abater do IR despesas com saúde, educação e previdência complementar de si próprios ou de seus dependentes. Quanto mais altas as deduções, menor o imposto a pagar.
    Os auditores em Brasília identificaram que muitas pessoas forjavam gastos dentro dessas três modalidades para aumentar os valores de restituição do imposto. Houve até quem inventasse filhos trigêmeos para justificar lançamentos fictícios.
    A restituição do IR ocorre quando a soma do tributo pago pelo contribuinte ao longo do ano supera o valor efetivamente devido, gerando assim um saldo a ser devolvido pelo governo.

    Servidores
    A maioria dos autuados na capital do país é de servidores públicos, incluindo funcionários do Poder Executivo, do Congresso, do governo do Distrito Federal, da Polícia Civil e membros das Forças Armadas.
    No ano passado, foi instaurada uma investigação para apurar o caso. Os fiscais chegaram a grupos especializados em assessorar contribuintes que desejavam aumentar a restituição do IR. Os serviços eram oferecidos principalmente a servidores públicos.
    A partir da identificação desses esquemas, a Receita passou a fazer diversos cruzamentos de informações em seus sistemas, o que permitiu selecionar milhares de declarações com indícios de irregularidades.
    De um modo geral, a Receita delineou quatro grupos de fraudes.
    No primeiro, os sonegadores lançavam pagamentos para Fapi (Fundo de Aposentadoria Programada Individual), que permite deduções da base de cálculo do IR.
    Contudo, no lugar de informar o CNPJ da entidade de previdência encarregada de administrar o produto, o contribuinte repetia o CNPJ de seu empregador. Ou seja, as despesas com o fundo de aposentadoria eram falsas, pois o Fapi não existia.
    No segundo grupo, os fraudadores informavam CNPJs de seguradoras conhecidas no mercado, como Sul América e Unimed, porém os planos de previdência e de saúde e os valores descontados eram fictícios.
    No terceiro, havia deduções forjadas de diversas naturezas, mas com valores muito próximos informados por vários contribuintes e com as respectivas declarações de renda entregues a partir de um mesmo IP (número de identificação de um computador ligado à internet) -uma quadrilha especializada em fraudar o IR prestou serviços para várias pessoas.
    O modo de atuação do quarto grupo era semelhante ao do terceiro, porém com uma particularidade: quantidade significativa de dependentes declarados como nascidos no mesmo dia. "Para ampliar o limite de dedução com educação, saúde e dependentes, são inseridos filhos fictícios, tornando-se comum declarações que contêm filhos gêmeos e trigêmeos", informa relatório de inteligência do fisco ao qual a Folha teve acesso.
    A partir da experiência adquirida em Brasília, a Receita decidiu expandir para o resto do país o formato de fiscalização.

    Bancoop é suspeita de fazer doações ilegais para o PT

    Uma das principais cooperativas ligadas a sindicatos do país, a Bancoop é investigada pelo Ministério Público, sob suspeita de fazer doações ilegais para campanhas do PT.
    "Há indícios fortes de que a Bancoop desviou recursos para empresas ligadas a alguns de seus dirigentes, que depois foram abastecer campanhas do PT", disse o promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, que abriu inquérito criminal em 2007.
    Segundo Blat, 47 empreendimentos imobiliários da Bancoop não saíram do papel, prejudicando 3.000 famílias. O rombo nas contas da cooperativa chegaria a R$ 100 milhões. A Bancoop é ligada ao Sindicato dos Bancários de São Paulo.
    O presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, foi procurado, mas não telefonou de volta. Em outras ocasiões, ele negou irregularidades na cooperativa.
    As cooperativas sindicais operam pelo sistema de adesão voluntária. No caso da CredABC, cooperativa de crédito dos metalúrgicos, cada associado pagou parcela mínima de R$ 155 para entrar e mensalidade de R$ 10. Cada associado pode pedir emprestado até quatro vezes o valor que investiu, a juros abaixo dos de mercado.
    Entre várias modalidades de cooperativas, as que lidam com crédito são as únicas com fiscalização externa -são acompanhadas pelo Banco Central
    .

    Nova lei eleitoral abre brecha para doação de sindicato

    FÁBIO ZANINI

    Regra em vigor desde a semana passada permite que cooperativas ligadas a entidades de trabalhadores façam repasses a candidatos

    Cooperativas interessadas em doar a campanhas não podem ser concessionárias de serviço público nem receber recurso de governos

    A nova lei eleitoral, em vigor desde a semana passada, criou uma brecha que permite a sindicatos doarem para campanhas por meio de cooperativas que, na prática, controlam.
    Um parágrafo acrescentado ao artigo 24 da lei eleitoral (9.504/97) autorizou que cooperativas repassem dinheiro a candidatos, desde que não sejam concessionárias de serviços públicos nem recebam recursos de governos.
    Entre as cooperativas que cumprem esses critérios estão algumas ligadas a grandes sindicatos -hoje proibidos de doar. O dos metalúrgicos do ABC, com relações históricas com Lula e o PT, tem duas: uma de crédito e outra habitacional.
    O Sindicato dos Bancários de São Paulo, ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores), instituiu a Bancoop, cooperativa habitacional, em 1996. Seu fundador é o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e seu atual presidente, João Vaccari Neto, deve ser o tesoureiro do partido no ano eleitoral de 2010.
    Do lado da Força Sindical, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo criou a Metalcred, uma cooperativa de crédito.
    Em sindicatos patronais, as cooperativas são mais raras. A assessoria da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) informou não ter conhecimento de nenhuma.
    Formalmente, as cooperativas são independentes. Na prática, a ligação é total. Elas surgem por iniciativa dos sindicatos. Muitas funcionam no mesmo prédio e têm dirigentes sindicais entre os cooperados. Da cooperativa dos metalúrgicos do ABC, a CredABC, fazem parte o presidente do sindicato, Sergio Nobre, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e o próprio Lula.
    A emenda permitindo a doação surgiu por articulação da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), que representa o setor. No Congresso, seu porta-voz foi o deputado federal Dr. Ubiali (PSB-SP). Segundo ele, seu objetivo não era liberar doações de entidades ligadas a sindicatos. Ele tinha em mente as Unimeds, cooperativas de médicos.
    "Não é justo que grandes empresas privadas do setor de saúde possam doar para seus representantes e as Unimeds não possam", afirmou Ubiali.
    Para Márcio Freitas, presidente da OCB, a autorização para doar faz justiça a um setor que responde por 6% do PIB e gera 300 mil empregos. "É um setor que depende de políticas públicas e por isso tem legitimidade para doar", diz.
    Até 2006, as cooperativas usavam um vácuo jurídico para doar. No ano passado, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vetou a possibilidade. Agora, a lei permitiu a contribuição.
    A liberação atinge quase todas as cooperativas. Há exceções. As ligadas ao MST, por exemplo, por receberem verba pública, não podem contribuir.

    Estrutura
    As cooperativas sindicais hoje têm estatura modesta. A CredABC diz contar com 2.000 associados e ter patrimônio de R$ 2 milhões. A Metalcred diz ter número parecido de filiados.
    Juridicamente, a brecha agora está aberta para que sindicatos engordem cooperativas que controlam, com verbas depois canalizadas para campanhas.
    "Isso pode acontecer, embora essas cooperativas sejam todas falidas. O ideal seria que o sindicato doasse diretamente, como nos EUA", diz o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força.
    Presidentes de cooperativas dizem não haver ainda uma decisão de doar. "Teria que haver assembleia e decisão coletiva", diz José Vitório Cordeiro Filho, da CredABC. "Acho difícil os trabalhadores aprovarem uma coisa dessas sem discussão profunda", diz Clarisvaldo de Almeida, da Metalcred.
    Para o presidente da Comissão de Cooperativismo da OAB-SP, Antonio Luis Otero, a permissão para doação é positiva, por questão de transparência. Segundo ele, o principal problema é a falta de regulação.

    PSDB decide pedir mandato de Chalita

    CATIA SEABRA

    A Executiva do PSDB de São Paulo decidiu na noite de ontem, por unanimidade, requerer o mandato do vereador Gabriel Chalita à Justiça Eleitoral. Recém-filiado ao PSB, Chalita fez ataques ao governador José Serra para justificar sua saída do partido.
    Apesar de afirmar que entrará na Justiça com base no argumento jurídico de que o mandato pertence ao PSDB, o presidente municipal do partido, José Henrique Lobo, admitiu que as declarações do vereador pesaram. "Ele deixou o partido de maneira deselegante e descortês e investiu pesadamente contra Serra."
    Lobo disse esperar que Chalita não adote um "discurso tão destrambelhado quanto o do seu novo líder Ciro Gomes". "Se antes eu podia ter algum constrangimento, diante dos ataques dirigidos a Serra e ao PSDB, não o tenho mais."
    Embora a administração Serra se esforce para limitar a decisão à esfera partidária, o vice-governador, Alberto Goldman, foi um dos defensores da ideia de recuperação do mandato. "Eticamente, Chalita deveria devolver o mandato", afirmou.
    Procurado ontem pela Folha, Chalita não havia ligado de volta até o fechamento desta edição.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 12:16 PM
    [] [envie esta mensagem] []





     

     

     

    Painel - Renata Lo Prete

    Emparedando Serra

    Além de ter convencido Ciro Gomes (PSB) a mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo, facilitando a vida de Dilma Rousseff (PT) e complicando a de José Serra (PSDB), Lula está empenhado em evitar que o tucano Aécio Neves aceite ser vice numa chapa encabeçada pelo correligionário paulista.

    O assunto foi discutido na conversa que o presidente e o governador de Minas tiveram há uma semana em Brasília. Atencioso e sedutor, Lula aconselhou Aécio, 49, a não se afobar. Seu tempo chegará, disse. Não vale a pena se acorrentar ao futuro de Serra. Muito melhor a segurança oferecida pela vaga no Senado. O presidente ainda sugeriu que Aécio indique Itamar Franco (PPS) para compor a chapa com Serra.

    Paraíso. Hoje, o cenário dos sonhos de Lula inclui, além de Ciro em SP e Aécio fora da chapa de Serra, o neopeemedebista Henrique Meirelles como vice de Dilma Rousseff.

    Ops! Alguns auxiliares de Lula imaginam ser possível consolar Michel Temer (PMDB), atual "noivo" da candidata do PT, oferecendo-lhe vaga a ser aberta no STF em 2010 com a aposentadoria de Eros Grau. Ocorre que Temer, 69, está acima da idade-limite para ingresso na Corte.

    Liquidação. Apesar de o prazo para quem quer se candidatar em 2010 ter expirado no fim de semana, os partidos ainda estão engordando seus quadros, amparados numa brecha da Lei Eleitoral. Até ontem, o PSC, campeão de adesões no Congresso, veiculava inserções no rádio para atrair novos filiados.

    Toma lá... A visita de Dilma ontem a Londrina fez parte do esforço para conquistar o PDT. O palanque foi dominado por dois pedetistas: o senador Osmar Dias, candidato ao governo do Paraná que os petistas querem apoiar, e o prefeito Barbosa Neto.

    ...dá cá. Dias explicitou a disposição de fechar com Dilma: disse que ela "já venceu muitas lutas" e vai "vencer mais uma". Para sua campanha ao governo, o eventual apoio do PDT a Ciro Gomes para presidente seria fatal, pois o PSB local está fechado com Beto Richa (PSDB).

    Aplicada. Em fase de treinamento pré-eleitoral, Dilma se demorou nos cumprimentos e nas fotos e gastou tempo conversando com as enfermeiras da Santa Casa de Londrina. Apenas o discurso, dizem aliados, ainda é "mais de gerente do PAC que de candidata a presidente".

    Moeda 1. O PDT tentará convencer Dilma, em jantar hoje, a apoiar a votação do projeto que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, bandeira da Força Sindical. Presenteará a ministra com camiseta da campanha. Em troca, o partido promete recuar do movimento (blefe, no entender de alguns) para emplacar Carlos Lupi como vice numa chapa de Ciro Gomes ao Planalto.

    Moeda 2. Mas o que o PDT dirá a Ciro? "Não tem problema. Ele só vai fazer o que o Lula mandar", explica o deputado Paulinho da Força.

    Cimento 1. Dois dias depois da canetada do TCU que recomendou suspensão de obras do PAC, há uma semana, o Ministério das Cidades, que concentra uma das maiores fatias de recursos do programa, publicou portaria prorrogando até o fim do mês o prazo para a regularização de contratos com pendências.

    Cimento 2. O alvo do ministério é o chamado PAC da urbanização de favelas, cuja documentação para iniciar as obras de saneamento ainda não foi regularizada.

    Mão na massa. Nem bem mudou de lado do balcão, o neotucano Flávio Arns (PR), ex-PT, aprovará a ida do ministro Fernando Haddad à Comissão de Educação do Senado, que preside, para falar sobre o vazamento do Enem.

    com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

    Tiroteio

    A missão que Lula deu a Ciro em São Paulo é pura e simplesmente a de agredir Serra. Para isso Ciro não precisa estudar. Já nasceu sabendo.

    Do senador SÉRGIO GUERRA (PE), presidente do PSDB, em resposta a Ciro Gomes, que disse precisar de três meses para se inteirar dos assuntos de São Paulo, seu novo domicílio eleitoral.

    Contraponto

    Cara feia é fome Prevista para terminar ao meio-dia, a reunião da Executiva do PT de São Paulo sobre as eleições de 2010 se prolongou até as 15h. Encerrados os trabalhos, o presidente do diretório, Edinho Silva, chamou os jornalistas. Devido ao adiantado da hora, ofereceu sanduíches a todos.
    A maioria se pôs a devorar os lanches, enquanto uns poucos faziam perguntas "complicadas" sobre o apoio do partido à eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual. Quando Edinho anunciou o fim da entrevista, um assessor do partido deixou escapar:
    -É a nova estratégia de comunicação do PT. Enchemos a boca dos repórteres, e eles não perguntam nada!



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 11:29 AM
    [] [envie esta mensagem] []






     

     

     

    Correio Braziliense

    PT e PSB longe do “sim”

    Tiago Pariz

    Petistas paulistas não fecham as portas, mas relutam em abrir mão da candidatura própria ao governo estadual em favor de Ciro Gomes, como gostaria o presidente Lula

    Cadu Gomes/CB/D.A Press - 27/5/08
    Para Marta Suplicy, Ciro não tem intimidade com São Paulo para sair candidato ao Palácio dos Bandeirantes
     

    Enquanto o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) flerta com a possibilidade de se lançar à Presidência da República, o PT de São Paulo promete dificultar a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e insistir na tese de que é preciso lançar um candidato próprio ao governo estadual. A ex-prefeita paulistana Marta Suplicy, um dos principais nomes da legenda no estado, jogou água na hipótese de um acordo com o PSB. E foi sucinta ao desconsiderar Ciro como candidato a governador. “Ele não tem nada a ver com São Paulo”, resumiu a ex-ministra do Turismo.

    Em reunião, ontem, os dirigentes estaduais do partido decidiram não selar as portas para um acordo com o PSB, mas ficou acertado que a partir de 1º de novembro terá início a escolha dos pré-candidatos petistas. As diversas alas da legenda apresentarão os nomes dos concorrentes à direção estadual: o preferido será aclamado. Esse processo facilita a escolha do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, já que ele conta com apoio de grupos majoritários, como o da ex-prefeita, que na capital é o mais forte.

    O prefeito de Osasco, Emídio de Souza, outro pré-candidato, argumentou que a legenda não pode ficar a reboque da vontade do PSB. “O PT tem que lançar candidato próprio e fazer essa escolha até o fim do ano. Um partido como o PT não pode ficar nesse estado de letargia”, afirmou Souza. Para ele, o PSB também não facilita o acordo ao ter, além de Ciro Gomes, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, como pretendente ao Palácio dos Bandeirantes. “Nós não podemos esperar o Ciro até abril do ano que vem para lançar um candidato. Assim, ficaríamos para trás”, disse o prefeito de Osasco.

    Para não tomar uma decisão alheia às pretensões do presidente Lula, os caciques paulistas decidiram que, depois do processo interno, o indicado ou os indicados serão apresentados aos aliados. “O PT vai apresentar os nomes para as legendas parceiras avaliarem e decidirem conjuntamente qual é o melhor para disputar o governo”, disse o líder do partido na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza. Ele criticou a posição dos correligionários que descartaram de antemão a aliança com o PSB.

    Cenário
    O presidente estadual da legenda, Edinho Silva, disse que a opção pela escolha de um nome próprio tem apoio até dos defensores de aliança com Ciro. “Mesmo aqueles que são pró-Ciro entendem que o PT não pode deixar de ter um nome, mesmo que seja para negociar com o PSB”, afirmou. A estratégia pressiona o deputado pelo Ceará que, após trocar o título de eleitor para São Paulo, disse que só decidirá em abril de 2010 qual cargo disputará.
    Os paulistas querem marcar reunião com Lula para discutir o cenário para o estado e ponderar que não podem ficar no aguardo. Além de Palocci e Souza, aparecem como pré-candidatos o ministro da Educação Fernando Haddad, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o senador Eduardo Suplicy.

    Marina se basta

    Juliana Cipriani

    Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press - 19/8/09
     
     

    A senadora Marina Silva (PV), pré-candidata à Presidência da República, desdenhou ontem as eventuais alianças partidárias como arma para fortalecer seu palanque em 2010. No dia em que teve intensa agenda em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, incluindo encontro com lideranças religiosas e palestras para estudantes, a parlamentar disse querer buscar diretamente o povo e que vê muita ansiedade dos outros pelas alianças.

    “Há um cálculo que muitas vezes é feito na política pelo qual as pessoas acham que basta conversar com os supostos donos dos votos e os votos vêm. Defendo que as pessoas se libertem dessa visão patrimonialista e comecem a conversar diretamente com as pessoas e as pessoas possam se sentir livres para votar naquilo que acreditam, no que acham que é melhor para o Brasil e para o planeta”, afirmou Marina Silva.

    Ao desembarcar em Belo Horizonte, de onde seguiu para Ipatinga, a senadora foi recebida com festa por vários líderes verdes locais e causou estranhamento a algumas pessoas que estavam no Aeroporto da Pampulha, que perguntavam quem era “a celebridade da vez”. Indagada sobre a falta de candidatura própria do PV em Minas, Marina disse que o partido trabalha para ter palanques nos estados, mas reconheceu que existem realidades diferenciadas. Em Minas, o partido apoiará o candidato do governador Aécio Neves (PSDB). “Eu espero que a melhor aliança seja com a sociedade: jovens, mulheres, homens, empresários, cientistas, enfim, com as pessoas de um modo geral”, afirmou.

    Sustentabilidade
    A senadora negou que a visita a Ipatinga tenha caráter de campanha e afirmou que terá novas viagens na agenda para debater a sustentabilidade. “É o que tenho feito nos últimos 15 anos.” Marina disse participar do processo de restruturação do partido e de sua revisão programática. Sobre o fato de o PV ter integrantes com ficha suja e enfrentando problemas com a Justiça Eleitoral, ela disse que o partido vai enfrentar as questões. “Não temos porque agir por conveniência. Acho que todos os partidos devem enfrentar os problemas de frente. E nem devemos usar os problemas dos outros partidos para justificar os nossos”, afirmou.

    Não temos porque agir por conveniência nem devemos usar os problemas dos outros partidos para justificar os nossos”

    Marina Silva, pré-candidata à Presidência pelo PV
    Um nome e muita oposição
    Danielle Santos
    PT tenta colocar Aldo Rebelo na relatoria da comissão que discutirá o novo Código Florestal, mas ambientalistas rejeitam indicação
    Cadu Gomes/CB/D.A Press - 29/1/09
    Aldo Rebelo é o pivô da mais nova contenda entre deputados ambientalistas e ruralistas na Câmara
     


    Polêmica não só no governo, a discussão em torno do novo Código Florestal Brasileiro promete esquentar a briga entre ruralistas e ambientalistas na definição dos nomes que integrarão a chapa da comissão especial para cuidar do assunto na Câmara. Representantes dos produtores querem reduzir as áreas de proteção ambiental e descentralizar as políticas de preservação, hoje competência exclusiva da União. Mas os ambientalistas são contra essas mudanças. Nessa queda de braço, definir quem será o relator da comissão é ponto crucial. O PT tenta aprovar o nome do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para a relatoria durante votação nesta tarde. Mas Rebelo está longe de ser consenso entre as partes. Uma das críticas dos opositores é de que ele perdeu a sua representatividade após deixar clara a posição favorável aos ruralistas em diversos episódios, entre eles a defesa da manutenção dos fazendeiros na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e o fato de ter sido o relator da Lei de Biossegurança, que regulamentou a pesquisa e a comercialização de alimentos transgênicos no país.

    “Não dá para entender por que o PT, como um partido grande, abriu mão de alguém da sigla e indicou o Aldo. Ele é meu amigo, mas, na questão ambiental, está comprometido com posições que hoje não representam o setor”, argumentou o líder do PSol na Casa, deputado Ivan Valente (SP). Ele afirma que vai se articular antes da votação com os demais partidos para barrar a indicação.

    Valente foi um dos coadjuvantes da confusão instalada na semana passada, quando, por duas vezes, os integrantes da comissão bateram boca por causa dos nomes que comporiam a coordenação — dos cinco escolhidos, apenas o de Sarney Filho (PV-MA) representava partidos minoritários. “Os ruralistas quiseram atropelar nada menos do que cinco legendas (PT, PV, PSB, PCdoB e PSol) e aprovar uma chapa basicamente ruralista, com intenção de flexibilizar a legislação ambiental e causar um desastre total. Chegamos com a votação já em curso e conseguimos suspendê-la”, disse Valente. O líder do PV, Edson Duarte (BA), endossou as críticas: “Para que tenhamos a aprovação de um código florestal que atenda às necessidades sociais, comerciais e ambientais, precisamos de diálogo de duas posições, mas até agora a conversa está sendo unilateral com a entrada de Aldo Rebelo”.

    Indignado com a reclamação dos ambientalistas, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Valdir Colatto (PMDB-SC), disse que a desorganização é dos partidos que se opõem ao agronegócio. “Eles não sabem nem o que querem e não aceitam o nome que deveria representá-los”, completou, ao mencionar Aldo.

    Apesar dos trabalhos nem terem sido iniciados, Collato, autor de uma das propostas que alteram o código florestal, não acredita num possível acordo e também prevê que não haverá consenso sobre o texto final. Mas garante que vai batalhar para tirar a responsabilidade da legislação ambiental das mãos do governo. “Nosso desafio é descentralizar a legislação. Do jeito que está, nas mãos de uma pessoa que se julga toda poderosa, que é o Carlos Minc (ministro do Meio Ambiente), não conseguimos avançar.”

    Plano B
    Com a rejeição à indicação de Rebelo batendo à porta, os petistas vão discutir um plano B hoje. Ainda assim, o deputado José Genoino (PT-SP) está confiante na aposta da legenda, pois acredita que o parlamentar é estratégico para conseguir uma boa negociação na comissão. “O Aldo tramita bem dos dois lados e será peça importante para a aprovação de um texto coerente e aceitável.”
    O que querem os ruralistas


    A comissão especial sobre o Código Florestal é uma iniciativa da Frente Parlamentar da Agropecuária e tem o objetivo de debater cerca de 190 projetos que tramitam na Câmara sobre o assunto. Veja alguns itens da proposta, de autoria do presidente da frente, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que deve sofrer resistência por parte da ala ambientalista.


    Legislação atual

    Dá competência à União para legislar amplamente sobre o meio ambiente, estabelecendo metragens e percentagens de áreas protegidas indiscriminadamente para todos os estados, sem levar em conta suas pecualiaridades.

    O licenciamento ambiental não possui critérios definidos. É moroso e muitas vezes inviabiliza empreendimentos sem qualquer fundamentação.

    Exigência de reserva legal dentro da propriedade ou na mesma microbacia, mesmo sem qualquer característica especial da região ou ligação com outra área vegetada.


    Propostas dos ruralistas

    Indica os bens ambientais a serem protegidos pelos estados, por meio de zoneamentos, determinando o melhor local e a forma de proteção de suas áreas.

    Estabelece prazo e critérios, garante o licenciamento caso todas as exigências tenham sido cumpridas pelo requerente.

    Os estados determinarão a alocação das reservas ambientais, que poderão ser maiores e interligadas.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 11:25 AM
    [] [envie esta mensagem] []






     

     

     

    Correio Braziliense

    Orçamento olímpico

    Brasília-DF

    O governo pretende rever o Orçamento de 2010 — assim como a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010-2011 — para incluir os gastos com as obras das Olimpíadas de 2016, que precisam ser iniciadas o mais rápido possível. O relator da Comissão Mista de Orçamento, deputado Geraldo Magela (PT-DF), que já está em dificuldades por causa das emendas individuais dos parlamentares, terá que administrar o novo quebra-cabeças do remanejamento de verbas. Cada deputado terá direito a R$ 10 milhões, mas querem mais R$ 4 milhões. 

    Para capitalizar a conquista dos maiores eventos no calendário esportivo mundial, o governo lançará o PAC do Esporte, no primeiro trimestre de 2010. O programa será uma compilação de investimentos na formação de atletas e de obras do PAC relacionadas à infraestrutura da Copa do Mundo de 2014, dos Jogos Olímpicos de 2016 e dos Jogos Mundiais Militares de 2011, os dois últimos sediados no Rio de Janeiro. É claro, a garota propaganda de tudo isso será a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

    Extra


    Para viabilizar as Olimpíadas, o Senado aprovou a toque de caixa e o presidente em exercício José Alencar sancionou, em 1º de outubro, o Ato Olímpico, uma legislação específica com os encargos do governo federal exigidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Foi publicado numa edição extra do Diário Oficial, momentos antes da reunião do COI. Com a lei, o Brasil terá a obrigação de combater a pirataria e adotar a legislação antidoping.

    Vila


    Antes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o primeiro teste do Brasil como sede de megaeventos esportivos serão os V Jogos Mundiais Militares, em 2011, no Rio de Janeiro. A olimpíada militar tem gastos de R$ 580 milhões previstos no Orçamento de 2010, a maior parte para a construção de uma vila olímpica que não deve ser aproveitada em 2016. Custará R$ 300 milhões

    Eletrobrás

    Carlos Moura/CB/D.A Press - 10/9/09
     
     


    A Comissão de Minas e Energia da Câmara realiza seminário, hoje, sobre renovação de concessões do setor elétrico, que em sua maioria vencerão em 2015. Participam dos debates o ministro de Minas Energia, Edison Lobão (foto), e do presidente da Aneel, Nelson Hubner. O governo quer transformar a Eletrobrás numa potência energética na América Latina.

    Cartórios


    A Associação dos Notários e Registradores do Brasil estima que mais de mil cartórios de pequenos municípios brasileiros poderão fechar se a PEC dos Cartórios (nº 471/05) não for aprovada, privando pequenas cidades de serviços básicos, como reconhecimento de firma ou um simples registro de nascimento. O assunto será discutido amanhã em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. O lobby dos cartórios é fortíssimo. Quer evitar que a função de tabelião passe a ser ocupada apenas por concurso.

    Pirajá


    Virou borrasca a eleição da nova comodoria do Iate Clube de Brasília, hoje, das 11h às 21h, na qual duas chapas se digladiam, uma da situação (Orgulho de ser Iate), encabeçada por Gilson Machado da Luz, e outra de oposição (União e Transparência), liderada por Mário Sérgio da Costa Ramos. Para resumir a ópera, a turma da náutica quer assumir o comando do clube, depois de 16 anos de hegemonia dos tenistas. O comodoro Édson Carvalho de Mendonça deixa o cargo desgastado por causa do último leilão de títulos patrimoniais do Iate (custam R$ 42mil), que foi anulado pelo Conselho Deliberativo por supostas irregularidades na venda de 12 títulos excluídos do edital.


    Direto/ A Delta Air Lines anunciará amanhã o voo Brasília-Atlanta (EUA), sem conexão. O vice-presidente para América Latina e Caribe da empresa, Christophe Didier, e o vice-governador Paulo Octávio fecharam o acordo para viabilizar a nova rota.

    Satélite/ Apeado da presidência do PSC do Distrito Federal para a acomodação de aliados do ex-governador Joaquim Roriz, Egmar Tavares assinou a ficha de filiação ao PTdoB. Apesar da destituição, Tavares mantém-se num partido da órbita de Roriz.

    Desnorteados/ Nem os partidos conseguiram acompanhar o troca-troca promovido pelos deputados federais. A assessoria do PSDB, por exemplo, procurou ontem o PPS para confirmar se o deputado Geraldo Thadeu (SP) realmente havia deixado a legenda para se filiar aos tucanos.

    Estrogonofe/ O ministro da Educação, Fernando Haddad, atordoado com o cancelamento do Enem, não conseguia distinguir leite condensado de creme de leite, domingo, quando foi às compras num mercadinho do Lago Sul. Foi preciso a ajuda de um funcionário para salvar o filé mignon da receita de pudim.

    Expediente


    O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) baixou resolução obrigando servidores do Judiciário a cumprir jornada de trabalho de 40 horas semanais. Para o diretor da OAB Nacional, Ophir Cavalcante Junior, a medida é salutar. “Precisamos acabar com a cultura reinante no Judiciário.”

    Ação nos bastidores contra o “efeito Ciro”

    Tiago Pariz

    Lula e aliados correm para consolidar alianças em torno de Dilma. Ideia é minar a candidatura do parlamentar cearense à Presidência

    Carlos Moura/CB/D.A Press - 22/9/09
    Dilma abriu temporada de diálogos com o PCdoB e teve aceno favorável do PP. Alvo do dia é o PDT
     

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma nova meta: inviabilizar as chances de o deputado Ciro Gomes(1) (PSB-CE) concorrer ao Palácio do Planalto em 2010. Ao cercar a ministra Dilma Rousseff, sua pré-candidata, dos apoios antecipados de partidos da base aliada, Lula quer isolar o parlamentar pelo Ceará e empurrá-lo para a disputa do governo de São Paulo.

    O esperado anúncio do acordo pré-eleitoral com o PMDB é o primeiro gesto da tentativa de dar musculatura a Dilma. Em paralelo, começa uma ofensiva em cima do PDT para sepultar qualquer rumor de que haveria possibilidade de acordo com o PSB. Nessa estratégia, Lula colocou aliados não petistas para bombardear aspirações de quem deseja se lançar ao Planalto. Nesse jogo, Lula e os petistas consideram todas as armas válidas para não dividir a base aliada.

    Os peemedebistas também estão ansiosos para o acordo com Lula. Uma parte dos caciques do partido é favorável a participar oficialmente da chapa encabeçada pela ministra petista. Reunião na residência do deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, selará a estratégia para o encontro com o presidente, previsto para esta semana. Hoje, a ministra recebe dirigentes do PDT com o objetivo de discutir as bases da aliança. Ela já esteve com integrantes do PCdoB e recebeu do PP um sinal de que há simpatia por sua candidatura.

    “Estamos abertos para a conversa. O acordo com a ministra Dilma é possível e viável”, afirmou o presidente em exercício do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS). Ele ressaltou, no entanto, que o partido não descartou a hipótese de uma candidatura própria ou de apoio a Ciro Gomes. O deputado Paulo Pereira da Silva (SP), articulador do jantar com a chefe da Casa Civil, disse ser favorável à união dos governistas. “O melhor seria estarmos unidos na mesma candidatura”, afirmou Paulinho, fazendo uma ressalva: “Mas, dependendo, talvez o melhor para a base seja ter dois ou três candidatos”, sublinhou. Ele citou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, como um nome com capacidade de disputar a presidência. Nos bastidores, parlamentares entendem que a conversa do PDT com Dilma é um ponto de partida para um debate aprofundado sobre 2010. Assim, o partido estaria fazendo um discurso de jogo duplo com a intenção de se valorizar, para não oferecer apoio barato e ficar relegado a planos secundários.

    Nessa empreitada, Lula conseguiu arregimentar aliados para trabalhar pela candidatura única. “Nós estamos conversando com PSB, PMDB, PT, porque o ideal é a base não se dispersar. Defendemos que quem deve se dispersar é a oposição. O problema é que não é isso que está acontecendo. A oposição está unida e nós, divididos”, disse o senador pelo PCdoB do Ceará, Inácio Arruda.

    Divergência
    A maneira como os partidos da base aliada divergem em interesses eleitorais vai na contramão do cenário almejado pelo presidente Lula. Para ele, o pleito do ano que vem será mais favorável à sua candidata se estiverem em jogo duas propostas: a defesa e o ataque a seu governo. Entre os partidos de oposição, há um quase consenso de que a candidatura presidencial terá como protagonista um dos governadores tucanos: José Serra (São Paulo) ou Aécio Neves (Minas Gerais).

    Nas pesquisas de intenção de votos, os eleitores simpatizantes da oposição se afunilam em um único nome, enquanto os governistas se dispersam entre Ciro, Dilma e a senadora Marina Silva (PV-AC). Para sua candidata dar um salto nesses levantamentos, Lula já deu ordem para ela voltar a andar pelo país. Encerrado o tratamento contra o câncer, Dilma está apta a tocar a agenda de olho no ano que vem. Todos esperam que seu retorno aos palanques venha acompanhado do mesmo salto nas pesquisas que ela deu no começo do ano, quando saiu de níveis irrisórios e se aproximou dos 20%, e de uma estagnação de Ciro Gomes. Uma das maneiras de o parlamentar pelo Ceará jogar por água abaixo as pretensões de Lula e viabilizar seu projeto presidencial é continuar crescendo na sombra de Dilma.

    1 - Espinho aos tucanos
    O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) pretende se dedicar a uma agenda por São Paulo. Nos próximos cinco meses, vai protelar ao máximo a definição de sua opção eleitoral em 2010. A dúvida é entre a disputa pelo governo estadual e a corrida presidencial. Nesse intervalo, o PSB quer que Ciro se transforme numa figura antitética ao governador José Serra. Assim, o parlamentar vai encarnar o papel de desconstruir o discurso do PSDB, que completará 16 anos à frente da política paulista ano que vem.

    Estamos abertos para a conversa.
    O acordo com a ministra Dilma é possível e viável”

    Deputado Vieira da Cunha (RS), presidente em exercício do PDT



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 11:20 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

    Dora Kramer

    Seriedade é posto

    Porta-voz de um discurso absolutamente adequado, sóbrio e preciso na cerimônia em que o Rio foi escolhido cidade-sede das Olimpíadas de 2016, o presidente Luiz Inácio da Silva não fez jus ao desempenho quando, em seu programa de rádio de ontem, disse que o Brasil não deve se preocupar com gastos a serem feitos.

    "Nós temos que nos perguntar, não quanto o Brasil vai gastar, mas quanto o Brasil vai ganhar com a realização das Olimpíadas. É acreditando assim (sic) que a gente vai fazer uma grande Olimpíada", disse, tendo partido da premissa óbvia de sempre: "Não considero gasto, considero investimento."

    É claro que todo o dinheiro posto na infraestrutura para a realização dos jogos é investimento. Mas ninguém com um mínimo de seriedade - a não ser governos pouco sérios - investe em coisa alguma de maneira despreocupada.

    Tampouco adianta o conselho de Lula para que se troque a palavra "gasto" por "investimento" porque aos olhos do mundo, se houver a falta de planejamento (para ficarmos na versão generosa) ocorrida na organização do Pan e os orçamentos estourarem no grau do descontrole, o Brasil não será visto como um país sério.

    Aliás, cumpre lembrar ao presidente da República que o País só começou a ser levado em conta no mundo como parceiro confiável e atraente ao mercado internacional no momento em que começou a se preocupar real e objetivamente com os gastos.

    Estabilizou a moeda, organizou as contas públicas, tornou lei a responsabilidade fiscal, deixou de lado o modus operandi do calote, parou de renegociar dívidas mediante queixumes de governadores e prefeitos irresponsáveis, cumpriu contratos e integrou-se ao mundos dos preocupados.

    A rigor não seria preciso lembrar nada disso ao presidente, pois o candidato Lula firmou exatamente aqueles compromissos na Carta aos Brasileiros para poder conquistar a confiança do País e se eleger presidente desta República.

    O palavrório otimista e bastante ufanista é eficiente para animar a arquibancada, mas não é ele que ganha a parada. Não foi ele nem o charme ou o veneno dos brasileiros o que produziu a vitória sobre Chicago, Tóquio e Madri. Foi a persistência, o trabalho duro e conjunto e uma enorme competência de marketing a sustentar as promessas às quais temos sete anos para fazer frente.

    Com muita preocupação de nos comportarmos à altura do compromisso assumido e do reconhecimento internacional conferido ao Brasil, em particular à figura de Lula.

    Financiamento público

    O Senado quase aprovou, mas a Mesa teve de recuar da decisão de autorizar funcionários em cargos de confiança nos gabinetes das lideranças a se transferirem para os Estados de origem de líderes de partidos para reforçar a campanha eleitoral das chefias.

    O recuo deu-se na esfera das decisões oficiais. Na prática, nada impede que os funcionários sejam incorporados às campanhas na base da informalidade.

    Primeiro, porque tal "empréstimo" é uma praxe; segundo, porque no Congresso nenhuma infração é castigada; terceiro, porque suas excelências fingem não distinguir funcionários pagos para assessorar o Senado - uma ação pública - de cabos eleitorais contratados para ajudar a conquistar mandato, um ato de vontade privada.

    Sob nova direção

    A mudança do título de eleitor do deputado Ciro Gomes para São Paulo deixa o PT local como Lula gosta: nas mãos dele, Lula.

    Recapitulando a situação até a semana passada, Antonio Palocci seria a opção preferencial de Lula para a disputa do governo do Estado, mas a rejeição é alta por causa do caso do caseiro.

    O presidente, então, fixou sua preferência no nome do ministro da Educação, Fernando Haddad: boa aparência, ao que consta inteligente e, segundo testemunho de gente ligada ao alto empresariado, causa boa impressão na área.

    Mas o grupo de Marta Suplicy - que domina a máquina no PT paulista - apoiaria Palocci e não quer Haddad. Nesta hipótese, lançaria Marta, mesmo sabendo dos riscos.

    O mais prudente para ela seria uma candidatura a deputada federal, mas petistas também pretendentes a uma vaga na Câmara temem que a ex-prefeita lhes "roube" votos.

    Mesmo confusa, a situação estava na esfera de influência partidária. Desde a entrada de Ciro em cena, a administração está nas mãos do Palácio do Planalto e das circunstâncias da eleição presidencial.

    A menos que o PT faça um lance ousado, escolha um candidato, ou candidata, e antecipe o lançamento. Na eleição para a presidência do Senado tentou fazer isso, escolhendo o senador Tião Viana cinco meses antes da eleição.

    Não deu certo, acabou prevalecendo a vontade de Lula e do PMDB: José Sarney na cabeça. Literalmente, seria de se acrescentar face aos acontecimentos decorrentes da crise pós-eleição.

    A infidelidade consentida

    Editorial

    Foi como se a Justiça Eleitoral não tivesse resolvido, em 2007, que os partidos são os donos das cadeiras ocupadas nas câmaras legislativas pelos candidatos que por eles se elegeram - e que, portanto, perderia o mandato o político que, a qualquer momento, saltasse de uma legenda para a outra, salvo em poucas circunstâncias previamente estipuladas, tendo o partido prejudicado o direito de preencher a vaga aberta com o primeiro da lista de seus suplentes. Nos últimos dias, dezenas de políticos, para ficar apenas no plano federal, correram a mudar de sigla enquanto houvesse tempo - a um ano das próximas eleições, terminou no dia 4 o prazo para a filiação a alguma legenda de quem queira disputá-las. O chamado instituto da fidelidade partidária, logo se vê, ainda não pegou.

    Mais uma vez os políticos em trânsito escancararam para a opinião pública que eles só têm compromissos com as suas chances nas urnas e que, na maioria esmagadora dos casos, os partidos não passam de hospedarias em que a entrada e a saída de trânsfugas são reguladas, não pelas leis, muito menos por qualquer coisa parecida com identidade de ideias, mas pelos cálculos de conveniência de parte a parte - as afinidades eletivas, para dar à expressão de Goethe o mais raso sentido literal. Em 2005, quando nada obstava o ir e vir pelas agremiações, cerca de 60 políticos de maior projeção trocaram de alojamento - uma troca de seis por meia dúzia, diria um cínico -, quase sempre para se candidatar a prefeito no ano seguinte. Agora, embora a infidelidade esteja sujeita a punição, houve 31 transferências.

    Em parte, a culpa é da própria Justiça Eleitoral. Dos 18 políticos julgados por pular a cerca desde a entrada em vigor da resolução concebida para dar consistência ao sistema de partidos, apenas um, o deputado federal Walter Brito, perdeu o mandato - e isso depois de encarniçada resistência do então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia. Em geral, os trânsfugas conseguem se safar invocando as condições em que a transferência é permitida (perseguição política é o pretexto de praxe). Em parte, a culpa é dos partidos, quando - também por cálculos políticos - abrem mão de cobrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cadeira que poderia lhes ser devida, com a remoção do ocupante que os deixou.

    Em tese, por exemplo, o PT poderia reivindicar o lugar da senadora Marina Silva, que se mudou para o PV. O PSDB poderia fazer o mesmo com a cadeira do vereador paulistano Gabriel Chalita, que se bandeou para o PSB (o qual, aliás, acaba de acolher o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, de quem o baronato industrial paulista decerto não suspeitava que fosse um socialista camuflado). Mas é evidente que, naqueles casos, petistas e tucanos pagariam um elevado preço político - e eleitoral - se tentassem se vingar dos seus ex-correligionários. Às vezes, os partidos tratam de agir preventivamente para enquadrar os caídos em tentação. Na undécima hora, o DEM do Distrito Federal impediu a transferência do seu senador Adelmir Santana para o PSB. Com a mesa da festa já posta, ele sucumbiu. "Vão tomar meu mandato", avisou aos convidados. "Não dá para sair."

    Em outras situações, o mesmo DEM não moveu uma palha para enquadrar os migrantes em potencial - o que levanta uma indagação que parece dividir as opiniões dos juristas: quando uma legenda desiste da reparação a que teria direito, consentindo, pelo silêncio, com a saída de um parlamentar a ela filiado, deve a Justiça Eleitoral tomar a iniciativa de desalojá-lo da cadeira por transgressão à regra da fidelidade partidária? Para o ministro Fernando Gonçalves, do TSE, citado pela Folha de S.Paulo, "não é só o partido que tem legitimidade para requerer a perda do mandato". Poderiam fazê-lo tanto o suplente que iria para a vaga como - e principalmente - o Ministério Público Eleitoral. O primeiro estaria agindo em defesa de um direito particular; o segundo, em defesa de um interesse difuso, a salvaguarda de uma norma com força de lei.

    Mas o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, discorda. "Se o partido não se sente traído", interpreta, "tenho dificuldade de entender por que o Ministério Público sentiria ciúme por ele." Brito acredita que "com o tempo, a fidelidade partidária se tornará um verdadeiro dogma jurídico". Não, se depender só dos políticos.


     Escrito por Clóvismoliveir@ às 11:17 AM
    [] [envie esta mensagem] []





     

     

     

    Josias de Souza - Nos bastidores do poder

    PT-SP simula autonomia e opta por candidato próprio

    Sérgio Lima/Folha

     

    Reunidos nesta segunda (5), o PT de São Paulo posou de decidido. A legenda informou que terá candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes.

     

    O petismos levou à mesa cinco nomes: os deputados Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci, o ministro Fernando Haddad (Educação)...

     

    ...A ex-ministra Marta Suplicy e o prefeito Emídio Souza (Osasco). Quem tem tantos candidatos, em verdade, não tem candidato.

     

    Uma comissão conduzirá o processo de escolha. Tudo isso depois de Ciro Gomes, o candidato multiuso do PSB, ter transferido o título eleitoral para São Paulo.

     

    Recomenda-se aos que não quiserem fazer papel de bobo que levem o pé atrás ao observar a pseudodecisão do petismo paulista.

     

    Antes de bater o martelo, o PT-SP vai pensar duas vezes, analisar todas as possibilidades e reunir o diretório.

     

    Uma vez tomada a decisão, o partido pode fazer exatamente o contrário. Ou, em hipótese derradeira, pode fazer exatamente o que decidiu.

     

    Tudo é ocasional no futuro do PT-SP, eis o que se deseja realçar. Mexe daqui, articula dali, valerá o que Lula achar que deve ser.

     

    Edinho Silva, presidente do PT-SP, diz que o apoio à eventual candidatura paulista de Ciro Gomes não é “automático”.

     

    Marta Suplicy afirma que Ciro “não tem a ver” com São Paulo. “Não tem que fechar a porta, mas acho que o PSB nunca fez um caminho de flores para nós no Estado".

     

    Ricardo Berzoini, presidente do PT nacional, ponderou: "Nós não estamos fixando uma posição de que o PT terá obrigatoriamente candidato...”

     

    “...Mas não podemos ficar esperando as definições do PSB e dos demais partidos para preparar nossa candidatura".

     

    O PT pode “preparar” o que bem entender. Se Lula optar pelo contrário, o partido terá de modificar a receita do seu bom-bocado. É simples assim.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:09 PM
    [] [envie esta mensagem] []






     

     

     

    Marta descarta Ciro em SP e reitera preferência por Palocci

    Anne Warth, da Agência Estado

    Ex-ministra contraria o desejo do presidente Lula e diz que deputado do PSB 'não tem a ver com São Paulo'

    SÃO PAULO - A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) disse nesta segunda-feira, 5, que o deputado federal Ciro Gomes, uma das opções do PSB para concorrer ao governo do Estado, "não tem a ver com São Paulo". Ela ressaltou que essa sempre foi sua posição, mas que a avaliação está ganhando força entre outros membros do PT.

    "Eu acho que estamos chegando a uma percepção de que a candidatura Ciro não tem a ver com São Paulo. A minha posição sempre foi essa, desde o início", afirmou ela após reunir-se com membros da legenda na sede do diretório estadual do PT na Capital.

    Foi a primeira vez que Marta, ex-ministra do Turismo, fez uma manifestação tão contundente em relação ao tema e que contraria o desejo do presidente Lula de apoiar a candidatura de Ciro para o governo de São Paulo. Na semana passada, o deputado transferiu seu domicílio eleitoral para a capital paulista e deixou as portas abertas para concorrer nas eleições de 2010 para o cargo de governador no Estado.

    Marta reiterou apoio à candidatura do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) para o cargo. "Eu apoio a candidatura de Palocci e fiz um longo discurso de apoio", afirmou. Segundo ela, a entrada de Ciro no cenário estadual não atrapalha o PT nem o obriga a seguir o PSB.

    "Ao contrário, a maioria dos membros do PT nas três instâncias (municipal, estadual e federal) é a favor da candidatura própria, sem fechar as portas para uma conjuntura nacional, eventualmente. A candidatura própria é quase unanimidade. Isso ficou claríssimo nessa reunião", explicou.

    De acordo com a ex-ministra, o presidente estadual do PSB, o deputado federal Márcio França, não deu mostras de que quer discutir uma aliança estadual com o PT.

    "Eu acho que o PSB nunca fez caminho de flores para nós no Estado. Acho que o Márcio França falou muito claramente que, se não for o Ciro, será o Skaf (Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, recém filiado ao PSB). Então, o que o PT está fazendo nessa conversa? Temos que ter candidato e vamos ter", defendeu.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 10:06 PM
    [] [envie esta mensagem] []







     

     

     

     

    Yoani Sánchez: "É um caminho sem volta"
    juliano machado
    A blogueira cubana diz que não pretende voltar a um período em que simulava acreditar nas ideias do regime castrista
    yoani_sanchez.gif

    O Generación Y é provavelmente o mais visitado dos blogs cubanos, com uma média de 10 milhões a 12 milhões de acessos mensais só em sua versão em espanhol. Mas a própria dona do blog, Yoani Sánchez, não pode acessá-lo – nem ela nem nenhum cubano, por conta de um filtro instalado pelo governo de Raúl Castro. Mesmo postando “às cegas” de cibercafés ou hotéis (não é permitido aos cubanos comuns ter internet em casa), Yoani não desanima. Diz que o Generación Y é a forma de “extirpar alguns demônios” de um passado em que ela simulou acreditar nas ideias do regime castrista.

    Nesta entrevista a ÉPOCA, em que Yoani falou por telefone de seu apartamento em Havana, a blogueira diz não confiar em grandes mudanças em Cuba no curto prazo. Bem humorada, afirma que o único ponto positivo na troca de Fidel por Raúl foi o fato de as telenovelas brasileiras terem voltado a começar no horário – antes, elas sempre atrasavam por causa dos discursos intermináveis de Fidel. Yoani também comenta sobre a simpatia do presidente Lula com os Castros e anuncia seu plano de criar uma escola de jornalismo digital junto com outros blogueiros. Leia abaixo:

    ÉPOCA
    ÉPOCA – Você já sofreu algum tipo de intimidação do governo cubano?
    Yoani – Só uma vez, em dezembro do ano passado, fui convocada a depor numa delegacia. Disseram que eu tinha ultrapassado todos os limites, mas não aconteceu nada depois. Eles trabalham nas sombras. Fazem campanha de difamação na internet e entre meus amigos e familiares dizendo que sou da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos). E há sempre dois homens do Ministério do Interior em frente a meu prédio. Mas não quero o papel de vítima. Levo isso tudo com um pouco de ironia e de humor, ainda que seja um custo pessoal alto.

    ÉPOCA – Já pensou em desistir?
    Yoani – O caminho que escolhi não tem mais volta. Não quero sair do meu país, tampouco quero regressar a um período de silêncio e simulação. Quando era mais jovem, aplaudi e simulei acreditar no regime. O Generación Y é uma forma de extirpar alguns demônios.
    ÉPOCA – O fato de o governo permitir que você publique seus posts, mesmo sem poder acessar seu próprio blog, não é uma prova de que há mais liberdade de expressão?
    Yoani – Para quem me pergunta se o governo está mais tolerante, acho que não. Nós, cidadãos, é que estamos mais atrevidos. Se quisessem me deter nos primeiros meses de vida do blog, poderiam tê-lo feito sem muita gente se queixar. Agora, porém, o custo político de calar a blogosfera seria muito alto. Acho que o governo está pagando pela besteira que fez na Primavera de 2003 (onda de repressão que levou a penas severas de prisão para 75 dissidentes, além do fuzilamento de três homens por sequestrarem um barco para tentar chegar aos EUA). O rechaço internacional foi muito forte.
    ÉPOCA – É possível haver em Cuba uma nova mobilização popular como o Maleconazo de 1994 (protesto em que centenas de cubanos enfrentaram a polícia com pedras no Malecón, o calçadão à beira-mar de Havana)?
    Yoani – Não acredito. O país anda mal, mas não está com aquela indigência material daquela época. O turismo e o aumento de remessas estrangeiras trouxe dólares para cá, e os que se revoltaram naquela época acabaram tomando o caminho para fora do país. Não há ambiente para uma manifestação daquele porte.
    ÉPOCA – Como você se sustenta financeiramente?
    Yoani – Trabalhava como tradutora e professora de espanhol para estrangeiros de forma ilegal porque o governo não concede licença a professores autônomos. Mas a repercussão do blog fez com que muitos clientes, por medo, se afastassem de mim. Por outro lado, o blog me abriu portas para o jornalismo no exterior. Assino uma coluna numa revista italiana e colaboro com outros veículos. Se não aparece um artigo para escrever no mês, aperto um pouco mais o cinto em casa.
    ÉPOCA – A chegada de Raúl Castro ao poder mudou alguma coisa em Cuba?
    Yoani – Gostaria de dizer que sim, mas as mudanças adotadas por Raúl, como liberar a venda de celulares, foram cosméticas. No fundo, Raúl é como Fidel, só que mais discreto. Com um pouco de humor, posso dizer que a única grande mudança foi na programação televisiva. Os discursos de Fidel atrasavam toda a grade horária. Agora, com Raúl, que não fala nada, os cubanos estão felizes porque o horário das telenovelas brasileiras vai ser respeitado.
    ÉPOCA – Qual é sua opinião sobre a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como regime cubano?
    Yoani – Sei que há vínculos de simpatia entre Lula e os Castros, mas isso não se converte em subsídios do Estado, como faz Hugo Chávez com Havana. E Lula faz bem em defender o fim do embargo americano a Cuba, um dinossauro que sobreviveu à Guerra Fria. A ideia dos EUA era asfixiar o governo castrista, mas foi o povo cubano quem pagou pelas consequências materiais.

    ÉPOCA – Um dos posts do livro fala sobre ditaduras na América Latina e da atual situação em Honduras. Você considera correta a posição brasileira de dar abrigo ao presidente deposto Manuel Zelaya?
    Yoani – Sou uma pessoa muito inexpressiva para poder opinar sobre assuntos de chancelaria tão delicados. E aqui em Cuba tampouco recebemos muitas informações sobre o que se passa por lá. Temo bastante pelo povo hondurenho. Os países latino-americanos somos muito sensíveis a figuras carismáticas que acabam nos pondo a camisa de força do autoritarismo. O que posso aconselhar Lula é defender os interesses do povo de Honduras, não os de um líder. Honduras não é Zelaya ou (Roberto) Micheletti (presidente interino), mas sim o seu povo.

    ÉPOCA – Você faz menção no livro às jornadas blogueiras. O que são elas?
    Yoani – Uma das coisas mais importantes para mim nesses dois anos de Generación Y foi ver a onda blogueira. Quando comecei, me sentia solitária. Hoje tenho a felicidade de dizer que essa ferramenta está sendo usada por muita gente jovem. A jornada é uma reunião que fazemos quase todas as semanas, com um grupo de mais ou menos 20 blogueiros. Falamos sobre coisas rotineiras, sobre novidades no mundo dos blogs, assistimos a documentários. De vez em quando, recebemos blogueiros estrangeiros, que contam a realidade deles. Agora, temos um plano de criar uma academia de jornalismo digital.

    ÉPOCA – Como assim?
    Yoani – Queremos ensinar aos cubanos como expandir a rede de informação pela internet. Já temos um grupo de professores, e vamos fazer uma seleção de alunos, porque a procura foi bastante grande. Pelas leis do governo, não podemos fundar uma escola sem licença, mas duvido que eles vão nos impedir. A ideia é começar ainda este ano. Temos alguns laptops, o meu teto, e muita vontade. Pode não ser a melhor estrutura de início, mas em Cuba funciona assim: se a gente for esperar ter as melhores condições para fazer alguma coisa, ela nunca começa.
    ÉPOCA – Qual é sua opinião sobre a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como regime cubano?
    Yoani – Sei que há vínculos de simpatia entre Lula e os Castros, mas isso não se converte em subsídios do Estado, como faz Hugo Chávez com Havana. E Lula faz bem em defender o fim do embargo americano a Cuba, um dinossauro que sobreviveu à Guerra Fria. A ideia dos EUA era asfixiar o governo castrista, mas foi o povo cubano quem pagou pelas consequências materiais.

    ÉPOCA – Um dos posts do livro fala sobre ditaduras na América Latina e da atual situação em Honduras. Você considera correta a posição brasileira de dar abrigo ao presidente deposto Manuel Zelaya?
    Yoani – Sou uma pessoa muito inexpressiva para poder opinar sobre assuntos de chancelaria tão delicados. E aqui em Cuba tampouco recebemos muitas informações sobre o que se passa por lá. Temo bastante pelo povo hondurenho. Os países latino-americanos somos muito sensíveis a figuras carismáticas que acabam nos pondo a camisa de força do autoritarismo. O que posso aconselhar Lula é defender os interesses do povo de Honduras, não os de um líder. Honduras não é Zelaya ou (Roberto) Micheletti (presidente interino), mas sim o seu povo.

    ÉPOCA – Você faz menção no livro às jornadas blogueiras. O que são elas?
    Yoani – Uma das coisas mais importantes para mim nesses dois anos de Generación Y foi ver a onda blogueira. Quando comecei, me sentia solitária. Hoje tenho a felicidade de dizer que essa ferramenta está sendo usada por muita gente jovem. A jornada é uma reunião que fazemos quase todas as semanas, com um grupo de mais ou menos 20 blogueiros. Falamos sobre coisas rotineiras, sobre novidades no mundo dos blogs, assistimos a documentários. De vez em quando, recebemos blogueiros estrangeiros, que contam a realidade deles. Agora, temos um plano de criar uma academia de jornalismo digital.

    ÉPOCA – Como assim?
    Yoani – Queremos ensinar aos cubanos como expandir a rede de informação pela internet. Já temos um grupo de professores, e vamos fazer uma seleção de alunos, porque a procura foi bastante grande. Pelas leis do governo, não podemos fundar uma escola sem licença, mas duvido que eles vão nos impedir. A ideia é começar ainda este ano. Temos alguns laptops, o meu teto, e muita vontade. Pode não ser a melhor estrutura de início, mas em Cuba funciona assim: se a gente for esperar ter as melhores condições para fazer alguma coisa, ela nunca começa.
    – Qual é sua rotina para atualizar o blog Generación Y?
    Yoani Sánchez – Nenhum cubano pode contratar um serviço de internet doméstico, só altos funcionários do governo e estrangeiros. Uma pessoa comum como eu precisa ir a locais públicos, como cafés e hotéis. E o custo é o equivalente a um terço de um salário médio em Cuba – estou falando de US$ 6 a US$8 por hora. Isso me obriga a trabalhar sem conexão, escrever os posts, levar a um cibercafé e programá-los ao longo da semana. Eu me conecto uma ou duas vezes por semana.


     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:41 PM
    [] [envie esta mensagem] []




    Médico jura que resgatou um extraterrestre em acidente de carro
    O homem afirma ter encontrado uma aeronave com dois humanóides, um deles estava sem vida



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:30 PM
    [] [envie esta mensagem] []




    Remanejamento de Seção/Zona eleitoral SP

     
    Dê uma olhada no local em que você vota, se tiver um cartaz escrito “Se você vota nesta escola, procure o seu cartório eleitoral, o mais breve possível", você terá que fazer este remanejamento.
    Vá até o Cartório Eleitoral ou caso você deixe de fazer este remanejamento, o próprio cartório irá marcar um local, de repente irão te mandar para uma escola que fique longe para você ou fora de mão.

    Atendimento de segunda a sexta das 12h às 18h.

    Obs.: É preciso levar o título de eleitor, um outro documento de identidade e um comprovante de residência.
    Acesse o site do TRE-SP e veja se você está na lista dos remanejados.
    O remanejamento deverá ser feito até o dia 05 de maio de 2010.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 12:02 PM
    [] [envie esta mensagem] []




    Lula trabalha pela desistência de Serra
    Raymundo Costa
     

    A troca de domicílio eleitoral de Ciro Gomes do Ceará para São Paulo provavelmente tirou um potencial candidato a presidente, na eleição de 2010, e revela que depois da escolha de Dilma Rousseff para concorrer à sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu a retirada do governador José Serra (SP) da disputa como próximo objetivo.

    Para se candidatar a presidente, Ciro não precisaria trocar de domicílio eleitoral. O deputado submeteu-se a uma decisão de Lula, na expectativa de que, mais tarde, possa compor uma improvável chapa com Dilma Rousseff ou mesmo ser candidato a presidente pelo PSB, na hipótese de os governistas julgarem necessário o lançamento de mais de um nome para assegurar um segundo turno com José Serra.

    A candidatura a vice de Dilma é improvável porque isso retiraria da aliança o PMDB, o maior partido brasileiro. Ciro teria chance de habilitar-se a vice na eventualidade, hoje improvável, de o candidato do PSDB vir a ser o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ao trocar de domicílio eleitoral, Ciro desgastou-se com os cearenses que o elegeram prefeito de Fortaleza, governador do Estado e deputado federal, além de lhe garantirem uma passagem pela Assembleia Legislativa. É uma jogada de risco, pois não se sabe qual será a reação dos paulistas.

    O movimento da peça Ciro foi o principal lance de Lula, ao vencer o primeiro prazo importante para as eleições de 2010. O outro deu-se fora do campo governista: a filiação da ex-ministra Marina Silva ao PV. Ela dificilmente será uma nova Heloisa Helena (P-SOL), agressiva e sem estrutura. Marina é calma e mesmo num partido pequeno, deverá contar com o apoio de movimentos organizados como as ONGs ambientais. Deve ter menos problemas de financiamento de campanha do que Heloísa Helena. Lula preferia que Henrique Meirelles ficasse sem filiação partidária, mas ele decidiu ir para o PMDB.

    A mudança de domicílio de Ciro foi decidida em reunião da cúpula do PSB com o presidente. Os dirigentes do partido ainda argumentaram que Ciro candidato a presidente serviria melhor aos interesses do Palácio do Planalto, pois assegurava a passagem de um aliado de Lula para o segundo turno. O presidente respondeu que compreendia o raciocínio dos pessebistas, mas que ele queria Ciro em São Paulo.

    Ciro Gomes disse ao Valor que transferiu domicílio eleitoral para São Paulo, mas que a única certeza que tem é a de que será candidato a presidente da República. "Estou tão seguro disso como das duas outras vezes em que disputei (e perdeu)", disse. O que ele não nega é que entra na campanha pronto para azucrinar Serra. "Vou dizer o que José Serra representa". E o que o governador paulista representa? Segundo Ciro, "com todos os méritos que ele (Serra) tem, não pode fingir que não representa a volta da turma do Fernando Henrique Cardoso". Basta observar, segundo o deputado, que Serra governa São Paulo "com a turma de FHC". Entre outros, cita Andrea Matarazzo e Paulo Renato, ex-ministros tucanos. "O que Serra fez quando o câmbio estava apreciado?".

    O deputado e ex-ministro de Lula ri com desdém quando confrontado com informações segundo as quais não seria o Plano B de Lula na disputa presidencial. Ciro entende que a imprensa ainda não compreendeu e nem deu a devida importância ao que de fato está ocorrendo: eles (os governistas) estariam "espremendo" Serra até levar o governador a desistir de sua provável candidatura a presidente. "O Serra faz uma avaliação ciclotímica", acredita o deputado. Nas últimas pesquisas feitas, Serra já perde para a soma dos outros candidatos. E ninguém esquece que ele já desistiu uma vez: em 2006 liderava as pesquisas, mas cedeu a vaga para Geraldo Alckmin.

    Serra costuma dizer que não será candidato a qualquer custo e que só se decidirá por volta de março. É provável - é seu estilo deixar decisões como essa para o último minuto. Mas a direção tucana não vê um movimento sequer que a leve a especular a eventual desistência de Serra. Pelo contrário, e até com uma certa surpresa, vê o governador de São Paulo bem mais ativo, nas articulações internas, que Aécio Neves. O tucano mineiro trabalha mais no sentido de provar que é capaz de agregar mais apoios.

    Semana passada, Aécio conversou com o presidente da República. Deixou claro que, se for o escolhido dos tucanos, não será um candidato antiLula. Ciro diz que, na eventualidade da candidatura Aécio, ele próprio vai repensar a sua. Ele acha que o governador de Minas seria um candidato forte, que de saída levaria 80% dos votos mineiros e não teria dificuldades no Sul, que já vota contra o PT. E na região Nordeste, reduto do lulismo, teria mais chances que Serra. Ciro diz que o país não deseja outro presidente de São Paulo, e que Lula pensa como ele, nesse aspecto em particular.

    Aécio, de fato, ampliou o arco de suas articulações políticas fora do PSDB. Ele acena para os tucanos, por exemplo, com a possibilidade de fazer uma aliança com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O Rio é terreno minado para Serra. O governador de São Paulo havia estabelecido uma cabeça-de-ponte no Estado por intermédio do deputado Fernando Gabeira (PV). Mas o cenário muda com a candidatura de Marina Silva a presidente. Cabral, por seu turno, já não demonstra tanto entusiasmo com a candidatura Dilma, o que deve mudar se a ministra voltar a subir nas pesquisas de opinião, como esperam Lula e o PT.

    Serra não tem como ignorar Ciro em seu quintal. Segundo os tucanos, a decisão de Lula deixou o governador incomodado. Menos pelo potencial eleitoral do deputado - "Ciro é mamão com açúcar", dizem dirigentes do PSDB -, e mais pelo papel que ele vai desempenhar em São Paulo atacar o governador e baixar o nível da campanha, deixando para a candidata do governo o figurino "Dilminha paz e amor". Partidos aliados dizem haver um acordo tácito Lula-Serra para manter elevado o nível da campanha eleitoral, em 2010. A prática aponta outra direção..

    Pouco antes de mudar de domicílio, Ciro disse que Serra tinha alma mais feia do que o rosto. O deputado do PSB queixa-se de que a imprensa deu destaque a sua declaração, segundo ele publicada fora de contexto. No entanto, ignorou uma frase de Serra em que o governador diz que as críticas a um projeto do Palácio dos Bandeirantes não passavam de "trololó político". Segundo o dicionário Aurélio, trololó significa "música de caráter ligeiro e fácil". Mas na linguagem popularmente quer dizer "nádegas". Trololó é uma expressão constante no vocabulário de Serra. "Trololó petista", costuma dizer o governador.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 09:09 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

     

    Correio Braziliense

    A vez do anti-Serra

    Tiago Pariz

    PSB aposta na atuação de Ciro Gomes para evitar voos nacionais do governador paulista
    José Varella/CB/D.A Press - 1/6/05
    Ciro Gomes transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo
     


    Um dia depois de Ciro Gomes (PSB-CE) explicar as razões que o levaram a transferir seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo — entre as quais, aproximar-se do eleitorado paulista —, o PSB reforçou que a manobra de seu deputado também tem outros motivos: manter o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), preocupado com o próprio estado. O partido aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta evitar que o pré-candidato tucano à Presidência da República se lance na agenda nacional e deixe de lado o estado nos próximos meses. O plano tem como pilar Ciro Gomes. A estratégia atenderia aos interesses de Lula, que teria alguém para acorrentar Serra a São Paulo, evitando que o tucano passasse a ser pró-ativo na discussão da política federal.

    Nos próximos cinco meses em que ficará no ar caso Ciro se lance ao governo do estado ou à Presidência da República, o PSB quer que ele se transforme num anti-Serra. Claro que isso não significa que o deputado aceitou ser candidato a governador, como quer Lula. Significa apenas que ele encarnará o papel de desconstruir o discurso de um partido que completará 16 anos à frente da política paulista no ano que vem.

    “Nós vamos manter o Serra ligado em São Paulo e não deixando ele falar só sobre o Brasil. O Ciro vai falar sobre São Paulo, vai começar a andar mais em São Paulo, visitar cidades, e isso vai exigir preocupação do Serra”, avaliou o líder do PSB na Câmara, deputado Rodrigo Rollemberg (DF). O PSB quer manter o governador na defensiva, tendo que explicar suas decisões e as políticas para os mais diversos temas, como saúde, educação e transportes.

    A estratégia se desenha em duas vias. Ciro Gomes não só buscará ajudar para minar a agenda de Serra, como expandirá seu potencial no maior colégio eleitoral do país. “São Paulo tem eleitorado muito grande e esse trabalho fortalece a candidatura a presidente também”, disse Rollemberg. A meta é fazer essa figura do anti-Serra dar tão certo que ela se torne indispensável no debate nacional. “Estou absolutamente convencido de que o Ciro será candidato a presidente porque o Lula não vai abrir mão do Ciro”, emendou o líder. A tese dos socialistas é que mais um nome da base aliada contra os tucanos forçará o segundo turno e evitará uma eventual vitória na primeira rodada de votações. E, depois de servir como o contraponto no estado, Lula precisará de um anti-Serra na eleição presidencial, argumentam os socialistas.

    Fortalecimento
    Na política paulista, o PSB conseguiu se fortalecer com as filiações do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e do vereador da capital Gabriel Chalita, o mais votado na última eleição municipal. Skaf corre como um dos postulantes ao governo e Chalita deverá ser lançado ao Senado. Como o PT tem patinado há anos no estado, os socialistas têm potencial de se tornar a alternativa viável aos tucanos. Apesar de os petistas serem fortes em seu berço de nascimento — o PT tem dois dos três senadores paulistas —, o partido encontra dificuldades quando o assunto é a capital e o estado.

    Hoje, há divergências entre as vontades do PT paulista e de Lula. O partido quer encabeçar uma chapa ao governo estadual, enquanto o presidente gostaria de ver alguém da legenda como vice de Ciro. Hoje, são pré-candidatos o deputado Antonio Palocci, o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Eles tentarão minar a estratégia traçada por Lula de ter Ciro disputando a cabeça de chave com um nome do PT como vice. Hoje, o favorito nessa briga é Palocci, que recentemente teve processo no Supremo Tribunal Federal arquivado.

    Outro filiado ao PSB também servirá aos interesses de Lula. O ex-ministro Walfrido Mares Guia, que deixou o PTB, ficou encarregado de estruturar o partido em Minas Gerais. Sem meta de disputar a eleição de 2010, Mares Guia quer ajudar realizando trabalho de cabo eleitoral.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 08:49 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

    Painel - Renata Lo Prete

    Alto rendimento

    Apontado pelo TCU como um dos responsáveis por superfaturamentos no Pan-2007, cujos processos ainda tramitam no tribunal, o funcionário do Ministério do Esporte Ricardo Leyser Gonçalves cuidará agora das obras do Rio-2016. Leyser é hoje um dos homens fortes na estrutura do PC do B. Chegou ao poder público na administração de Marta Suplicy (PT) em São Paulo, como chefe de gabinete da então secretária de Esportes, Nádia Campeão. Na época, coordenou reforma no autódromo de Interlagos para o GP de F1.
    Instalado na Esplanada, Leyser continuou a gerenciar orçamentos e contratos com empreiteiras. A preparação para a Olimpíada envolverá investimentos da ordem de R$ 26 bilhões.


    Contas 1. De janeiro a agosto deste ano, Leyser usou R$ 230 mil em diárias de viagens -há casos de viagens que ultrapassam R$ 80 mil.

    Contas 2. O TCU também investiga contratos do Ministério do Esporte firmados sem licitação. Um deles é com a FIA (Fundação Instituto de Administração), que elabora estudos de impacto econômico. Entre 2008 e 2009, a entidade faturou R$ 12 milhões a título de consultoria.

    Confraria 1. Um jantar na casa do presidente da Câmara, Michel Temer, amanhã, vai fechar a estratégia do PMDB para o encontro com Lula, que deve ocorrer nesta semana. Os peemedebistas esperam selar nessa conversa o tal pré-acordo eleitoral em torno de Dilma Rousseff.

    Confraria 2. Participarão do concílio peemedebista, além do presidente da Câmara e potencial vice de Dilma, os ministros da sigla, o presidente do Senado, José Sarney, e líderes no Congresso.

    Quadrado. Por trás do discurso de obediência a Lula e subordinação ao projeto Dilma-2010, é grande o desconforto no PT-SP com a possibilidade de o partido vir a apoiar Ciro Gomes (PSB) para o governo estadual. O velado mal-estar não se restringe aos pré-candidatos petistas e seus aliados. Pelo interior afora, prefeitos do partido alegam que causaria ruído pedir votos para Ciro em suas bases.

    Deixa disso. Os lulistas mais engajados tentam acalmar os correligionários dizendo que, se tudo sair conforme esperado, no final Ciro não aportará em São Paulo, e sim na chapa de Dilma, como vice. Só não explicam como a ministra escapará de subir ao altar com o PMDB.

    Argumento. Aliados de Geraldo Alckmin circulam com uma pesquisa na qual o ex-governador tucano obtém na região metropolitana de São Paulo, coalhada de administrações petistas e área de influência de Gilberto Kassab (DEM), vantagem ainda mais expressiva do que em algumas regiões do interior do Estado.

    Espécie... Cresce dia a dia o pânico dos deputados do PSDB com o "chapão" que terá, além de tucanos, candidatos à Câmara do PPS, talvez do PMDB e principalmente do DEM, estes escolhidos a dedo e turbinados por Kassab.

    ...ameaçada. Os otimistas projetam 35 eleitos pelo "chapão". Os céticos duvidam do número e apostam que nenhuma das outras siglas perderá tanto quanto o PSDB.

    Chefinho. Carlos Lupi ficou apenas cinco dias fora, mas já foi o suficiente para que servidores do Ministério do Trabalho mandassem colocar duas faixas em seu gabinete: "Bem-vindo, ministro" e "Sentimos sua ausência".

    Troco. Após o naufrágio da CPI do MST com a retirada de assinaturas de deputados governistas, a bancada ruralista, com maioria "demo", preparou panfletos com o nome dos que desistiram para enviar aos produtores nos Estados. A oposição promete reapresentar o pedido de CPI nesta semana com novas adesões.

    com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

    Tiroteio

    "Como não é mais capaz de enganar a população depois de três anos, Jaques Wagner teve de recorrer a bodes e cabras para fazer propaganda de um governo que não tem o que mostrar."

    Do deputado ACM NETO (DEM-BA), sobre o programa criado pelo petista Jaques Wagner de pregar a logomarca do governo baiano na orelha dos rebanhos no interior da Bahia.

    Contraponto

    Quase a mesma coisa A Câmara realizou na terça-feira passada uma sessão em homenagem aos 60 anos da revolução chinesa e aos 35 do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e aquele país. Depois uma série de discursos, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) iniciou sua fala lamentando ainda não ter podido visitar a China. Em seguida, quis citar Jô Moraes (PC do B-MG), uma das idealizadoras da homenagem, e escorregou:
    -Gostaria de parabenizar a deputada Jô Soares...
    Diante do riso geral, Temer consertou como pôde:
    -Peço desculpas. De qualquer maneira, são dois grandes personagens do cenário nacional...

    Samba-exaltação

    Editorial

    Lances de afirmação mundial do Brasil dão pretexto a cruzada ufanista, que maquia realidade insatisfatória

    A ESCOLHA do Rio para sediar os Jogos Olímpicos, o ganho de peso do G20 no debate global, a diminuição do risco de investir no Brasil, o impacto atenuado da crise mundial e até a histriônica participação na crise de Honduras tornaram-se, por assim dizer, um samba-exaltação à procura de autor. O concurso está aberto.
    Que se apresente, senão o Ary Barroso do lulismo, pelo menos a sua dupla Dom e Ravel -os esquecidos autores do "Eu te amo, meu Brasil", hit do gênero no auge da ditadura militar. Enquanto os compositores esquentam seus tamborins, o chefe da República lhes estimula a criatividade.
    "Deixamos de ser um país de segunda classe. Ganhamos cidadania internacional", afirmou o presidente Lula depois da conquista olímpica, anunciada na Dinamarca. Se a epopeia nacionalista é certeira como uma flecha no centro do alvo, a realidade, cheia de contradições e matizes, sempre frustra o espírito ufanista.
    O Brasil vai hospedar a Olimpíada de 2016, mas o México já organizou os Jogos, em 1968, sem ter se emancipado, de lá para cá, do semidesenvolvimento. Os emergentes aumentaram sua presença nos fóruns de governança global, mas a relação entre Estados Unidos e China é, de longe, a preponderante para o futuro da economia mundial. Em assuntos que envolvem poderio militar, o status brasileiro é quase periférico.
    Apesar do furor propagandista do Itamaraty, o incidente em Honduras não tem dimensão para tornar-se referência de nada relevante que diga respeito ao peso específico do Brasil no continente. É estranho, aliás, vangloriar-se de atitudes que anularam a capacidade de mediação da representação brasileira.
    Com a lupa voltada para dentro, sobre as condições de vida da maioria da população brasileira, a toada ufanista perde muitas vezes a afinação. Um "país de segunda classe" é o diagnóstico inapelável dos testes que comparam o desempenho de nossos estudantes com os de outras nações. O Brasil se sai bem pior até no cotejo com países de renda per capita equivalente. Na saúde, o padrão se repete. Em pleno século 21, metade da população não tem acesso a rede de esgoto. Mais de 6 milhões de brasileiros vivem em favelas.
    De que o Brasil passa por um momento de melhora contínua em muitos desses aspectos -fenômeno caudatário de conquistas acumuladas sobretudo nas duas últimas décadas de redemocratização-, não resta dúvida. Ocorre, em paralelo, uma onda de reconhecimento internacional desses avanços.
    É preciso, contudo, enfatizar que o Brasil ainda está longe de patamares satisfatórios de bem-estar e desenvolvimento, pois partiu tarde, e caminha devagar, rumo a sua conquista. Quando se ensaiam os primeiros acordes de um tema velho, é sempre bom lembrar que os patrocinadores do ufanismo do passado -alguns decantados pelo presidente Lula- estão entre os responsáveis pelo nosso atraso.



     Escrito por Clóvismoliveir@ às 08:43 AM
    [] [envie esta mensagem] []




     

     

     

     

    Autoritarismo Eleitoral

    Lourdes Sola

    Charge101206.jpg

    Nos últimos anos vários governos latino-americanos eleitos democraticamente têm recorrido a fórmulas antidemocráticas com o objetivo de controlar a arena política e, assim, minimizar a concorrência eleitoral preexistente. Buscam livrar-se de um dos atributos da democracia eleitoral que lhes garantiram o acesso ao poder. É justamente esse impulso regressivo que chama a atenção como uma das características dos experimentos de "governo popular" em curso na Venezuela, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Insisto: uma das marcas. Pois esse caráter regressivo se combina com o componente popular, inaugurando uma lógica e uma dinâmica política novas, das quais as noções de "populismo" ou "neopopulismo" não dão conta. Ao cientista social cumpre observar o fenômeno novo sem se esquivar da tarefa de nomeá-lo adequadamente, recorrendo a uma inovação conceitual, se necessário. Pode ser útil para refletir sobre as fórmulas de terapia preventiva mais adequadas.

    Esses governos governam sob a égide de duas contradições que convém analisar melhor, pois delas derivam sua força e suas fraquezas. A primeira diz respeito à atitude para com a concorrência eleitoral: por um lado, são levados a jogar o jogo de eleições multipartidárias regulares, minimamente competitivas, para continuarem se legitimando - é que o otimismo democrático que varreu a América Latina desde 1980 e o resto do mundo a partir dos anos 90 fixou a preferência popular por eleições como o principal critério de legitimação para acesso ao Poder Executivo e ao Legislativo; por outro, onde há concorrência e, portanto, oportunidade de contestação, eleva-se o teor de incerteza quanto aos resultados das urnas. A contradição incômoda é resolvida pelo controle da arena eleitoral, que pode assumir várias formas: cerceamento dos direitos políticos e das liberdades civis, restrições aos meios de comunicação de massa e de financiamento quando em mãos oposicionistas, regras eleitorais discriminatórias.

    Acabo de listar as características típicas de um novo animal: o autoritarismo eleitoral. É uma variedade de regimes cujo traço distintivo é uma profunda ambiguidade institucional. Têm eleições multipartidárias, socialmente inclusivas, porque baseadas no sufrágio universal, e são minimamente pluralistas, pois a oposição tem direito a concorrer e, embora nunca ganhe, obtém votos e cadeiras no Congresso. O autoritarismo eleitoral, em suma, caracteriza-se por fazer de eleições competitivas um instrumento de poder autoritário, não de democracia. A lista cobre países da antiga União Soviética, inclusive a Rússia; do Oriente Médio e do Norte da África, como Egito, Argélia e Tunísia; alguns do Leste e do Sul da Ásia, como Cingapura, Camboja e Malásia; além de vários da África subsaariana.

    Os experimentos latino-americanos de autoritarismo eleitoral são uma espécie singular desse gênero porque resultam de uma dinâmica política regressiva - ao contrário dos demais, que em sua grande maioria nunca experimentaram instituições representativas e/ou sistemas de contrapesos entre Poderes. Estes têm matrizes autoritárias e são experimentos de liberalização política embrionários.

    Uma segunda contradição, remete ao controle da arena política, graças à instrumentalização da participação popular. Por um lado, o recurso a eleições competitivas implica o reconhecimento institucional de um princípio de cepa liberal: a "vontade do povo soberano". Por outro, implica conceder ao eleitor e às oposições os recursos institucionais - e os valores - que os capacitam a contestar as eleições e o próprio regime. Com isso a coalizão dominante corre riscos de se deslegitimar, vendo-se obrigada a optar entre duas alternativas indigestas: arrochar o controle da arena política ou ceder mais espaço às oposições.

    Essa caracterização vale para o gênero, mas a espécie dominante na nossa região se distingue pelo fato de que os governos relevantes têm (ou tiveram) raízes populares. É essa condição que lhes serve de incentivo para erigir a parcela majoritária do eleitorado em "vontade do povo soberano". Daí o impulso revisionista (das Constituições) e a vocação para legitimar-se por meio de plebiscitos. O problema é que, em condições mínimas de concorrência eleitoral e de liberdade de informação, periga que a "vontade do povo soberano" se revele volátil e, além disso, se apresente dividida. Por isso o controle da arena política passa necessariamente pelas restrições à liberdade de imprensa e pela tendência ao monopólio da informação. Deve-se isso a dois conjuntos de problemas, inerentes à democracia de massa e que a liberdade de imprensa contribui para atenuar - a par de instituições que obrigam os governantes a prestar contas. O primeiro é que a operação ideológica pela qual a vontade do eleitorado é convertida em "vontade do povo soberano" passa ao largo do xis da questão: quanto o eleitorado e a opinião pública sabem ou podem saber dos assuntos de interesse público? Mas há um segundo problema que se torna agudo nos países periféricos. Nas democracias de massa há uma enorme defasagem entre a democratização das informações, às quais a população tem acesso via rádio, TV, jornais, internet, e a capacidade que a população tem de elaborar as informações. No curto prazo, é à imprensa que cabe reduzir o espaço dessa defasagem, sempre e quando apresenta e divulga as formas possíveis e alternativas de elaboração da mesma informação por diferentes atores políticos. Nessas circunstâncias exerce um papel pedagógico.

    A fórmula complementar para minimizar a defasagem, no longo prazo, é apostar na educação de qualidade.


     Escrito por Clóvismoliveir@ às 08:38 AM
    [] [envie esta mensagem] []






     Escrito por Clóvismoliveir@ às 01:34 AM
    [] [envie esta mensagem] []


    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
     
     
     



    Spernacchia!



    eXTReMe Tracker

    contador gratiscor1.gif

    AUDITORIA/CONSULTORIA TRABALHISTA Fale comigo






     BLOG ANTIGO OPINIÃO PÚBLIC@
     REINALDO AZEVEDO
     GOOGLE
     FOLHA ONLINE
     JOSIAS DE SOUZA
     UOL -Notícias
     BBC BRASIL
     TERRA
     CONTAS ABERTAS
     YAHOO
     CONGRESSO EM FOCO
     LÚCIA HIPPOLITO
     GLOBO-G1
     JB ON LINE
     O ESTADO SP
     VEJA
     JORNAIS DO MUNDO
     SPONHOLZ
     MÍDIA SEM MÁSCARA
     AMÉRICAS REPÓRTER
     BAIXAKI
     BLOG DA MARY
     LE MONDE
     DESCICLOPÉDIA
     ISTO É
     ÉPOCA
     YOU TUBE
     RÁDIO JOVEM PAN-AM
     TRANSPARENCIA BRASIL
     LAURO JARDIM-RADAR
     AGÊNCIA BRASIL
     VALOR ON LINE
     CORREIO BRAZILIENSE
     JUS NAVIGANDI
     ÚLTIMO SEGUNDO
     GRANMA CUBA
     SENADO FEDERAL
     CÂMARA MUNICIPAL-SP-VEREADORES
     POUPATEMPO
     CONSULTOR JURÍDICO
     CBN
     ÚLTIMA INSTÂNCIA
     MEMORIAL HÉLIO RIBEIRO
     DESABAFO PAÍS
     DIÁRIO DO COMÉRCIO DE SÃO PAULO
     PANORAMA
     WIKIPÉDIA
     RÁDIO TV BANDEIRANTES
     CIDADÃO SP
     MICHAEL MOORE
     CALCULO EXATO
     HUMORTAL
     CAMARA DOS DEPUTADOS
     OLAVO DE CARVALHO
     PRO TESTE-ASS.BRAS.DEF.CONS.
     CARTÓRIO 24 HORAS
     SOLEIS-LEGISLAÇÃO FEDERAL
     PROCON
     DESTAK JORNAL
     CORINTHIANS
     AGORA SÃO PAULO
     DIOGO MAINARDI
     OPINIÃO E NOTÍCIA
     BARBARA GANCIA
     PREFEITURA SP
     GOVERNO EST.SP
     JORNAL NACIONAL
     JORNAL DA GLOBO
     EXPRESSO DA NOTICIA
     REDE TV



     Dê uma nota para meu blog